Imagem de leitura — Jacques-Emile Blanche

30 06 2010

Mulher que lê, c. 1890

Jacques-Émile Blanche ( França 1861-1942)

Óleo sobre tela

Jacques-Émile Blanche nasceu em Paris em 1861 numa família abastada, seu pai era um famoso patologista.  Estudou com o pintor Henri Gervex e Jacques-Fernand Humbert  mas por pouco tempo.  A partir de 1884 o jovem pintor faz várias viagens a Londres absorvendo com gosto a arte de Whistler e Sickert.  A partir de 1887 ele começa a expor regularmente no New English Art Club.  Desenvolveu um estilo próprio e pode ser considerado um pintor autodidata.   Ficou famoso por seus retratos.  Influenciado por ambas escolas francesa e inglesa, e por ter acesso ao meio artístico nos dois  países, tornou-se um dos retratistas favoritos das celebridades de um lado e do outro do Canal da Mancha, reconhecido por ser dono de um estilo bem refinado, elegante e muito próprio.  Morreu em Offranville, nos Alpes Marítimos, em 1942.





Fal Azevedo assombra em Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite

24 06 2010

Vaso com flores, 1988

Fang (China/Brasil, 1931)

gravura, 48 x 58 cm

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Tenho um fraco por esculturas.  Num seminário em história da arte, há muitos anos, escrevi um artigo sobre o uso do espaço vazio, do vão, digamos assim, como parte vibrante das esculturas de Henry Moore e Giacometti: no trabalho de ambos e de maneiras diferentes, o que não está presente, o buraco (em Henry Moore) ou o espaço à volta (em Giacometti)  tem uma função tão grande, tão intensa que faz parte da escultura que vemos, que analisamos, com o mesmo peso que as formas do bronze que nos fascinam.  Este é o vazio positivo, sentido mas não visto, que conta com o ausente, tanto quanto com o que está exposto.  Pensei nesse artigo, enquanto lia o romance de Fal Azevedo, Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite, Rocco: 2008.  Nele, o que não é dito, conta.  Fala.  Nos move e comove.  A eloquência desses pequenos silêncios  pode ser vista no minúsculo parágrafo, que cito aqui por inteiro:

O gato amarelo veio fumar comigo.  Ele morde meu dedão, charmosa tentativa de me convencer de ir até a cozinha.  A coisa mais fofa nesse gato é que, quando eu choro, ele apoia a  pata no meu rosto.  Como agora.”

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O texto segue, com outro assunto, com outro momento.

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Quantas vezes ela precisou chorar para perceber esse comportamento do gato?  Por que chorava?   O conforto de um gato seria o único conforto dado à autora dessas frases?   Não sabemos, não nos é explicado.  Passamos rapidamente para o assunto seguinte.  A vida é curta.  Há muito acontecendo.  O peso do passado também assombra.  No entanto, o sofrimento implicado pelo texto fala alto.  E nos cala.  Fal Azevedo trabalha com a elipse, a omissão do sentimento retratado,  assim como Henry Moore trabalhava com um buraco no meio do corpo de uma mulher reclinada.   Tanto em um como no outro, cabe ao leitor/observador fazer a conexão, participando ativamente do encontro.   Envolvendo-se.   O resultado sedutor, mostra um texto, que carregado de tristeza, consegue ser leve, irônico e muito, muito agradável.

Figura reclinada, década de 1980

Henry Moore ( Grã-Bretanha 1898-1976)

Litografia

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Presenciamos nesse romance a chegada de Alma, personagem principal, à segunda metade de sua vida.  Aos 44 anos, já viveu muitas vidas e mortes.  Homeopaticamente conhecemos um pouco destes eventos através de lembranças doloridas, de cicatrizes mal curadas.  Tudo é passado a limpo: as dezenas de passados, as dúzias de vidas.  Alma escrupulosamente exorciza seus fantasmas e nos lembra dos nossos.  É impossível não ter empatia.  É impossível ignorarmos a nós mesmos.  O que lhe vem à mente, chega em pequenos parágrafos, camafeus de potencialidades perdidas, nódoas de sofrimento físico e emocional do passado que ajudam a caracterizar o dia a dia de um tempo mais atual, que também presenciamos.  Estes são quase entradas em um diário, que têm, como pano de fundo, o passado.  O estilo é sucinto.  Twitter sucinto.  A cada parágrafo um tempo, uma realidade.  E sempre, sempre a angústia das vidas vividas.  O medo.  A dor.  A consciência da solidão.  

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 De grande auxílio é o formato do texto: intercala o tempo mais contemporâneo com as lembranças do passado, em diferentes parágrafos.  Cada qual tem sua própria aparência gráfica, o que facilita o entendimento da trama.  Este artifício simplifica e esclarece também um quase fluxo de consciência que nos permite conhecer Alma intimamente.   Conhecemos os eventos.  Imaginamos as emoções.

