Natureza morta com mamão, maçãs e uvas
Oscar Pereira da Silva (Brasil, 1867-1939)
óleo sobre tela, 60 x 101 cm
Natureza morta com mamão, maçãs e uvas
Oscar Pereira da Silva (Brasil, 1867-1939)
óleo sobre tela, 60 x 101 cm
Romãs e uvas sobre a mesa, 1910
Oscar Pereira da Silva (Brasil, 1867 – 1939)
óleo sobre tela, 48 x 60 cm

Natureza morta: cerejas, laranjas, pêssegos
Oscar Pereira da Silva (Brasil, 1867 – 1939)
óleo sobre tela, 49 x 80 cm
Menina ao piano
Aurélio de Figueiredo (Brasil, 1856 – 1916)
òleo sobre tela, 60 x 90
Coleção Fadel
Menino, 1941
Alberto da Veiga Guignard (Brasil, 1896-1962)
óleo sobre madeira, 41 x 33 cm

Menina, 1940
Henrique Cavalleiro (Brasil, 1892-1975)
óleo sobre madeira, 54 x 45 cm
Curumim
Élon Brasil (Brasil, 1957)
óleo sobre tela, 40 x 40 cm
Menina, 1932
Gino Bruno (Itália/Brasil, 1899-1977)
óleo sobre tela, 41 x 30 cm
Coleção Particular

Meninos pescando em São Paulo
Antonio Ferrigno (Itália, 1863 – 1940)
óleo sobre madeira, 20 x 28 cm
Irmãs no bosque, 2004
Santa (Brasil, contemporânea)
óleo sobre tela, 50 x 50 cm
Amigos inseparáveis, 1921
Eliseu Visconti (Itália/Brasil, 1866 – 1944)
óleo sobre tela, 27 x 35 cm
Coleção Particular
Passeio na maré baixa, 2011
Sergio Berber (Brasil, 1941)
óleo sobre tela, 70 x 50 cm
Retrato de menino, 1933
Presciliano Silva (Brasil, 1883-1965)
óleo sobre tela, 49 x 39 cm
Tati com vestido vermelho
Aurélio d’Alincourt (Brasil, 1919-1990)
óleo sobre eucatex, 32 x 24 cm
Criação da vovó, 1895
Oscar Pereira da Silva (Brasil, 1867-1939)
óleo sobre tela 122 × 94 cm
Pinacoteca do Estado de São Paulo [PESP]
Natureza morta, 1929
Oscar Pereira da Silva (Brasil, 1867 – 1939)
óleo sobre tela, 40 x 54 cm
Adelson do Prado (Brasil, 1944)
acrílica sobre tela, 61 x 50 cm
Alberto da Veiga Guignard (Brasil, 1896-1962)
óleo sobre madeira, 50 x 40 cm
Museu de Arte da Pampulha
Arlindo Castellani (Brasil, 1910-1985)
óleo sobre tela, 46 x 38 cm
Instituto de Artes, UFRGS
Cláudio Fontes (Brasil, 1939)
óleo sobre tela, 90 x 120 cm
Di Cavalcanti (Brasil, 1897-1976)
óleo sobre tela, 70 x 90 cm
Eugênio Paxelly (Brasil, contemporâneo)
acrílica sobre tela, 59 x 44 cm
Gustavo Rosa (Brasil, 1946-2013)
óleo sobre tela, 65 x 54 cm
Henrique Bernardelli (Chile/Brasil, 1857-1936)
óleo sobre tela, 65 x 45 cm
Henrique Cavalleiro (Brasil, 1892-1975)
óleo sobre tela, 96 x 76 cm
Orlando Teruz (Brasil, 1902-1984)
óleo sobre tela, 75 x 60 cm
Oscar Pereira da Silva (Brasil,1865-1939)
óleo sobre cartão, 28 x 23 cm
Siron Franco (Brasil, 1947)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Heros Lima (Brasil, 1916-1987)
óleo sobre tela, 55 x 45 cm
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Capa da Revista LIFE, de setembro de 1928, por Russell Patterson (EUA, 1893-1977)–
Zeitgeist é uma palavra alemã largamente adotada, assim mesmo, em alemão, nas cadeiras humanísticas para expressar o espírito de uma época, representado pelo clima cultural, intelectual, espiritual, ético e político de um grupo de pessoas, de nações. [A pronúncia é: ”zaitgaist”]. Para quem lida com a história da arte, da arquitetura, das manifestações artísticas e culturais em geral, essa palavrinha é um sinal taquigráfico indicando uma semelhança de pensamentos, comportamentos, de estética. Já usamos essa expressão muitas vezes aqui no blog, mas como faz parte de um jargão profissional é interessante lembrá-lo principalmente quando nos deparamos com uma semelhança de imagens.
