Lendo: “Amantes modernos”, Emma Straub

10 02 2018

 

 

 

DSC03732Amantes modernos

Emma Straub

Rocco: 2018: 384 páginas

 

SINOPSE

Autora, entre outros, de Os Veranistas, também publicado no Brasil pela Rocco, e colaboradora de veículos como Vogue e The New York Times, Emma Straub coleciona elogios pela forma sensível e bem-humorada com que esquadrinha o cotidiano e as relações amorosas e familiares no mundo atual. Em Amantes modernos, Andrew, Elizabeth e Zoe se conhecem desde a faculdade, época em que tinham uma banda e muitos sonhos. De lá pra cá, eles se casaram – Elizabeth com Andrew, Zoe com Jane – e deram início a negócios e famílias, sempre fazendo de tudo para agarrar-se à identidade da juventude. Mas é no verão em que seus filhos estão prestes a entrar na faculdade e decidem ir para a cama juntos que estes amigos de longa data colocam seus próprios passados em perspectiva e se dão conta de que a idade finalmente chegou, e é preciso passar o bastão para a geração seguinte





“Os livros de amor”, texto de Luís Sepúlveda

8 02 2018

 

 

 

Ferdinand Hodler - Reading priestPadre lendo

Ferdinand Hodler (Suíça, 1853-1918)

óleo sobre tela, 71 x 51 cm

 

 

“O livro nas mãos do padre foi como isca para os olhos de Antonio José Bolívar. Pacientemente, esperou até que o padre, vencido pelo sono, o deixasse cair de um lado.

Era uma biografia de são Francisco, a qual ele examinou furtivamente, sentindo que ao fazê-lo cometia um pequeno roubo.

Juntava as sílabas, e à medida que o fazia, o desejo de compreender tudo o que havia naquelas páginas o levou a repetir a meia voz as palavras capturadas.

O padre despertou e observou, divertido, Antonio José Bolívar com o nariz metido no livro.

— É interessante? — perguntou.

— Desculpe, eminência.  Mas eu o vi dormindo, e não quis incomodá-lo.

— Interessa-lhe? — repetiu o padre.

— Parece que fala muito de animais — respondeu timidamente.

— São Francisco amava os animais. Amava todas as criaturas de Deus.

— Eu também gosto deles.  À minha maneira. O senhor conhece são Francisco?

— Não.  Deus me privou de tal prazer. São Francisco morreu há muitíssimos anos. Quer dizer, deixou a vida terrena e agora vive eternamente junto ao criador.

— Como sabe disso?

— Porque li o livro. É um dos meus preferidos.

O padre enfatizava suas palavras acariciando a rafada brochura. Antonio José Bolívar o olhava enlevado, sentindo a coceira da inveja.

— O senhor leu muitos livros?

— Uma porção. Antes, quando ainda era jovem e meus olhos não se cansavam, devorava toda obra que parasse em minhas mãos.

— Todos os livros tratam de santos?

— Não. No mundo há milhões e milhões de livros. Em todas as línguas, e abrangem todos os temas, inclusive alguns que deveriam estar proibidos aos homens.

Antonio José Bolívar não entendeu aquela censura e continuou com os olhos cravados nas mãos do padre, mãos gorduchas, brancas sobre a brochura escura.

— De que falam os outros livros?

— Já lhe disse. De todos os temas. Há livros de aventuras, de ciência, histórias de seres virtuosos, de técnica, de amor…

O último interessou-lhe. Conhecia do amor aquilo que ouvia nas canções, especialmente nos pasillos cantados por Jurito Jaramillo, cuja voz de guaiaquilenho pobre às vezes escapava de um rádio de pilhas tornando os homens taciturnos. Segundo os pasillos, o amor era como uma picada de um inseto invisível, mas procurado por todos.

— Como são os livros de amor?

— Temo que não possa lhe falar disso. Não li mais que  um par.

— Não importa. Como são?

— Bem, contam a história de duas pessoas que se conhecem, se amam e lutam para vencer as dificuldades que os impede de ser felizes. ”

 

Em: Um velho que lia romances de amor, Luís Sepúlveda, tradução de Josely Vianna Baptista, São Paulo, Editora Ática: 1995, pp 42-43.

 





“A magia das palavras”, Hanif Kureishi

5 02 2018

 

 

(ilustración de Duy Huynh)Ilustração de Duy Huynh.

 

 

 

“Mamoon sempre se preocupou com a tarefa quase impossível de usar palavras reais para descrever coisas invisíveis. Você e eu sabemos que a linguagem é o único encantamento que existe. A magia alternativa — feitiços, cristais, lâmpadas para esfregar, tudo isso não passa de doces futilidades.”

 

 

Em: A última palavra, Hanif Kureishi, São Paulo, Cia das Letras:2016, p.254





Palavras para lembrar — Markus Herz

30 01 2018

 

 

 

ButtoSaturno-Lettrice-LeyendoLeitora

Saturno Buttò (Itália, 1957)

óleo sobre tela

 

 

“Cuidado ao ler livros sobre saúde. Um dia você morre por erro de impressão.”