Apesar da tristeza latente, das dores auto-geradas e das auto-impostas, das frustrações e  sofrimentos dessa mulher, uma artista plástica em busca de uma identidade profissional, esse romance é repleto de otimismo, de gosto pela vida e de humor.  Oferece então, ao leitor,  uma válvula de escape e um ponto de apoio nas lutas diárias pela sobrevivência física e emocional.  Sem ser piegas, sem ser auto-ajuda essa história nos força a refletir sobre a nossa própria existência e nas ramificações dos nossos atos.  

  

Fal Azevedo

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Eu poderia continuar nesse tópico por muito tempo.  De especial ironia são as cenas e os pensamentos na galeria de arte.  Tão real…  Mas quem não gostaria de ter os amigos de Alma como amigos?  E de receber emails tão precisamente relevantes quanto ela?  Tão irônicos e concisos?  E quem não gostaria de ter como vizinho um Seu Lurdiano, que como um anjo da guarda, alimenta sua amiga com comida do corpo e da alma?  Quem não gostaria de um amigo com quem se pode ficar calado por algumas horas na mais perfeita intimidade?

Mas nenhum desses amigos, nenhum desses emails, se os tivéssemos, nada,  conseguiria dar ao leitor o prazer desse texto e os parâmetros para a auto-reflexão que esse livro consegue gerar.  Aqui fica a sincera recomendação para a leitura desse pequeno mundo mágico de Alma.  Um dos melhores livros que li em 2010 e certamente um dos mais interessantes livros que li de autor brasileiro há muito, muito tempo.  Não percam.





Imagem de leitura — Paul-Michel Dupuy

10 06 2010

Maré baixa, praia de Villeria, s/d

Paul-Michel Dupuy ( França 1864-1949)

Óleo sobre tela, 58 x 79 cm

Coleção Particular

Paul-Michel Dupuy nasceu em Pau (Basses-Pyrenées) em 1869.  Foi um pintor frances dedicado às paisagens, à pintura de gênero e ao retrato de belas mulheres e crianças em cenas ensolaradas.  Estudou com Bonnat e Maignan e tornou-se membro da Sociedade de Artes Francesas em 1899.  Participou do Salon des Artistes Français, ganhando a medalha de ouro em 1901 e 1902.  Ainda ganhou muitas outras honrarias através de sua longa carreira, culminando com o Cavaleiro da Legião de Honra em 1833.   Muitos de seus trabalhos estão no Museu de Rheims, na França.





Os primeiros livros, poema de Bastos Tigre

9 06 2010
O livro do ABC, 1943, ilustrado por Ethel Hays ( EUA 1892-1989).

Os primeiros livros

                                                                                       Bastos Tigre

Um livro: — um lindo brinquedo

Que Bebê fica a mirar:

Cada página é um segredo

          A desvendar.

 

Livro de folhas escritas

E ilustradas — mais de cem!

Quantas histórias bonitas

          Ele contém!

 

Figuras de vivas cores,

Lindamente combinadas:

Casas, bichos, frutas, flores,

          Bruxas e fadas…

 

E a explicação disso tudo

Em grandes letras impressas!

Bebê, radiante no estudo,

          Firme, começa!

 

Essas letras, essas frases

Têm tais sentidos ocultos,

Que entender não são capazes

          Doutos adultos.

 

É preciso ter cinco anos

— E nem todo mundo os tem —

Para poder tais arcanos

          Penetrar bem.

 

Por leitura eu não entendo

O que eu faço e faz qualquer,

As letras do que está lendo

          Sem ver sequer.

 

Bebê cada letra estuda,

Em cada sílaba atenta,

Franzindo a testa sisuda,

          Descobre, inventa,

 

 Decifra um novo mistério

A cada voz que enuncia

Que estudo não há mais sério,

          De mais valia.

 

E é de notar-se o ar solene

Com que as silabas lê:

Já não confunde o “m” e o “n”,

          O “p” e o “q”…

 

Ei-lo que as letras combina,

Forma os sons e, num momento,

Vai-lhe a frase, da retina

          Ao pensamento.

 

Maravilha do alfabeto

Que dos arranjos de traços

Faz surgiur a idéia, o objeto!

          Novos espaços.

 

Abre à razão ignorante,

Dá-lhe asas de luz e a eleva,

Radiosa, para o levante,

          Longe da treva!

 

Que humano invento o suplanta?

Só um Deus pudera, em verdade,

Tal grandeza por em tanta

          Simplicidade.

 

Vendo-o tão simples, dir-se-ia

— Do nada tão pouco além…

Que humana sabedoria

          Do nada vem…

 

Quase-nada, gérmen ovo,

Do saber, célula mater,

Sem ele não tem um povo

          Alma, caráter…

 

                          ***

 

Mas Bebê quer tudo feito

Depressa; e anseia por ciência!

(Não é seu menor defeito

          O da impaciência).

 

E, antes que os frutos recolha

Da cultura, ah, quem dissera!

Todo o livro, folha a folha,

          Zás, dilacera!

 

 

 

Em: Meu bebê: poesias líricas ( Poemas da primeira infância), 1925. [Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras].





