Imagem de leitura — Lois Mailou Jones

2 01 2013

12_lois mailou jones_jardin du luxembourg_oleo tela_c. 1948Jardim de Luxemburgo, c. 1948

Lois Mailou Jones ( EUA, 1905-1998)

óleo sobre tela

Lois Mailou Jones nasceu Boston, Massachusetts, em 1905.  Começou a pintar ainda criança, incentivada pela família que todos os verões a levava para a ilha Martha’s Vineyard, onde aprendeu a pintar com aquarelas o que se tornou seu meio favorito de pintura. Estudou na Escola de Arte do Museu de Boston. Na década de 1930, o trabalho de Louis Mailou Jones começou a refletir influências de tradições artísticas da África; e chegou a desenhar máscaras no estilo africano.  Esse trabalho refletiu no quadro Les Fétiches de 1938, que mostra máscaras africanas em cinco estilos étnicos diferentes.  Durante o ano de estadia na França produziu próximo a quarenta trabalhos entre paisagens e estudos figurativos, dando vazão a influencias africanas. Faleceu em 1998.





Resoluções literárias para o Ano Novo

29 12 2012

lecture28 temasA praia, s/d

Françoise Amadieu ( França, 1948)

acrílica  sobre papelão corrugado, resinado, dobrado, sobre madeira.

www.amadieu.eu

Todos os anos faço minha listinha: coisas que gostaria de  fazer durante o ano.  Depois coloco uma lista parcial, numa dessas notas de papel adesivas, e colo essa lista parcial no início do mês que se inicia na agenda que carrego comigo para todo lado.  À medida que vou riscando algumas das tarefas colocadas na lista, refaço a lista parcial. Assim a lista que inicia o mês de novembro já é completamente diferente da que iniciou o mês de abril, por exemplo.   Para minha surpresa, quando chega dezembro em geral consegui completar 90% ou mais do que havia programado.

O fato de estar sempre olhando para a lista, porque afinal está no início de cada mês na agenda, faz com que me lembre da promessa de comprometimento.  Também acho que não podemos ser  nem ambiciosos demais nem de menos nessa lista.  O equilíbrio é difícil de encontrar, mas com a prática se consegue.  E a mais importante das descobertas: quanto mais detalhada a lista, mais fácil é cumpri-la.

Quanto aos comprometimentos literários aqui vão algumas sugestões do que estou pensando em colocar na minha lista:

1 — Ler mais livros que não sejam de ficção.

2 — Organizar os livros que tenho.

3 – Ler a cada mês pelo menos um dos livros já comprados e empilhados em casa.

4 — Eliminar, por doação ou venda a um sebo, o número de livros em casa.

5 – Ler pelo menos um livro científico de assunto contemporâneo.

6 – Fazer um passeio literário. Estou pensando em pegar  as Memórias da Rua Ouvidor de Joaquim Manuel de Macedo e passear por recantos do Rio de Janeiro onde JMM se detém.

E vocês?  Fazem listas literárias de fim de ano?  O que colocaram nelas?





Sobre livros: Jennifer Howard

27 12 2012

Harry J Pearson (1872-1933) Sra no café

Senhora à mesa de café, s/d

Harry J. Pearson (EUA, 1872 – 1933)

Óleo sobre madeira, 51 x 41 cm

Coleção Particular, Gavin Graham Gallery, Londres

“Qualquer um que tenha mostrado um livro como troféu numa mesa de centro sabe que pessoas fazem muitas coisas com livros além de lê-los.  Um livro pode ser usado como um sinal de posicionamento ou aspiração intelectual. Pode ser usado como uma barreira social entre esposos no café da manhã ou entre estranhos em um trem.  Pode ser desmembrado e reciclado ou transformado em arte”.

Jennifer Howard, Secret Lives of Readers





Palavras para lembrar — Hilaire Belloc

23 12 2012

Heinrich Lossow. (1840 -1897)

Mulher descansando, s/d

Heinrich Lossow (Alemanha, 1847-1897)

óleo sobre tela

Grev Wedels Plass Leiloeiros

“Quando eu morrer, espero que possam dizer: seus pecados eram imorais, mas seus livros eram lidos”.


Hilaire Belloc





Palavras para lembrar — Charles Simic

21 12 2012

Jose van Gool, Lesend Vrouw, 2000, 70x60, ost

Moça lendo, 2000

José van Gool (Bélgica, 1945 )

óleo sobre tela, 60 x 70 cm

“Um poema é um segredo dividido entre duas pessoas que nunca se encontraram”.

