Interior com senhora lendo e papoulas, [ Sra. Lizzy Hohlenberg], 1905
Anna Ancher ( Dinamarca, 1859-1935)
óleo sobre tela, 56 x 65 cm
Museu Skagens, Alemanha
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Anna Kirstine Brøndum Ancher nasceu em Skagen, 1859. Estudou pintura em Copenhagem, indo mais tarde para Paris onde aprimorou sua técnica no ateliê de Pierre Puvis de Chavannes. Em 1880 se casou com o pintor Michael Ancher. Continuou a pintar depois de casada, pintava sobretudo cenas intimistas de mulheres e crianças nas quais se destaca a riqueza de cores vivas. Faleceu em 1935.
William Merritt Chase nasceu no estado de Indiana em 1849. Mostrou interesse e habilidade com as artes desdde cedo, estudando com artistas locais como Barton S. Hays e Jacob Cox. Seus professores o incentivaram a ir para Nova York para estudar mais. Lá estudou na National Academy of Design. Vicissitudes financeiras da família o obrigaram a voltar para o interior do país. Mas continuou seus esforços e çogo conseguiu um grupo de colecionadores abastados que o enviaram à Europa para estudar por dois anos e em troca ele escolheria e compraria quadros de pintores europeus para suas coleções. De volta para os Estados Unidos, tonou-se um dos grandes expoentes e líderes do impressionismo americano. Faleceu em 1916.
Boris Kustodiev nasceu em Astracã. Entre 1893 e 1896 estudou com Pavel Vlasov. Mais tarde completou seus estudos com Ilia Repin na Academia Imperial das Artes de Petrogrado, de quem também foi ajudante. Estudou também com escultorDmitri Stelletski e com o gravurista Vasili Mate. Realizou a sua primeira exposição em 1896. Viajou através da França e da Espanha em 1904. Também esteve na Itália em 1907 e em 1909 em Áustria e Alemanha. Nessa época pintou, sobretudo, retratos e pintura de gênero. Morreu em Leningrado em 1927.
Georges Braem nasceu em Cauderan na Bélgica em 1931. Estudou na Escola de Belas Artes de Bordeaux. Trabalhou por quatro ano num ateliê de litografia onde desenvolveu gosto pela gravira. Sua maneira preferida de pintura era sobre madeira ou couro. Fez numerosas exposições tanto na França como no exterior: Espanha, Bélgica, Suiça, Alemanha, Suécia, Japão. Faleceu em 1998.
Tomás Santa Rosa nasceu em João Pessoa em 1909. Depois de uma breve estadia em Salvador quando trabalhou como contabilista, muda-se para o Rio de Janeiro onde se torna um auxiliar de Candido Portinari na pintura mural. Em 1933 começa a carreira de ilustrador, mas logo amplia os seus horizontes com as artes cênicas, onde seu talento amadurece. Morre subitamente na Índia, em 1956, onde participava de uma conferência internacional.
Sergei Arsenevich Vinogradov nasceu em Bolshie Soly, na Rússia em 1869. Foi um dos líderes em Moscou do impressionismo russo. Estabeleceu-se como pintor de gênero, e de retratos de camponeses. Morreu em Riga, na atual Letônia, em 1938.
Jon Houglum é um pintor americano, nascido no estado de Minnesota. Formado em Professor de Arte, estudou por quatro anos,, particularmente com a pintora holandesa radicada nos EUA, Antonias Raemaechers. Por muitos anos manteve um ateliê de pintura/galeria no estado da Flórida e em 1996 mudou-se para a cidade de Franklin no estado da Carolina do Norte onde ainda reside.