Leitura aumenta graças à Copa!

18 05 2010

 

A Copa do Mundo fez crescer o volume de lançamentos de livros relacionados ao esporte no Brasil. De olho nos leitores fanáticos por futebol, editoras lançaram no mercado mais de dez títulos ligados ao tema, que tratam desde listas de melhores atletas até dados históricos, apostando que a empolgação com a proximidade do torneio também impulsione as vendas. E os resultados já começam a aparecer: só nas lojas da Livraria Cultura foi registrado um aumento de 460% nas vendas de títulos relacionados a futebol no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, e a perspectiva é de que as vendas aumentem ainda mais com a proximidade do torneio.

O mercado editorial evoluiu bastante no que se refere a futebol. A Copa é uma efeméride e atrai interesse de obras sobre as seleções, especialmente. Antes não vendia porque fazia-se livros sobre futebol voltado para antropólogos, filósofos, acadêmicos de modo geral. Hoje fazemos livros voltados para torcedores, e nossos números não param de crescer“, afirma Pedro Almeida, publisher da Editora Lua de Papel.

A mais ativa dentre as editoras que decidiram apostar na Copa do Mundo foi a Contexto. Ao todo, nove volumes foram colocados no mercado pela empresa. Seis livros fazem parte de uma coleção intitulada “Os Onze Maiores do Futebol Brasileiro” – técnicos, goleiros, laterais, volantes, camisas 10 e centroavantes. Entre os autores estão jornalistas esportivos de renome, como Milton Leite, Marcelo Barreto e Sidney Garambone. De acordo com a editora, a ideia foi contar com jornalistas conhecidos para chamar a atenção dos leitores. Outros dois livros lançados pela editora também prometem levantar discussões: “As Melhores Seleções Brasileiras de Todos os Tempos” e “As Melhores Seleções Estrangeiras de Todos os Tempos“.

Contudo, o livro da Contexto que, embora trate de futebol, extrapolou o foco de livro de História foi “O Futebol Explica o Brasil: Uma História da Maior Expressão Popular do País“, do jornalista Marcos Guterman. A obra trata da ligação do esporte com a sociedade brasileira, desde a chegada ao País pelas mãos (e pés) de Charles Muller até a Copa de 2002 e teve como base a tese de mestrado apresentada por ele. “O livro foi lançado em novembro justamente para escapar do rótulo de lançamentos da Copa, mas entrou no pacote da editora por causa do mundial. Hoje ele é encontrado na prateleira de esportes, mas ele é um livro de História“, conta Guterman.

Grande parte dos lançamentos nessa véspera da Copa do Mundo trata, no entanto, sobre a história do evento. E nenhum dos livros lançados atingiu a profundidade que “O Mundo das Copas“, do jornalista Lycio Vellozo Ribas, conseguiu. Em uma obra de mais de 600 páginas, ele traz uma verdadeira enciclopédia sobre a competição, com fichas técnicas e textos sobre todos os jogos da história do torneio, iniciada em 1930, além de resultados de eliminatórias, curiosidades e estatísticas sobre todos os atletas que já participaram da mais importante festa do futebol. “Cada Copa é influenciada por tudo o que acontece ao redor, então também cito fatores extracampo, como política“, explica.

Entre os livros sobre futebol, o de Ribas vem obtendo os melhores resultados de vendas nas livrarias. “Nossa ideia era de fazer um produto numa tiragem limitada, visto que se trata de uma obra para venda num período curto, de pouco mais de 70 dias. E enfrentamos outro dilema: trabalhar com um preço bem acessível. Assim, tivemos de encarar uma edição gigante, de 30 mil exemplares. Ficamos apreensivos no lançamento, mas na segunda semana percebemos que tínhamos acertado nas apostas de tiragem e preço. Mais de 70% da tiragem já está vendida“, conta Almeida, da Lua de Papel, responsável pela publicação de “O Mundo das Copas“.

O sucesso já faz a editora pensar em lançar uma segunda edição ao fim da Copa da África, atualizada com o que ocorrer na competição. Ribas, que também mantém um blog para promover o livro, já está trabalhando na atualização. “Mas, se o Brasil for mal na Copa, pode diminuir o interesse dos leitores“, admite.

Outra editora que também está apostando em livros sobre a história das Copas do Mundo é a Panda Books, que lançou no mercado duas obras por conta da competição: “Os 55 Maiores Jogos das Copas do Mundo“, de Paulo Vinícius Coelho, e “A História das Camisas de Todos os Jogos das Copas do Mundo“, do jornalista Rodolfo Rodrigues, do colecionador e administrador Paulo Gini e do ilustrador Maurício Rito – um livro com desenhos e histórias dos uniformes que cada seleção usou em jogos de Mundiais. Já a editora Girassol aposta no livro “A História da Copa do Mundo“, oficial da Fifa, que tem como diferencial a capa em formato e com textura de bola de futebol.