Charles Simic

 





Palavras para lembrar — Ernest Hemingway

17 12 2012

Roman Zaslonov

Dormindo

Roman Zaslonov (Belarússia, 1962)

óleo sobre tela,  122 x 122 cm

www.roman-zaslonov.com

“Todos os bons livros têm algo em comum – eles são mais verdadeiros do que se realmente tivessem acontecido”.

Ernest Hemingway





O trigo, texto de Coelho Neto

11 12 2012

Armando Romanelli,Trigal, 1989, OST40 x 50

Trigal, 1989

Armando Romanelli (Brasil, 1945)

óleo sobre tela, 40 x 50 cm

O trigo

Coelho Neto

Por todo o vasto Éden espalhou-se, maravilhado e risonho, o olhar do primeiro homem.

Viu as florestas frondosas, em cujas franças rendilhadas esgarçava-se o nevoeiro da manhã; viu as campinas alegres pelas quais numerosos rebanhos se apraziam; viu os montes de encostas de veludo; viu os rios claros, largos, retorcidos em meandros, discorrendo por entre as margens de ervaçais floridos e acenoso arvoredo; viu as fontes borbulhando em bosques aceitosos.

Animais de várias espécies cruzavam-se pelos caminhos – leões de juba altiva, elefantes monstruosos, antílopes e corsas, leopardos e gazelas e aves de plumagem branca ou de penas variegadas junto a ribeiras tranqüilas, vogando em ínsula de flores, pousadas em ramos ou atravessando os ares, alegrando com o seu concerto o silêncio grandioso.

Os frutos ofertavam-se nos galhos, as flores desfaziam-se das pétalas recamando a alfombra e esparzindo o aroma dos ares.

O home, ainda incerto, ia e vinha, ora parando à beira das águas que o refletiam, ora chegando à ourela dos bosques, saindo às várzeas, mudo, em êxtase contemplativo.

Deus, que de longe o assistia com o seu olhar, achava-o perfeito, airoso e forte, digno de ser o senhor do mundo e de todas as criaturas.

O sol ardia estivo e, de toda terra exuberante, exalava-se um hausto cálido, uma respiração abrasada que amolecia e adormentava.

As folhagens encolhiam-se, murchando; as flores pendiam lânguidas nos caules; os animais refugiavam-se nos bosques ou penetravam as furnas tenebrosas; as próprias águas desciam lentas, com preguiça, sob a irradiação cáustica da luz que refulgia tremulamente no azul diáfano.

Deus errou em passos lentos pelas silenciosas veredas e toda pedra que seus pés tocavam fazia-se luminosa, com rebrilhos faiscantes e cores admiráveis.  Era aqui um seixo que se ensangüentava em rubi, ali um calhão esverdeando-se em esmeralda, outro tomava um colorido flavo ou roxo e, mirificamente, iam-se todos transformando e adquirindo cor, desde o tom lácteo da opala até o esplendor cerúleo da ametista, desde o límpido fulgir do diamante ao lampejo solar dos prazios amarelos. As areias faziam-se de ouro, rutilando, como haviam ficado mo leito do córrego em que o Senhor, depois de haver plasmado o homem com o barro sanguíneo, lavou e refrescou as mãos benéficas.

Foi-se o Criador encaminhando a um campo que ondulava e sussurrava às aragens e que era um trigal.

Nele entrando, sem que as pombas e as calhandras se assustassem, a frescura convidou-o ao repouso.

Deitou-se e os trigos fecharam-se suavemente formando um ninho aromal e sombrio onde o sono foi agradável.

Já as roxas nuvens anunciavam o crepúsculo quando, ao suave prelúdio dos rouxinóis, abriram-se os olhos divinos. Deus, que gozara a delícia do sono, ergueu-se. Então, mansamente, uma voz meiga elevou-se no campo louro.

— Senhor, que vos não pareça de vaidoso a minha requesta, não é por orgulho que vos falo, senão porque me sinto por demais miserando na grandeza de vossa criação. Fizestes a árvore sobranceira dando-lhe o tronco, dando-lhe os ramos, vestindo-as de folhas, cobrindo-a  de flores e ainda a carregais de frutos; as suas frondes altas topetam com as nuvens. Aos que não destes grandeza e força, ornaste com a raça mimosa da flor; só eu, pobre de mim! Fui esquecido por vós. Quando vos vi chegar para mim tive vexame de receber-vos, tão pobre sou! Trigo mísero.

