Lira Itabirana, poesia Carlos Drummond de Andrade

15 11 2015

 

 

Holmes Neves - Paisagem Mineira - 1984 - O.S.T - a.c.i.e. - 50x61 cm - Medidas com moldura 53,5x64 cmPaisagem mineira, 1984

Holmes Neves (Brasil, 1925)

óleo sobre tela, 50 x 61 cm

 

 

Lira Itabirana

 

 

Carlos Drummmond de Andrade

 

 

I

O Rio? É doce.

A Vale? Amarga.

Ai, antes fosse

Mais leve a carga.

 

II

Entre estatais

E multinacionais,

Quantos ais!

 

III

A dívida interna.

A dívida externa

A dívida eterna.

 

IV

Quantas toneladas exportamos

De ferro?

Quantas lágrimas disfarçamos

Sem berro?

 

(1984)
PS: Agradeço aos leitores que me mandaram esta poesia de Drummond tão preciosa nos dias de hoje.




Nossas cidades: Aiuruoca, MG

9 11 2015

 

 

JOSÉ MARIA DE ALMEIDA (1906-1995)Igreja Matriz de Aruoca-MG,1981,ost, 55 x 38Igreja da Matriz de Aiuruoca, MG, 1981

José Maria de Almeida (Portugal/Brasil, 1906-1995)

óleo sobre tela, 55 x 38 cm





Flores para um sábado perfeito!

17 10 2015

 

CARLOS BRACHER (1940). Vaso Verde com Flores do Campo, óleo stela, 81 X 60. Assinado no c.i.d. e dedicado no verso (1992)Vaso verde com flores do campo, 1992

Carlos Bracher (Brasil, 1940)

óleo sobre tela, 81 x 60 cm





Nossas cidades: Mariana

28 09 2015

 

 

Cassio Antunes, Rua Direita em dia de Chuva - Mariana, OSP, 24x30, ACID, 2015Rua Direita em dia de chuva, Mariana, 2015

Cássio Antunes (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre madeira, 51 x 60 cm





Domingo, um passeio no campo!

30 08 2015

 

 

FUNCHAL GARCIA - Paisagem Interior de Floresta, pintura a óleo sobre tela, med. 55 x 66cmPaisagem no interior da floresta

Funchal Garcia (Brasil, 1889-1979)

óleo sobre tela, 55 x 66 cm





Flores para um sábado perfeito!

22 08 2015

Del Pino (Brasil, MG, 1907-198)- Vaso de Flor, ost, 70x60 cmVaso com flores

Délio Del Pino (Brasil, 1907-1985)

óleo sobre tela, 70 x 60 cm





Paulo e Virgínia… um romance inesquecível…

18 08 2015

 

704_001História de Paulo e Virgínia em Postais

Data: 1888 — Liebig Company, Bélgica

 

 

Por vezes me perguntam se escolho primeiro a imagem ou o texto.  Não há regra… É uma questão de associações, de imagem puxando imagem.  Como neste caso aqui.  Há algum tempo selecionei um trecho de Pedro Nava, do primeiro volume de suas memórias, Baú de Ossos.  O trecho ficou gravado entre as minhas “seleções” — uma coisa meio século XIX que vez por outra alimento — : um caderno com passagens preferidas de textos.  É claro que com Pedro Nava corri sempre o risco de selecionar quase todos os seis volumes de suas memórias, tal a riqueza de sua prosa.  Passou o tempo.  De repente, procurando na internet por imagens que nada tinham a ver com as que coloquei acima, me encantei com a seleção de postais belgas retratando a história de Paulo e Virgínia.  Uma breve pesquisa me levou a procurar o texto selecionado e …Voilà, temos uma postagem por associação.  Mas o intervalo entre texto e imagem pode ser longo…

 

“Ai! de mim, que mais cedo que o amigo também abracei a senda do crime e enveredei pela do furto… Amante das artes plásticas desde cedo, educado no culto do belo pelas pinturas das tias, das primas e pelas composições fotográficas do seu Lemos, amigo de meu Pai — eu não pude me conter. Eram duas coleções de postais pertencentes a minha prima Maria Luísa Paletta. Numa, toda a vida de Paulo e Virgínia — do idílio infantil ao navio desmantelado na procela. Pobre Virgínia, dos cabelos esvoaçantes! Noutra a de Joana d’Arc, desde os tempos de pastora e das vozes, ao das cavalgadas com suas hostes e à morte sobre a fogueira de Ruão. Pobre Joana, dos cabelos em chama! Não resisti. Furtei, escondi e depois de longos êxtases, com medo, joguei tudo fora. ”

 

Em: Baú de Ossos: memórias, Pedro Nava, Rio de Janeiro, Sabiá: 1972, p. 272.





Flores para um sábado perfeito!