Os bons números de vendas e a empolgação dos torcedores ajuda, assim, a reforçar o mercado de publicações sobre futebol no País. “Na Europa sempre se vendeu mais livros sobre futebol, mas nosso mercado cresceu muito nos últimos anos e hoje conseguimos colocar livros sobre futebol nas listas de mais vendidos, o que não tem acontecido por lá“, conclui Almeida.

 

MÁRIO SÉRGIO LIMA, COM COLABORAÇÃO DE WLADIMIR D’ANDRADE – Agência Estado




Onde estão os críticos e teoristas da literatura?

9 05 2010
Ilustração: Donald e Margarida numa galeria de arte, Walt Disney.

Há duas semanas uma grande controvérsia foi iniciada na página literária Prosa e Verso do jornal O Globo, quando Flora Süssekind, em 24 de abril de 2010, escreveu um artigo de duas páginas “A crítica como papel de bala” fazendo observações não muito generosas ao pensamento crítico literário cá pelas nossas bandas.  Como sou nova no pedaço,  tenho me distraído muito com as diversas reações ao artigo, que aparentemente se dividem ao longo de diferentes correntes da crítica.  Em qualquer campo de trabalho há sempre líderes e seguidores.  E aqueles que se dividem de acordo com seus interesses mais próximos.  Mas confesso que há poucas áreas tão férteis para desavenças imateriais quanto as humanidades.  Às vezes chego a me encabular com a mesquinharia de muitos.   Meu marido, que como eu, sempre trabalhou no campo humanístico, repete ocasionalmente um provérbio que se tornou auto-explicativo, que corria na faculdade em que ele ensinava literatura: “quanto menor o valor do que está sendo discutido, maiores as paixões”.

Não tenho preparo, conhecimento, nem interesse de entrar nessa briga de “cachorros grandes”,  de críticos, resenhistas, pesquisadores e pensadores brasileiros.  Achei, no entanto, muito interessante – para a gente ver como é Zeitgeist – o espírito do tempo – que dois dias depois [26/04/2010], saísse publicado no The Chronicle of Higher Education, um artigo Onde estão os críticos/teoristas da literatura? com a intenção de escarafunchar ainda mais um outro aspecto da crítica literária, dessa vez considerando o que acontece nos EUA.

Traduzo livremente do artigo na internet:

Onde estão os críticos/teoristas da literatura?

Mark Bauerlein

Os cursos superiores de literatura fazem a maior parte das humanidades, mas quando se fala de pesquisa nas humanidades, os pensadores literários e teoristas e críticos e pesquisadores são sistematicamente deixados de lado, e são considerados  pensadores de outras áreas  — filosofia, lingüística, psicologia, antropologia.

 

Esta conclusão pode ser feita através da lista compilada pela ISI Rede de Ciência e publicada no Suplemento do Times Higher Education.  Nela, autores são listados de acordo com o número de citações que seus livros receberam nas pesquisas , das humanidades, durante o ano de 2007.  (Nota: há uma certa ambigüidade entre o título e a descrição na listagem, e não fica claro se esta lista se aplica somente às humanidades ou não.  Cada um dos nomes foi citado pelo menos 500 vezes.

 

Abaixo vemos a lista dos autores que conseguiram mais de 1000 citações:

 

Michel Foucault (1926-1984) Filosofia, sociologia, crítica        2,521      

Pierre Bourdieu (1930-2002) Sociologia       2,465     

Jacques Derrida (1930-2004) Filosofia       1,874   

Albert Bandura (1925- ) Psicologia        1,536      

Anthony Giddens (1938- ) Sociologia       1,303    

Erving Goffman (1922-1982) Sociologia      1,066     

Jurgen Habermas (1929- ) Filosofia, sociologia        1,049

 

Nenhum critico literário no grupo.  Na verdade, a lista inteira, que contem 37 pessoas, cujos últimos nomes são os de Marx e Nietzeche, tem só um crítico literário/pesquisador/teorista, Edward Said.  Isso não teria acontecido há 50 anos, quando, imagino T.S. Elliot, I.A. Richards, Rene Wellek, Lionel Trilling e alguns outros críticos literários estariam na lista.

 

Não é simplesmente o fato da crítica literária ter-se tornado teoria literária.  Teoristas literários mais recentes tais como Paul de Man, Harold Bloom e Sandra Gilbert não são tampouco mencionados.   Ao invés disso, temos pesquisadores de literatura procurando em outros cantos por direção e inspiração.    É claro que todos esses citados na lista têm implicações de peso no estudo da literatura, mas a ausência quase total daqueles que foram treinados nas escolas superiores em literatura e que vivem nelas é impressionante.

[Mark Bauerlin é um professor de Língua Inglesa na Universidade Emory].