Era o trigo que assim falava.

Parou o Senhor a escutá-lo e, compadecido das suas palavras, estendeu a mão abençoando-o:

Agasalhaste o meu sono com a pobreza, trigo tenro e frágil, deste-me generoso abrigo e resguardaste-me do sol. Não fique memória na terra de uma ingratidão d’Aquele que mais a detesta e, para que o exemplo sirva e aproveite, abençôo-te e amerceio-te com a força e com a Graça.

Fraco, darás o alimento essencial; mísero, encerrarás em ti o mistério divino. Será o pão e serás a hóstia e assim, com a tua franqueza, suplantarás a árvore mais vigorosa e com a tua humildade serás maior que o sol.

No teu seio desabrocharão as papoulas e, dentro em pouco, a flor virá anunciar-te a espiga e a espiga dará a farinha branca, que será força nos homens e sacrário da minha essência. Assim Deus, engrandecendo-os, responde à esmola dos pequeninos.

Disse, e, contente, mais com o que fizera ao trigo do que com a criação de todo o universo maravilhoso, ao clarear da lua, quando os rouxinóis cantavam, remontou ao céu entre os anjos que foram, em coros, pelos ares claros, apregoando a sua onipotência e a sua misericórdia.

Em: Coelho Neto e a ecologia no Brasil, 1898-1928, org. Eulálio de Oliveira Leandro, Imperatriz, MA, Editora Ética: 2002





Natal, soneto de Lindolfo Gomes

9 12 2012

Ano Novo, s/d

Alexandre Gulyaev (Rússia, 1917-1995)

óleo sobre tela

Natal

Lindolfo Gomes

Nas noites de Natal, da minha infância,

Tinha brinquedos nos meus sapatinhos,

Que um Anjo transformava em doces ninhos,

Iludindo-me à ingênua vigilância.

Do nosso lar na idolatrada estância,

A mesa posta, com iguaria, vinhos…

Minh’alma respirava a sã fragrância

Dessas flores silvestres dos caminhos.

Agora no Natal desta velhice,

Seguindo a vacilar por ínvios trilhos,

Arrasto os sapatões, ao léu do fado…

Mas me revejo em plena meninice,

Ao ver nos sapatinhos de meus filhos

Meus brinquedos, meus sonhos, meu passado…

Lindolfo Eduardo Gomes (SP 1875 – RJ 1953) Poeta, Jornalista, contista, ensaísta, folclorista, professor e teatrólogo.  Passou sua juventudo em Resende, no estado do  RJ, mudando-se mais tarde para Juiz de Fora, MG, onde passou grande parte da sua vida profissional tendo redigido para os jornais O Pharol, Jornal do Commercio, Diário do Povo, Diário Mercantil, revista Marília,entre outros.

Obras:

Folclore e Tradições do Brasil, 1915

Contos Populares Brasileiros, 1918

Nihil novi, 1927





Imagem de leitura — Louise Amélie Landre

7 12 2012

Louise Amelie Landre  (França, 1852 - )

Café da manhã da trabalhora, s/d

Louise Amélie Landre (França, 1852-?)

Oil on Canvas

Louise Amelie Landre nasceu em Paris em 1852.  Estudou no ateliê de Chaplin, depois com Barias e finalmente completou seus estudos em pintura com Hubert.  Sua carreira se iniciou no Salão de 1876.  Em 1885, foi nomeada como Associada aos artistas franceses. E continuou a expor os retratos e as paisagens pelos quais ficou conhecida, pelo mesno até 1918. Data de falecimento desconhecida.

 





Natal — poema de Sabino de Campos

5 12 2012

Sagrada Família

Il Pesarese, Simone Cantarini (Itália, 1612-1648)

óleo sobre tela, 72 x 55 cm

Museu do Prado, Madri

Natal

Sabino de Campos

Natal.  É noite silente.

Numa pobre manjedoura,

Maria, divinamente,

No venttre um Deus entesoura.

José murmura, almo e crente,

Uma prece.  Do Alto, loura

Réstia de luz, docemente,

A face calma lhe doura.

Para reger o destino

Do mundo, nasce o Menino

Entre glórias na amplidão.

Os galos cantam nos prados

E seus clarins reiterados

Ecoam na solidão!

(Versos da meninice)

Cachoeira, Ba

Em: Natureza, Sabino de Campos, Rio de Janeiro, Pongetti, 1960