O conceito de zeitgeist é importante para o estudo da história da arte porque auxilia na determinação das fontes inspiradoras dos artistas. Desde que o mundo é mundo, desde a Grécia, de Roma, da Idade Média, Renascença, e aí por diante que pintores, escultores, artistas gráficos, se inspiram na obra de seus antecessores. Às vezes as inspirações são óbvias, às vezes precisa-se de muito tempo e pesquisa para provarmos que este pintor ou aquele escultor estava familiarizado com o trabalho de um determinado antecessor. Muitos e muitos estudiosos passam um bocado de tempo tentando re-organizar o passado para melhor compreender como se manisfesta ou como se perpetua uma determinada tendência nas artes. E é sobre essa divulgação de formas e conceitos que hoje examino um trabalho de Oscar Pereira da Silva, um dos nossos grandes pintores do século XX.
Recentemente estive, por razões diversas, verificando as imagens gráficas das capas de partituras de músicas populares, para piano e canto do início do século XX. Passei horas e horas em grande deleite, observando o trabalho de muitos artistas gráficos anônimos e alguns bastante conhecidos. Até que me deparei com a capa para a música Dear Heart, de 1919. Não sei se foi um grande sucesso na época, mas achei referências a ela na web. Com música de W. C. Polla and Willard Goldsmith, e letra de Jean Lefarve, a partitura foi publicada em 1919 pela C. C. Church and Co. de Hartford, Connecticut. Se você quiser ouvir a música, clique aqui.
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Dear Heart, 1919. de Jean Lefarve e W. C. Polla and Willard Goldsmith, ilustração de Rolf Armstrong.
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A ilustração da partitura acima é de Rolf Armstrong. Foi usada na capa da revista americana Metropolitan de 1919. Nela vejo uma bela melindrosa que olha diretamente para mim, o leitor, enfentiçando-me com seus grandes e amendoados olhos azuis. O turbante cor de laranja esconde os cabelos negros, cortados à la garçonne típicos da época, deixando entrever mechas, coquetemente enroscadas no que se denominava “pega rapaz“, que é aquela mecha de cabelos em forma de vírgula. A rosa vermelha próxima ao nó do turbante compensa a longa linha do pescoço e reflete o carmim da boca entreaberta, convidativa, que parece dizer que essa melindrosa está pronta para se divertir, para sair dançando o charleston. Ela é misteriosa e sedutora.
Assim que bati com os olhos na capa dessa partitura me lembrei do quadro na Pinacoteca do Estado de São Paulo, Mulher com turbante, de Oscar Pereira da Silva, com uma moça semelhante. Não me lembrava da data, mas eu sabia que Oscar Pereira da Silva já havia falecido por volta dos anos 40. Há exatamente 11 anos entre a capa da revista Metropolitan, da partitura para Dear Heart e o quadro brasileiro. Lá está o mesmo espírito, o retrato do mundo pre-Segunda Guerra Mundial. Melindrosas eram o tema nas artes gráficas através desses anos todos, como a capa da revista Life, desenhada por Russell Patterson e publicada em setembro de 1928, reproduzida acima, demonstra.
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Mulher com turbante, 1930
Oscar Pereira da Silva (Brasil,1867-1939)
óleo sobre tela, 41 x 33 cm
PESP — Pinacoteca do Estado de São Paulo
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Há semelhanças bastante perceptíveis. Uma melindrosa, morena, com olhos azuis, rasgados e brilhantes de excitação olha diretamente para o observador. Um turbante cor de laranja esconde seu cabelo escuro, cortado a la garçonne, com sensuais mechas encaracoladas próximas às orelhas. Na versão brasileira a melindrosa tem os lábios da cor do fundo do quadro, e um sorriso mais aberto, mais convidativo à diversão. No lugar da rosa da capa acima, temos um ombro nu, sensual, que ajuda como a rosa anteriormente a compensar a longa linha de um pescoço colossal. A versão tropical é muito mais exuberante, menos misteriosa mas tão sedutora quanto sua companheira americana.
Sabemos que no Rio de Janeiro do início do século XX o piano ainda era um instrumento encontrado na maioria das casas da classe média, com moçoilas casadouras. Mesmo no início do século XX, muitas famílias ainda mantinham saraus e todas as moças da casa aprendiam a tocar piano. Muitas dessas partituras vinham do exterior. Oscar Pereira da Silva conhecia bem esse hábito dos saraus. Há um de seus quadros na Pinacoteca do Estado de São Paulo, A hora de música , reproduzido abaixo, que mostra exatamente esse uso do piano na família.
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Hora de música, 1901
Oscar Pereira da Silva (Brasil,1867-1939)
óleo sobre tela
Pinacoteca do Estado de São Paulo.
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Oscar Pereira da Silva foi um pintor que pemaneceu dentro dos parâmetros da pintura histórica e realista, não abrindo espaço em sua produção para as “novidades” das técnicas mais modernas. Foi um retratista, um pintor de cenas históricas e sempre teve uma boa e tradicional clientela que o manteve produzindo até o fim. Suas pinturas de gênero tendem a ser bastante detalhistas e é realmente só na maturidade que vemos um trabalho como A mulher com turbante, que tem uma leveza de traço, uma rapidez de pincelada, que se deve muito mais aos moldes modernos de pintura do que ao realismo minucioso ao qual Oscar Pereira da Silva é sempre associado.
