Leitora, c. 1900
Irving Ramsay Wiles (EUA, 1861-1948)
óleo sobre tela, 26 X 18 cm
“Um livro aberto é um cérebro que fala; fechado, um amigo que espera; esquecido, uma alma que perdoa, destruído, um coração que chora.”
Provérbio hindu
Leitora, c. 1900
Irving Ramsay Wiles (EUA, 1861-1948)
óleo sobre tela, 26 X 18 cm
Provérbio hindu
“Cada época possui suas enfermidades fundamentais. Desse modo, temos uma época bacterológica, que chegou ao seu fim com a descoberta dos antibióticos. Apesar do medo imenso que temos hoje de uma pandemia gripal, não vivemos numa época viral. Graças à técnica imunológica, já deixamos para trás essa época. Visto a partir da perspectiva patológica, o começo do século XXI não é definido como bacteriológico nem viral, mas neuronal. Doenças neuronais como a depressão, transtorno de déficit de atenção com síndrome de hiperatividade (TDAH), transtorno de personalidade limítrofe (TPL) ou a síndrome de burnout (SB) determinam a paisagem patológica do começo do século XXI. Não são infecções, mas enfartos, provocados não pela negatividade de algo imunologicamente diverso, mas pelo excesso de positividade. Assim, eles escapam a qualquer técnica imunológica, que tem a função de afastar a negatividade daquilo que é estranho.”
Parágrafo introdutório.
Sociedade do cansaço, Byung-Chul Han, tradução Enio Paulo Giachini, Petrópolis, Vozes: 2024.
Nunca julgue um livro por sua capa. Quantas vezes já ouvimos isso? Mas algo nesse livro de Alberto Manguel, nessa capa, me dizia, isso vai ser uma leitura vagarosa e chata. Talvez tenha sido o tamanho do volume: nem livro de bolso, nem tamanho normal. Talvez tenha sido a encadernação. Não sei. É fato que andou rolando por aqui já há um tempinho, passando de uma prateleira a outra. Mas que posso fazer? Impliquei com ele.
Reorganizar livros na biblioteca, me levou a abraçar mais seriamente livros que ainda se encontram em capas plásticas: comprados e sem ler. São muitos. Minha desculpa é que organizo dois grupos de leitura, isso significa no mínimo duas leituras diferentes a cada mês, participo de um grupo, que não organizo (ainda bem!) que tem leituras mais leves. Com todos esses compromissos durante o ano, é quase certo que não tenho tempo para ler tudo que gostaria. Compro os livros que imagino querer ler, e eles pelo menos ficam rolando por aqui, à minha espera. Tenho até duplicatas de alguns, que havia esquecido que já comprara. Encontrei uns nessa organização. Foram doados. Novinhos em suas capinhas plásticas. Mas fiquei determinada a acabar com uma pequena pilha e como tenho passado horas esperando profissionais da casa, ando lendo muito.
Encaixotando minha biblioteca: uma elegia e dez digressões, de Alberto Manguel, tradução de me conquistou. Que delícia! São 184 páginas de prazer, para quem gosta de livros, para quem lê. Alberto Manguel escreve sobre leitura, livros, emoções na leitura, bibliotecas, tudo que lhe toca à medida que empacota os mais de 30.000 livros para se mudar da França para Nova York. Ao longo de suas digressões aprendi muito, fiz listas de livros que precisava reler e me encantei com o que não sabia sobre outros livros que nunca li e que subitamente foram colocados na lista de leituras imprescindíveis. Manguel relaciona as mais díspares leituras com facilidade e encantamento, trazendo para o leitor novas maneiras de pensar livros e ideias. Esse é um livro para os que gostam de ler, e que se veem como leitores para o resto da vida. Para eles, para mim, é um livro imperdível.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
Uma das minhas decisões para o novo ano: ler alguns livros que já havia comprado e que por qualquer razão foram colocados para depois e para depois e assim por diante. Bela surpresa me esperava. Zen na Arte da Escrita, de Ray Bradbury, autor do conhecido clássico do século XX, Fahrenheit 451 e também das Crônicas marcianas, é uma bela coleção de onze ensaios sobre a escrita. Nesse pequeno livro de 160 páginas, publicado em 2020, pela Biblioteca Azul, aqui no Rio de Janeiro, com tradução de Petê Rissatti, o leitor tem a oportunidade de conhecer o processo da escrita de Bradbury, sua simplicidade, seus pequenos truques para chegar a um texto vendável, sua sensibilidade e comprometimento com a profissão a que se dedicara.
