Jovem irlandesa lendo
Daryl Rex Price (Nova Zelândia, contemporâneo)
óleo
Jovem irlandesa lendo
Daryl Rex Price (Nova Zelândia, contemporâneo)
óleo
Retrato de Mikhail Konchalovsky, filho do artista sentado numa poltrona, 1921
Petr Konchalovsky (Rússia, 1876 – 1956)
óleo sobre tela, 119 x 140 cm
Duas lendo
Maurice Asselin (França, 1882-1947)
óleo sobre tela, 96 x 94 cm
Cheltenham Art Gallery & Museum, Grã-Bretanha
Hora de lazer
Christine Reilly (Austrália, contemporânea)
óleo e acrílica sobre tela, 50 x 60 cm
Sem título, c. 1940
Roberto Burle Marx (Brasil, 1909-1994)
óleo sobre madeira, 96 x 45 cm.
Leitura, 1906
Armand Rassenfosse (Bélgica, 1862-1934)
óleo sobre papelão, 35 x 26 cm
Norberto Morais
Paisagem com igreja
Carlos Prado (Brasil, 1908-1992)
óleo sobre madeira, 48 x 69 cm
Uma grande e boa surpresa me esperava em maio deste ano: O pecado de Porto Negro do escritor português Norberto Morais. Não me lembro de quem o recomendou. Mas agradeço a sugestão. Encontrei um livro de excelente qualidade literária, com enredo sedutor, personagens intrigantes e uma trajetória impensada. Tudo isso num mundo arquétipo do colonialismo lusitano que entendemos pela familiaridade cultural. Sua localização tão real que fui procurar a ilha no Pacífico, chamada São Cristóvão. Onde poderia haver tal lugar? Fui aos mapas, mesmo sabendo que as conquistas portuguesas nunca chegaram a terras banhadas por este oceano. Maravilhada até o fim fico surpresa que, finalista do prêmio Leya em 2013, este livro não tenha sido o premiado.
Além de Porto Negro ser uma cidade estabelecida e enraizada no imaginário luso-colonial, sua descrição parece tão familiar que entendemos as razões de seus personagens, por mais estranhas que possam ser, sem que questionemos da validade de suas posições. Além disso, há a fascinante questão da época. Quando exatamente esta história se passa? Acredito que tenha sido nas primeiras duas décadas do século XX. Mas o resultado, como em toda boa obra é irrelevante. A obra é atemporal. Trata das histórias de seres humanos como todos nós com paixões e idiossincrasias. É universal.

Norberto Morais conta a história de algumas paixões entre habitantes de uma ilha esquecida pela modernidade. Há o homem sedutor, a mocinha seduzida, o bordel, o pai, a mãe calada e morta; há o açougue, a rede, o calor, a hora da sesta. O mal-de-amor. A praia. O porto. Outras paixões, a inveja, a Igreja, a intransigência, a vingança. E há sobretudo o Silêncio. Falar de silêncio numa obra com um vocabulário, um léxico formidável não é contradição, porque Norberto Morais domina desde o primeiro instante esta história com poucos personagens e uma trama bem tecida, fechada e densa, que surpreende a cada momento.
Norberto Morais
Para muitos, sua prosa lembra a de Garcia Marquez pelo onírico ou a de Eça de Queiroz pela limpidez do texto. Encontrei ecos de Eça e de Jorge Amado, de Gabriela e Capitães de Areia. Qualquer que seja a referência, fato é que Norberto Morais, que nasceu na Alemanha, mas é escritor português, se encontra bem enraizado na tradição literária da língua e da cultura portuguesas. Não há como negar. Belíssimo livro. Não é sua primeira obra, vou agora à cata de seu primeiro título. Esse é um autor para não perder de vista.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
Mulher lendo, 1962
[Esposa do pintor]
Aaron Shikler (EUA, 1922 – 2015)
Pastel sobre papelão, 50 x 44 cm
Leitura
Carl Theodor von Blaas (Áustria, 1886-1960)
óleo sobre tela
Mulher de branco
Pierre Lefebvre (Canadá, 1954)
óleo sobre placa, 100 x 80 cm