Agora, levando em consideração a popularidade de certas canções, e a familiaridade do pintor e de todos na época com partituras para piano, a pergunta a fazer é:
Oscar Pereira da Silva conhecia essa capa de música? Ou é isso simplesmente Zeitgeist?
©Ladyce West,2012
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Oscar Pereira da Silva ( Brasil, 1867 — 1939 )
óleo sobre tela
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Oscar Pereira da Silva nasceu em São Fidelis, no estado do Rio de Janeito em 1867. Foi pintor e professor. Ganhou em 1887, no último em que cursou a Academia Imperial das Belas Artes no Rio de Janeiro, o prêmio de viagem à Europa. Ficou em Paris e 1889 a 1896. Lá prosseguiu seus estudos com Bonnat e Léon Gerôme. Voltando ao Brasil fixou-se em São Paulo. Conquistou no SPBA a grande medalha de ouro em 1933 e o segundo prêmio Prefeitura de São Paulo em 1936. Faleceu em 1939 em São Paulo.
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Mulher com turbante, 1930
Oscar Pereira da Silva (Brasil,1867-1939)
óleo sobre tela, 41 x 33 cm
PESP — Pinacoteca do Estado de São Paulo
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Este é um romance leve, encantador, que retrata um Brasil de surpreendente inocência. Prima Belinha foi o primeiro romance de Ribeiro Couto, escrito “quase todo em 1926” — como o autor explica na apresentação — mas só publicado em 1940, depois que o autor já havia se tornado membro da Academia Brasileira de Letras.
O romance segue a vida de um jovem mineiro que, praticamente deixado à porta do altar por sua prima de quem se considerava noivo desde sempre, vem para o Rio de Janeiro. Na capital do país ele encontra uma situação política diferente daquela a que estava acostumado em S. Antonio do Mutum, onde seu pai era chefe político. Sem rumo, sem ambição definida, José Viegas, que não tinha aptidão para coisa alguma além do bem e quieto viver no interior do país, não consegue, como esperava um bom emprego. A influência política de seu pai, forte no interior, não tem a importância que ele ou o pai imaginavam. Na falta de melhor oportunidade, Viegas permanece na capital.
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A simplicidade do movimento político retratado reflete a inocência de José Viegas. Recém-chegado à capital, o jovem, por vingança de amor, se envolve numa trama para derrubar o governo que desde o início o leitor desconfia não ter respaldo. Fadada ao insucesso, a aventura do mineiro em terras cariocas lembra o despreparo político do cidadão comum, e a inocência da sociedade brasileira da década de 1920.
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Ribeiro Couto–
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A deliciosa prosa do autor com um estilo leve, mas preciso, esconde habilmente qualquer crítica social. Isso ele deixa ao leitor, que nos dias de hoje, acha difícil acreditar em um mundo tão inocente quanto o representado, quer em Minas quer no Rio de Janeiro. Vamos e venhamos, fica difícil, nos dias de hoje, imaginar, um grupo de revolucionários encontrando-se nos fundos de uma padaria do subúrbio, aonde chegam através de prosaicas viagens de bonde. Talvez, mesmo em 1926, quando o romance foi escrito, essa realidade parecesse propositadamente inocente. Mas com os olhos da segunda década do século XXI ela parece imensamente anacrônica. Seria surpreendente então dizer que Prima Belinha é uma boa leitura? Não, não é surpresa. A prosa de Ribeiro Couto encanta.
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Você encontra neste blog um poema de Ribeiro Couto: INSÔNIA
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Costurando, s/d
Oscar Pereira da Silva ( Brasil, 1867-1939)
óleo sobre tela
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Laura Esteves
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Queria minha avó de volta,
ligeirinha, caminhando
pela antiga alameda.
As balas de limão e laranja
envoltas em papel de seda.
As rezas do ventre-virado,
Simpatias, mau-olhado:
“Deus te fez,
Deus te criou,
Deus tire o mal
que em ti entrou.”
Galho de arruda murcho,
doente já sorrindo,
moeda na palma da mão.
“Precisa não”.
“É só uma ajuda”.
Lá ia o rico dinheiro
Para a fezinha do bicho.
“Sonhei com leque, vai dar pavão.
Grande falseta: leque de ar e cor,
Só podia mesmo ser borboleta”.
Minha avó, matreirinha,
arrumava um jeito de ser feliz.
Foi ela quem me ensinou sobre
alegria, astúcia e sorte.
Foi ela quem demonstrou:
Mulher é sempre mais forte.
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Em: Poesia simplesmente, ed. Roberto Pontes, Rio de Janeiro, ed. autor: 1999.
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Laura Esteves nasceu no Rio de Janeiro. É escritora e poeta. Faz parte do Grupo Poesia Simplesmente.