Não é um guia, um manual para a escrita. Mas testemunhando o que ele fez, seu processo de escolha e preocupação com temas e principalmente com sua habilidade de deixar-se levar pelo processo criativo, sem saber ao certo como chegar ao ponto desejado é fascinante e estranhamente sedutor para todos nós que nos dedicamos à comunicação de nossas histórias.
O entusiasmo do autor, a alegria de escrever são pontos constantes nesses capítulos independentes. Vemos também o quanto o exercício da curiosidade é condição imprescindível para uma boa história. Mas além disso, deu-me vontade de ler mais de seu trabalho. Ficou muito famoso pelos dois livros citados acima, mas sua produção é enorme, de contos, novelas, romances e até mesmo poesia. Foi um tiro certeiro cobrir esse livro no início do ano. Recomendo a leitura, não só por aqueles que escrevem, mas também por quem tenha curiosidade de abrir uma janela sobre o processo criativo de um dos mais produtivos escritores do século XX.
Meu livro está rabiscadíssimo com passagens sublinhadas, anotações nas margens e desde o início da semana passada já me coloquei com caneta e papel na mão tentando imitar alguns de seus métodos para desenvolvimento da prosa. Serei boa aluna? Veremos. Mas se não conseguir, não será por falta de um excelente mestre.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
Moça com gorro, lendo, depois de 1880
Marie R. Dixon ( EUA, ? – 1896)
óleo sobre tela, 44 x 36 cm
W. Somerset Maugham

Tenho muitas leituras em meio de caminho, livros que estou lendo simultaneamente. Mas esse comecei hoje de manhã. Não é grande vantagem que um livro de 94 páginas tenha sido lido em um dia. Mas eu o recebi quando cheguei em casa de Rio das Ostras e hoje abri para ver exatamente o que era. Não resisti. Li inteirinho.
Gosto de Somerset Maugham, um autor que conheci lendo Servidão Humana, livro um pouco maduro para os meus primeiros anos na adolescência quando estava febril para ler os grandes autores. Era um volume emprestado da Biblioteca da Gávea, que eu frequentava assiduamente desde criança.
Os livros e você: clássicos da literatura que podem ampliar a sua visão de mundo, é um grupo de três ensaios que Maugham escreveu para a revista americana Saturday Evening Post. Eles foram coletados e publicado na Inglaterra em 1940. Essa tradução é a primeira no Brasil, feita por Pablo Guimarães, publicada em Piraquara, Editora Vimara: 2024.
Fim de ano, para quem lê, é sempre recheado de listas de livros que ainda não lemos, que queremos ler. E esse livro me pareceu perfeito para que eu selecionasse algo que escapasse dos batidos e lidos russos, e clássicos mais modernos. Sendo um escritor inglês a maioria dos livros mencionados como sugestão para leitura são ingleses. Mas há também russos, franceses e até alemães.
A parte mais charmosa do livro são os comentários que Maugham faz, alguns bastante cortantes, sobre obras constantemente citadas como imperdíveis. Mais que isso, no entanto, é sua postura que, para o leitor comum, livros devem ser sempre agradáveis de ler. Se não o forem, deixe de lado.
Consegui deliciosas citações sobre leituras, que eventualmente, aos poucos colocarei aqui no blog, como costumo fazer. Somerset Maugham faleceu em 1965. Suas sugestões não incluem os escritores mais recentes, nem mesmo muitos dos que já eram conhecidos na primeira metade do século XX. Listas sempre refletem o leitor que as fez. A leitura desse livro foi uma conversa com um dos mais interessantes autores ingleses da primeira metade do século passado.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
PS: Sim, anotei alguns nomes. E estarei procurando por suas obras.