 

Não obstante a diferença de teorias, de maneiras de se estudar a literatura existente entre os EUA e o Brasil, o fato é que a crítica literária cá e lá foi sempre muito mais conservadora do que seu próprio tempo.  Este é um dos parâmetros da crítica.  Não cabe a ela, abrir novos horizontes nas artes, na literatura.  Ela está por definição sempre mais atrás.  Observando o que se passa, o que foi feito.  Por isso mesmo não me surpreendo com os resultados numéricos encontrados pela ISI Rede de Ciência: pesquisadores americanos são em geral muito mais conservadores do que seus equivalentes fora do país, refletindo em muito a postura daquela sociedade, que não é feita de extremos.  Mesmo nos campos intelectuais é uma sociedade que tende ao consenso, à média democrática e também aceitar o pensamento estrangeiro com certa desconfiança, não só porque é um país de proporções continentais, mas, sobretudo porque acredita no valor de seu próprio ensino e de seus conceitos [e preconceitos].   E todos esses aspectos levam a um maior conservadorismo de citações, de engajamento no que há de mais moderno na crítica literária ou de outros campos.  Lá constrói-se tijolo por tijolo, pacientemente, há modismos mas  em menor escala.  Os americanos em geral não são tão ansiosos por parecerem “modernos” quanto nós. 





O futuro dos livros impressos: há esperanças!

7 05 2010

 

No início deste ano, a maioria dos jornais, tanto aqui no Brasil como lá fora, fez retrospectivas da 1ª década do século.  Houve muitos best-sellers em diversos campos de publicações para que se tenha uma boa perspectiva do mercado editorial aqui e no mundo.  Às vezes a aparição do livro eletrônico parece confundir um pouco o assunto.  O sucesso dos leitores eletrônicos [ A Amazon teve um sucesso enorme de vendas com o seu kindle no Natal passado] e  o lançamento dos livros eletrônicos da Google; o aumento de todos nós com a dependência da leitura de livros e documentos na rede] tudo parece estar contribuindo para uma grande mudança no mercado.  Essa previsão traz insegurança entre os editores.  É  natural que o  tradicional mundo editorial esteja cauteloso quanto ao futuro.  Mas tudo indica que a venda de livros — quer impressos ou eletrônicos —  ainda tenha um futuro brilhante.  No Brasil a venda de livros continua a crescer de ano para ano, mas há editoras que mostram relutância em se engajarem no mercado eletrônico.  É difícil dizer como o leitor brasileiro irá se comportar num mercado que ofereça tanto o livro em papel quanto o livro eletrônico.  No entanto acredito que o mercado editorial ande mais temeroso do que deveria estar e previsões de uma catástrofe editorial não parecem realistas.    

A crítica literária, ou os intelectuais, por  outro lado, esperneiam se comiserando quanto a qualidade do produto que é publicado, porque não vê crescimento no que considera “leitura de substância”.  Realmente para editoras poderem crescer e lucrar [afinal minguém abre uma editora para perder dinheiro, é um negócio como qualquer outro] elas terão que oferecer mais daquilo que o publico deseja.  Com esse assunto em mente, lembrei-me de um perfil sobre o sucesso das publicações na primeira década do século desenhado por Lee Ferguson, para a CBC News e fui de volta às minhas notas.  Coloco aqui o artigo publicado no final do ano passado, em 5/11/2009, pela  CBC News  do Canadá, intitulado Reading the signs: the biggest publishing phenomena of the decade, [Interpretando as pistas:  o maior fenômeno de publicação da década], para consideração das modas e do que fez sucesso nos últimos dez anos.  Vou traduzir esse artigo livremente, do inglês, para que todos nós possamos considerar os pontos mencionados, quando possível coloquei os títulos em português.

“Neste final de década com uma indústria editorial sofrida que tenta sobreviver à crise econômica, há um vigoroso debate sobre o futuro.  E tudo indica o final precoce da palavra impressa.  Mas, se olharmos para os livros e para as tendências editoriais que marcaram a primeira década do século, vemos uma realidade diferente.  Os leitores, por mais cansados que estivessem não chegaram a perder a fé nos livros. 

 

Conectando-se:

Um dos subprodutos da era digital é o excesso de informação.   Não obstante, um bom número de escritores decidiu navegar pelo pântano de idéias e trazer para a superfície algumas significativas conexões.   Thomas Friedman delineou as “pressões” que fazem o mercado global um campo de batalha igual para todos no seu O mundo é plano: uma breve história do século XXI (2005), enquanto Steven D. Leavitt e Stephen Dubner usaram teoria econômica para explicar tudo desde de uma gangue de drogas de Chicago até as taxas de abortos no Freaknomics (2005).  O ensaísta nova-iorquino Malcolm Gladwell pode até ser considerado o mestre deste curioso sub-gênero.  Conseguindo sucesso com Blink: a Decisão Num Piscar de Olhos (2005) e  Fora de série: outliers (2008) seu estilo popular levando em consideração símbolos accessíveis a todos desde A rua Sésamo aos calçados Hush Puppies, fez dele uma das modas que ele mesmo descreveu no livro O Ponto da Virada (2000).