11 07 2015

 

 

Yara tupinambá, vaso com sacada de minas,2010, ase, 40 x 30 cmVaso de flores em sacada de Minas, 2010

Yara Tupynambá (Brasil, 1932)

acrílica sobre placa de eucatex,  40 x 30 cm





Nossas cidades — Matias Barbosa

8 06 2015

 

 

JOSE MORAES (Rio 1921 - 2003 São Paulo) - Paisagem de Matias Barbosa, O.S.T, assinado no canto inferior esquerdo e datado de 1948, med 38 x 46 cmPaisagem de Matias Barbosa, 1948

José Moraes (Brasil, 1921-2003)

óleo sobre tela, 38 x 46 cm





A missa da Capela Imperial, texto de Paulo Setúbal

4 06 2015

 

 

BRENNO TREIDLER - Rua Primeiro de Março, RJ, 1895 - aquarela - 23,3 x 35Rua Primeiro de Março, RJ, 1895

[Capela Imperial, antiga Sé, à direita]

Benno Treidler (Alemanha/Brasil, 1857-1931)

Aquarela sobre papel, 23 x 35 cm

PESP [Pinacoteca do Estado de São Paulo]

 

 

“A Capela Imperial… Ah! a mais bela coisa do Rio de Janeiro, nos começos do século passado, foram, sem dúvida alguma, as solenidades da famosa Capela. D. João VI, curiosa mistura de Rei e de frade, mandou decorá-la suntuosamente. Vieram trabalhar nela os nomes mais brilhantes da época. José de Oliveira pintou as paredes. Manuel da Cunha, o teto. Raimundo da Costa e Silva, a “Ceia”. E José Leandro, o célebre José Leandro, figura culminante do tempo, a grande tela do Altar-Mor. D. João VI, como todos os Braganças, adorava as pompas religiosas. Com generosidade de nababo, gastando às mãos cheias, el-Rei mandava buscar na Europa artistas reputadíssimos, compositores e músicos, castrati de larga fama, a fim de abrilhantar com eles as festas de sua Capela. Naquele recinto, com efeito, nos dias de gala, fremiu muita vez o gênio do padre José Maurício. Flamejou o talento magnífico de Neukomm. Ecoou a larga inspiração de Marcos Portugal. Ali, nas grandes cerimônias da religião, retumbou muita vez a voz de Mazziotti e de Tanners, os dois famosos contraltos italianos. Ali foram admirados e louvados, com grande entusiasmo para o bairrismo dos brasileiros, o tenor Cândido Inácio, que era a mais doce e a mais sonora garganta de Minas, assim como o baixo João dos Reis, cuja voz poderosa, da mais larga ressonância, fazia tremer nos caixilhos as vidraças da Capela.

Havia, portanto, razões de monta, e de sobejo, para que D. Domitila de Castro ansiasse por assistir à missa de domingo. O que mais a seduzia, porém não era, seguramente, o ir ver, entre os entalhes dourados da Capela, os painéis de José Leandro; nem escutar a música do padre mulato que enchia a Corte com a fama de seu gênio; nem tampouco ouvir a flamância de Mont’Alverne,o apregoado orador franciscano, cuja glória, que subira tão alto, começava então a crescer. O que a seduzia, o que a espicaçava mais agudamente, tornando-a tão alvoroçada por assistir àquela missa era poder — enfim um dia! — contempla a Corte bem de perto, misturar-se com orgulho às Damas do Paço, roçar por entre aquelas fidalgas emproadas, e mostrar, do alto de uma tribuna, acintosamente, as graças e os feitiços de sua mocidade e do seu fascínio.

Ah! Os requintes que pôs a perturbante senhora em se alindar para tão suspirado triunfo! As águas de cheiro! Os pós de França! As luvas de doze botões! O leque de marfim e ouro! Madame de Saissait, a modista francesa da rua do Ouvidor, preparou-lhe um vestido ousadamente bizarro, à Zamperini, moderníssimo, cor de cenoura, de corpete muito teso, com imensa e donairosa sobre-saia, caindo em ondas largas, bordado a fio de prata. E que apuro de detalhes… Desde o penteado alto, com o trepa-moleque de safiras, até o escarpim pequenino, de fivela dourada, tudo nela era encantador. E quando, diante do toucador, depois de empoada e perfumada, a cintilar de joias, D. Domitila se remirou no seu espelho de Veneza, correu-lhe a epiderme um arrepio voluptuoso, seus lábios sorriram o sorriso da vaidade. Estava magnífica! Olhos úmidos e negros, boca sangrenta, talhe ondeante, todo pluma, aqueles vinte e quatro anos, quentes, sazonados, irradiavam frescura e trescalavam juventude. “

 

Em: A Marquesa de Santos, romance histórico, Paulo Setúbal, Rio de Janeiro, Cia Editora Nacional: 1984, 12ª edição, pp, 76,77. Originalmente publicado em 1925.