Edson Campos nasceu no Rio de Janeiro em 1955. Autodidata, desenha e pinta desde criança. Em 1978 mudou-se para os Estados Unidos, onde se estabeleceu como pintor desde então, e onde reside até hoje. Tendo viajado extensivamente pela Europa, hoje é portador de inúmeros prêmios nos EUA e na Europa. Para ver mais de seus trabalhos: www.edsoncampos.com
Meu primeiro contato com Rosa Montero foi através do fantástico História do rei transparente [Ediouro: 2006], que devorei em dois dias. Amei! Mais tarde, vim a ler A louca da casa, [Ediouro: 2004], Histórias de mulheres [Agir: 2008], A filha do canibal [Ediouro:2007] e agora, este mês,Instruções para salvar o mundo [Record: 2010]. O que surpreende nessa escritora espanhola é o camaleonismo, ou melhor, como cada um de seus livros parece ter um estilo diverso, um narrador diferente, um tema inesperado. O que os une, a todos, é uma voz narrativa que carrega o leitor por tortuosos e imaginativos caminhos. Essa também é a característica de Instruções para salvar o mundo.
Quatro personagens principais preenchem o espaço desse romance. Três são o centro do drama: Matias, um taxista viúvo, que agoniza diariamente pela perda de sua esposa para o câncer; Daniel um médico frustrado, mais ambicioso do que sua capacidade de dedicação profissional e com a satisfação na vida pessoal inexistente e Fatma, natural de Serra Leone, belíssima mulher e prostituta. Eles parecem ter pouco em comum, mas invadem o nosso mundo imaginário quando suas vidas se mostram interligadas, apesar de extremamente solitárias. Em contraponto, quase que preenchendo o papel que seria do coro numa tragédia grega, temos Cérebro, cognome de uma ex-professora universitária, uma cientista, cuja linha de pensamento nos mostra o caminho de Rosa Montero. Cérebro não só é minha personagem favorita pela clareza de seu raciocínio, como é também quem dá a dimensão da tragédia que testemunhamos. Aos poucos, e graças à força narrativa da autora, esses dois homens e duas mulheres nos envolvem e participamos silenciosamente da absoluta solidão em que vivem, presenciamos o desespero calado que os corrói. A falta de perspectiva de uma vida melhor parece inviável para cada um. E sufoca.
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Os personagens vivem num caos emocional que praticamente os deixa anestesiados para a vida cotidiana. Ou, porque não conseguem perceber nada além do vazio interno que os preenche, ou porque se dopam, ou se retiram do momento atual, do presente, para algum lugar íntimo, interior, onde podem sobreviver as penas de um cotidiano irreparável, como acontece com Fatma. O mundo externo, fora dessas emoções contidas e reprimidas, está também presente no caos das mudanças climáticas que os rodeiam, refletido no calor fora de época da cidade. Todos quatro são cidadãos de uma gigante metrópole, igual a dezenas de outras, parecidas com aquelas em que vivemos. E, como muitos desses cidadãos, como habitantes dessas zonas urbanas, eles passam a vida paralisados nas suas angústias, entorpecidos nas suas emoções.
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Rosa Montero
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A solução de Rosa Montero para saciar esse desespero interno de cada um é a bondade. A bondade com o nosso semelhante, o desprendimento. Talvez uma solução por demais ingênua e idealista para essa leitora. Algo de irreal, de conto de fadas nessa solução me dá pausa. Sinto-me crítica. Talvez eu mesma já esteja, como os personagens da trama, cáustica, amarga, incrédula para considerar tal sugestão com o peso que uma autora como Rosa Montero merece. Este é o grande senão que tenho com o romance. As questões sobre o que está acontecendo com a humanidade, o que está acontecendo com o lugar em que vivemos que inevitavelmente temos que levar em conta ao longo da leitura de Instruções para salvar o mundo não só são difíceis de responder, mas também impossíveis de serem solucionadas por ato tão simples e pequeno, quanto esse romance. Mas fica aqui a minha admiração por quem tem a coragem de levantar essas questões.
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Aqui, uma entrevista da autora em espanhol, legendada:
Michele Del Campo nasceu em Sannicandro Garganico, na Itália, em 1976. Fez os cursos de Belas Artes, começando na Universidade de Milão completando os anos de aprendizado na Universidade Complutense de Madri, em 2007. Formou-se em Ilustração no reino Unido em 2001. Mudou-se para Londres em 2008, onde vive hoje. www.micheledelcampo.com