 

O código Da Vinci:

Salman Rushdie o considerou “um livro tão ruim que dá aos livros ruins um nome ruim”.  Mais de 80 milhões de leitores discordam.  Publicado em 2003, a aventura com uma trama bastante intrincada sobre um professor de simbologia que tenta resolver um assassinato no Louvre, explorou tudo aquilo pelo que os leitores do mundo inteiro precisavam:  mistério, religião, locais exóticos e teorias de conspiração com o Santo Graal e Maria Madalena adicionados para ficar no ponto.   O código Da Vinci deu a todo mundo um tópico de conversa e se transformou no livro mais popular da década. 

 

 

Ilustração Walt Disney, Minie escolhe um livro.
 
 

O debate sobre Deus:

Deus esteve na frente  e no centro de diversos livros na década.  Um grupo de escritores ateus desacreditou de sua existência: O fim de fé de Sam Harris (2005), Deus não é grande: como a religião envenena tudo de Christopher Hitchens (2007) e  Deus, um delírio de Richard Dawkins (2006). (Este último gerou uma pequena indústria de repostas raivosas que incluíram títulos como O ateu iludido [De Douglas Wilson] e O dilema de Dawkins: iludido ou não [de Michael Austin – não traduzido no Brasil]).  Dois dos livros mais rigorosos e reflexivos da década sobre espiritualidade forma publicados graças a teóloga Karen Armstrong [ Em defesa de Deus – The case for God – não achei a tradução no Brasil] e Deus é, do autor premiado com o Prêmio Giller, David Adams Richards [sem tradução no Brasil].  Não há claros vencedores no debate religioso, só uma sensação muito forte de que todo mundo nos anos 2000 estava no meio de uma crise de fé.  Mesmo assim, as vendas na Bíblia subiram vertiginosamente. 

 

Fato ou ficção?

Como Joan Didion e Dave Eggers podem provar a primeira década do século foi uma ótima época para as lembranças.  Mas depois que o livro aprovado por Oprah [Winfrey] Um milhão de pedacinhos de James Frey mostrou ser uma coleção de eventos exagerados e emocionalmente explorados, a rainha vesperal da televisão o derrubou com estrondo pelo mundo inteiro.  A autobiografia se tornou subitamente suspeita, e autores de J T Leroy [Maldito coração, Sarah] a Herman Rosenblat {não encontrei seus livros publicados no Brasil] foram chamados de falsos.   David Sedaris, [Pelado, Eu falar bonito um dia, De veludo cotelê e jeans: crônicas autobiográficas, Engolido pelas labaredas] uma das verdadeiras estrelas literárias da década, foi um dos poucos memorialistas a aparecer sem prejuízos, talvez porque tenha sempre tido o bom senso de admitir que mistura ficção com realidade.

 

Literatura de mulherzinha:

Na primeira década do século houve uma onda da mania Bridget Jones; uma meia dúzia de autoras criaram uma nova safra de personagens de sucesso, tais como Os delírios de consumo de Becky Bloom [Sophie Kinsella], Diários de Nanny [Emma McLaughlin and Nicola Kraus], O diabo veste Prada [Lauren Weisberger], o cânone de Candace Bushnell [ Janey Wilcox: Alpinista Social, a série de livros Sex and the City]: heroínas em grande parte neuróticas, com empregos agonizantes em Manhattan, sempre à procura de um Martini e de um bom par de sapatos.   Já que livros com capas cor de rosa provaram ser de grande sucesso econômico – o consumismo de Becky Bloom virou uma franquia – parece provável que as pernas torneadas da literatura de mulherzinha continuarão a ter sucesso na década começando em 2010. 

 

 

Ilustração de Jonathan Burton, inspirada num quadro de Seurat.

 

A nova vanguarda global:

 

Quando o romance pluri-cultural, passado num bairro ao norte de Londres de Zadie Smith, Dentes Brancos foi publicado, no ano 2000, ele abriu uma das tendências mais interessantes da década: a ficção global.  A cacofonia de diversas vozes se seguiu com: a tragédia de Khaled Hosseini retratada em O caçador de pipas;  a ode de Monica Ali [Um lugar chamado Brick Lane] aos imigrantes de  Bangladesh, de 2003;  e O Tigre Branco, de Aravind Adiga, sobre a Índia desconhecida, que lhe deu o Man Booker em 2008.  Nesse ínterim o autor de origem libanesa nascido em Montreal Rawi Hage nos seduziu com o De Niro’s Game (2006) e Cockroach (2008), [seu único título no Brasil, sai este ano, Exílio, agora em maio] provando que a excelência literária não pertence só ao grupo de homens caucasianos de meia idade. 