 

 

Markus Herz

 





Lendo: “O círculo dos Mahé” de Georges Simenon

27 01 2018

 

 

 

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LENDO:

O círculo dos Mahé
George Simenon
Cia das Letras: 2017, 128 páginas

SINOPSE

Aos trinta e cinco anos, casado e com dois filhos, o dr. François Mahé ainda mora com a mãe e leva uma típica vida pequeno-burguesa. Certo verão ele decide ir com a família à ilha de Porquerolles, no sul da França. No entanto, um constante mal-estar o impede de desfrutar o paraíso mediterrâneo. Ao ser chamado para examinar uma mulher no leito de morte, o médico se vê entre uma família humilde e fica fascinado pela mais velha dos três filhos, uma jovem muito magra que usava um vestido vermelho. Começa então uma história de obsessão e crise profunda, e somos levados pela jornada sombria da alma do protagonista. A morte da mãe também abalará as estruturas do dr. Mahé e, com o passar do tempo, ele será impelido a retornar à ilha mediterrânea ano após ano, como que hipnotizado pela garota. Com sua prosa enxuta e fluente, Simenon faz um retrato soturno da psique de um homem medíocre que vislumbra uma alternativa à banalidade, mas sofre para conseguir alcançá-la.





Palavras para lembrar — Jane Austen

27 01 2018

 

 

 

WILLIAM MULREADYUma leitura ao pé do fogo

William Mulready ( GB, 1786 – 1853)

óleo sobre madeira, 37 x 30 cm

 

 

 

“A pessoa que não sente prazer com um bom romance, seja cavalheiro ou dama, só pode ser intoleravelmente estúpida.”

 

Jane Austen





Lendo: “Homo Deus”, Yuval Noah Harari

22 01 2018

 

 

DSC03719.JPGLendo:

Homo Deus: uma breve história do amanhã

Yuval Noah Harari

Cia das Letras: 2016, 448 páginas

 

SINOPSE

Neste “Homo Deus”: uma breve história do amanhã, Yuval Noah Harari, autor do estrondoso best-seller Sapiens: uma breve história da humanidade, volta a combinar ciência, história e filosofia, desta vez para entender quem somos e descobrir para onde vamos. Sempre com um olhar no passado e nas nossas origens, Harari investiga o futuro da humanidade em busca de uma resposta tão difícil quanto essencial: depois de séculos de guerras, fome e pobreza, qual será nosso destino na Terra? A partir de uma visão absolutamente original de nossa história, ele combina pesquisas de ponta e os mais recentes avanços científicos à sua conhecida capacidade de observar o passado de uma maneira inteiramente nova. Assim, descobrir os próximos passos da evolução humana será também redescobrir quem fomos e quais caminhos tomamos para chegar até aqui.





Lendo: “Um velho que lia romances de amor”, Luís Sepúlveda

18 01 2018

 

 

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LENDO:

Um velho que lia romances de amor
Luís Sepúlveda
Ática: 1995, 94 páginas

SINOPSE:

O primeiro e mais premiado romance do chileno Luis Sepúlveda está de volta, após ser traduzido em inúmeros países. O autor baseia-se em sua experiência na Amazônia para contar a história de Antônio Bolívar, um homem que vai viver com a mulher na maior floresta tropical do mundo e aprende que a vida na selva não é para qualquer um. Ao sentir necessidade de se transportar para um universo idílico, longe da cruel realidade da vida, Antônio passa a se interessar por romances de amor.





Haruki Murakami e a leitura

18 01 2018

 

 

Linda Apple (EUA, contemp)Momento à sós, 2010, ost, 20 x 20 cmMomento à sós, 2010

Linda Apple (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela, 20 x 20 cm

 

 

“Assim, dos vinte aos trinta anos trabalhei duro de manhã até a noite e todo o meu tempo era utilizado para conseguir pagar  as dívidas. Quando me lembro dessa época, só me vem à cabeça que eu trabalhei muito. Imagino que a vida das pessoas normais na casa dos vinte seja mais divertida, mas quase não tive condições de aproveitar a juventude por falta de tempo e dinheiro. Mas mesmo nessa época eu lia livros sempre que conseguia. Por mais que estivesse ocupado, por mais que a vida fosse difícil, a leitura continuou sendo uma grande alegria para mim, assim como a música. Ninguém podia tomar de mim essa alegria.”

 

 

Em: Romancista como vocação, Haruki Murakami, tradução: Eunice Suenaga, Alfaguara: 2017, p.24.





Palavras para lembrar: Haruki Murakami

14 01 2018

 

 

 

Leisure afternoon A good book Richard Boyer living in Salt Lake City (Utah), USA,Boyer+-+Studies+16x12Estudos

Richard Boyer (EUA, contemporâneo)

óleo sobre tela, 40 x 50 cm

 

 

“Todos os escritores têm o direito de experimentar as possibilidades da língua através de todas as formas imagináveis e ampliar ao máximo o limite da sua eficácia. Sem esse espírito aventureiro, nada de novo será criado.”

 

Haruki Murakami