 

Tudo virou verde:

 

Ele não foi eleito president, mas Al Gore mesmo assim deixou sua marca quando em 2006 lançou o livro (acompanhado do filme) Uma verdade inconveniente.  Seu livro foi um de muitos sobre os efeitos do aquecimento global, na década que viu títulos tais como Hell and High Water [não traduzido para o português, o título do autor Joseph Romm encontrado nas nossas bandas é Empresas Eco-eficientes] e Field Notes from a Catastrophe  [ da autora Elizabeth Kolbert, cujo único livro em português que encontrei foi Planeta Terra em Perigo, que não sei se é o mesmo — os títulos são muito diferentes].  Mas talvez a voz mais pungente no assunto tenha sido a de Tim Flannery, o cientista australiano cujo livro Os Senhores do Tempo – O Impacto do Homem nas Alterações Climáticas e no Futuro do Planeta (2006) baixou nas livrarias com a força de uma tsunami. Com sua escrita clara e urgente e pesquisa meticulosa, o sucesso de vendas de Flannery convenceu os leitores de que a hora da mudança era agora.

  

Os narradores diferentes:

 

Uma menina assassinada que se comunica do além (Uma vida interrompida, de Alice Sebold); um menino autista participante de um inexplicável mistério ( O estranho caso do cachorro morto de Mark Haddon); um hermafrodita preso entre gêneros ( o livro de Jeffrey Eugenedes, Middlesex) – esses foram alguns dos personagens que nos fascinaram com suas histórias excêntricas na década passada.   E, ao longo do tempo, os protagonistas deixaram de ser estranhos para serem verdadeiros trapaceiros.  O quase sinistro monólogo do paquistanês em  O fundamentalista relutante, de Mohsin Hamid e o sobrevivente de naufrágio que passou sete meses num barco com um tigre de Bengala de 200 quilos, no livro A vida de Pi, de Yann Martel forçaram os leitores a questionarem suas próprias percepções dos acontecimentos da década, quando histórias da carochinha e narradores pilantras apareceram em grande número.

 

Ilustração, Maurício de Sousa.

 

Alimento para o cérebro:

Graças a Eric Schlosser com seu alarmante País Fast Food (2001), muitos de nós começamos a década conscientes de que nunca mais olharíamos para um nugget de frango do MacDonald’s da mesma maneira.   Um imenso bufê de livros sobre comida foi então produzido com escritores alardeando de tudo, desde a dieta ecologicamente correta, à vida orgânica, aos méritos da gordura.    Precisamos da tentadora prosa do jornalista Michael Pollan para nos sentirmos felizes de novo com uma refeição.  Pleiteando ingredientes verdadeiros e uma refeição simples ao invés de substâncias que parecem comida, em ambos os livros Em defesa da comida: um manifesto e The Omnivore’s Dilemma: A Natural History of Four Meals [não traduzido para o português] Pollan nos ajudou a fazer sentido de novo da nossa comida.

 

 

Harry Potter/ Crepúsculo:

Se alguns livros de ficção pareciam obrigatórios para todos, um outro gênero pareceu até mesmo ainda mais sedutor sobre os leitores: a fantasia.   A medida que pequenos Trouxas lutaram para ter em suas mãos o último volume da série do Harry Potter, J. K. Rowling se tornou a primeira escritora bilionária do mundo.  Assim que a mania de Harry Potter parecia estar diminuindo, os românticos sugadores de sangue de Stephanie Meyer da série Crepúsculo deram às meninas adolescentes e às editoras à procura de lucros alguma coisa do que falar. “

 

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Imagem de leitura — Carl Larsson

6 05 2010

Senhora lendo jornal, 1886

Carl Larsson ( Suécia, 1853-1919)

Aquarela

Carl Larsson nasceu em  Estocolmo, em 28 de maio de 1853, numa família muito pobre.  Seu talento artístico só se desenvolveu aos  treze anos quando  entrou para a Principskolan, um departamento temporário da Academia de Arte.  Lá ele achou difícil se adaptar, sentindo-se  em inferioridade social.  Aos dezesseis anos, foi transferido para  um departamento menor da Academia de Arte, onde aos pouco tornou-se mais confiante, e passou a participar ativamente do grupo estudantil.

Formando-se, dedicou-se à  ilustração de livros, revistas e jornais diários.  Passou anos em Paris sem conseguir muito sucesso até 1882 quando conhecer um artistas escandinavos fora de Paris.  Lá conheceu sua esposa, casando-se em 1883.  Abandonou a pintura a óleo em favor da aquarela  pintando então seus mais importantes trabalhos.  Sua esposa e filhos tornaram-se seus principais modelos. Larsson ficou famoso por aquarelas retratando a vida em família. As coleções Ett Hem (Uma Casa) de 1899, (26 aquarelas);  Larssons (Os Larssons), 1902 com (32 aquarelas)  e o grupo  Åt solsidan (O Lado Ensolarado) de 31 aquarelas foram livros que, ilustrando  a vida simples do campo, tiveram uma enorme influência no design de interior sueco para as gerações seguintes.  Morreu em 1919.





Mariette em êxtase, de Ron Hansen

2 05 2010

 

 

Santa Teresa em êxtase, 1645-1652       [DETALHE]

Gian Lorenzo Bernini ( Itália, 1598-1680)

Escultura em mármore

Capela Cornaro, Igreja de Santa Maria della Vittoria, Roma.

Não sei exatamente porque escolhi recentemente a leitura  de Mariette em êxtase, [Editora Objetiva: 1996] romance do escritor americano Ron Hansen, um livro que já fazia moradia na minha estante há alguns anos.  Não sei tampouco como esse livro  “apareceu aqui em casa” tendo um perfil tão diferente do que costumo comprar.  Mas estou grata às circunstâncias que me levaram a ele, pois essa foi uma leitura cativante, rica e inesperadamente marcante.

A história se passa no início do século XX, no convento das  freiras Irmãs da Crucificação, no interior do estado de Nova York.  Mariette, uma bela jovem de dezessete anos, filha de um médico local, decide entrar para esse convento, o mesmo escolhido anos antes por sua irmã mais velha, também chamada para a vida monástica.  Mariette é uma jovem devota, extremamente espiritual, dada a sonhos e transes, que se realiza na vida doméstica e regrada das religiosas.  Com essa abertura, seria difícil imaginar que o cotidiano de um convento, com rotinas de orações, horas para meditação, jantares em silêncio seria evocado de tal maneira que ler o texto até o final poderia tornar-se uma obsessão tão aguda quanto se essa história fosse um conto de espionagem.

E é.  Foi assim que me senti.  Acho que esta é de fato uma história de quase espionagem, uma história de mistério.  Não da espionagem como a entendemos entre nações rivais, companhias multinacionais roubando novas idéias umas das outras.  Nem mesmo uma história de mistério com algum crime por resolver.  Mas há  semelhanças com a espionagem porque depois de seis meses de vida conventual Mariette recebe sinais de que suas preces e sua devoção são respondidas.  Sua fé talvez esteja sendo agraciada por poderes espirituais desconhecidos por meros mortais.   Agraciada por quem?  Como ela conseguiu esse canal de comunicação com o mundo espiritual?  Porque não qualquer outra freira do convento?  Fervorosa nas suas orações, zelosa ao manter suas penitências, obstinadamente dedicada à sua crença, Mariette é arrebatada por eventos fora de seu controle:  estigmas que aparecem em suas mãos, sangue que jorra de feridas no seu corpo.   Esse é o mistério que a abraça, que a faz diferente das outras irmãs. 

 

A natureza da diferença de Mariette em  relação às suas companheiras é o fator de divisão nessa pequena comunidade.  Devemos acreditar ou não nos sinais de fé da Mariette?  São verdadeiros ou forjados?   Logo, logo o convento se divide.  O mistério invocado pelos estigmas é onipresente,  devastador.  Nesse aspecto, o romance chegou a me lembrar do filme O anjo exterminador de Luís Buñuel (1962).  Não que haja perigo de morte para os habitantes do convento, mas a presença do mistério, do indescritível poder de uma força diferente, exterior, alienígena leva a revelações íntimas sobre as próprias freiras.  As conseqüências são as dúvidas sobre o próprio mistério, são a inveja, são as inseguranças de cada membro afloradas.  Tudo isso me lembrou forçosamente da parede invisível que condena os convidados de um jantar a uma clausura indefinível do filme mexicano.

O sucesso dessa narrativa deve-se principalmente à magnífica prosa de Ron Hansen, — em grande parte deixada intacta pela excelente tradução de Marcos Santarrita —  que não usa uma palavra a mais do que o necessário; que mantém até o final o enigma dos mistérios testemunhados pelos personagens e pelo leitor.  O ritmo da narrativa é fundamental nesse romance.  Determinado a não se acomodar a soluções fáceis e a dar ao leitor a opção de solucionar o que se passa por si mesmo, Ron Hansen consegue produzir uma pequena obra prima que nos leva a considerar a natureza da fé e do milagroso.  Esse é um livro fascinante.  De leitura rápida e bem ritmada, sua história fica na nossa imaginação sendo revivida de diversas formas, sendo aludida com freqüência.  Uma ótima leitura.

Ron Hansen





Imagem de leitura — Eugênio Zampighi

29 04 2010

Lendo as notícias, s/d

Eugênio Zampighi ( Itália 1859-1944)

óleo sobre tela

Eugênio Zampighi nasceu em Modena na Itália em 1859 e mostrou ter talento para as belas artes desde cedo.  Entrou para a escola de arte local aos treze anos de idade e depois, mais tarde foi estudar em Roma.  Ao completar sua educação mudou-se para Florença onde estabeleceu residência, e onde prosperou principalmente através de encomendas de patronos abastados.  Especializou-se em cenas domésticas, em geral de gente da terra, o dia a dia dos peões italianos, e nunca pareceu querer fazê-los mais bonitos do que a realidade.  Nesse aspecto Zampighi, que seguia o espírito de sua época ao documentar cenas diárias com crianças, pais e avós, diverge das normas dos pintores franceses, ingleses e americanos do final do século XIX e primeira metade do séc. XX, entre eles, Bouguereau, Norman Rockewell e outros,  por não idealizar a beleza.   Era como se conseguisse celebrar a beleza das pessoas comuns e até mesmo feias.  Faleceu em 1944, em Maranello na Itália.