Imagem de leitura — Frederick Samuel Beaumont

10 11 2016

 

 

frederick-samuel-beaumont-gb-1861-1954-reverie-1891-ost-121x65cmDevaneio, 1891

Frederick Samuel Beaumont (GB, 1861-1954),

óleo sobre tela, 121 x 65 cm

Salvar





Eu, pintora: Daphne Charlton

8 11 2016

cdn-bhh-1992-46-jpgself-portrait-by-daphne-charltonAutorretrato

Daphne Charlton (Inglaterra, 1909-1991)

óleo sobre tela

Burgh House & Hampstead Museum

Salvar

Salvar





Sobre artistas , escritores ou pintores, texto de Ian McEwan

30 10 2016

 

 

botero-fernando-nun-readingFreira reclinada, lendo, 1986

Fernando Botero (Colômbia, 1932)

óleo sobre tela

 

 

“Certos artistas, escritores ou pintores, florescem em espaços confinados como os bebês em gestação. Seus temas estreitos podem desconcertar ou desapontar algumas pessoas. Rituais de fazer a corte entre os membros da pequena nobreza do século XVIII, a vida sob os velames de um barco,coelhos falantes, lebres esculpidas, retratos de gente obesa, de cachorros, de cavalos, de aristocratas, nus reclinados, milhões de cenas da natividade, crucificações, subidas ao céu, tigelas com frutas, flores em vasos. E pão e queijo holandeses com ou sem uma faca ao lado. Alguns escritores de prosa cuidam apenas de seus egos. Também no campo científico há quem dedique a vida a uma caramujo albanês ou a um vírus. Darwin consagrou oito anos às cracas. E, mais velho e mais sábio, às minhocas. Milhares de pesquisadores passaram a vida correndo atrás do bóson de Higgs, uma coisinha de nada. Estar  circunscrito a uma casca de noz, ver o mundo em cinco centímetros de marfim, num grão de areia. Por que não, quando toda a literatura, toda arte e a iniciativa humana não passam de uma partícula no universo das coisas possíveis? E mesmo nesse universo pode ser uma partícula numa infinidade de universos reais e possíveis?”

 

Em: Enclausurado, Ian McEwan, São Paulo, Cia das Letras: 2016, tradução de Jorio Dauster, páginas 69-70;

Salvar





Imagem de leitura — Carlton Alfred Smith

28 10 2016

 

 

carlton-alfred-smith-inglaterra-1853-1946mae-e-filha-lendo-um-livro-aquarela-20-x-32cm-1897Mãe e filha lendo um livro, 1897

Carlton Alfred Smith (Inglaterra, 1853-1946)

aquarela sobre papel, 20 x 32 cm





Palavras para lembrar — Thomas Carlyle

28 10 2016

 

 

arthur-wardle-r-i-r-b-c-gb-1864-1949no-regaco-do-luxo-osm-61-x-37-5-cmNo regaço do luxo

Arthur Wardle, R.I., R.B.C. (Inglaterra, 1864-1949)

óleo sobre madeira, 61 x 37 cm

 

 

“Um bom livro é a mais pura essência da alma humana.”

 

 

Thomas Carlyle

Salvar





Imagem de leitura — William Frederick Yeames

25 10 2016

 

 

wiliam-frederick-yeames-flores-do-dia-c-1900-inglaterra1835-1918Flores do dia, 1900

William Frederick Yeames (Inglaterra, 1835-1918)

óleo sobre tela, 35 x 45 cm

Salvar





Eu pintor: Peter Samuelson

11 09 2016

 

 

peter-samuelson-inglaterra-1912-1996-autorretrato-1939-ostAutorretrato, 1939

Peter Samuelson (Inglaterra, 1912-1996)

óleo sobre tela





Resenha: “Esnobes” de Julian Fellowes

31 08 2016
caça Arthur_E_Becher01Caçada, ilustração de Arthur Ernst Becher (EUA, 1877-1960).

Quando me dei conta de que Julian Fellowes era responsável por escrever e criar o roteiro de Downton Abbey, uma excelente série britânica para a televisão e que também fizera os roteiros para os filmes Assassinato em Gosford Park, (2001, premiado com o Oscar), Feira das Vaidades (2004) e A jovem rainha Vitória (2009), tive receio de ficar desapontada com primeira publicação em prosa do autor. No passado autores premiados nem sempre me agradaram como esperado. Felizmente isso não aconteceu com Esnobes.

Foi uma leitura divertida, entretenimento certo, repleto do mais perverso humor britânico e crítica aos costumes sociais da aristocracia inglesa. O tom segura firmemente a narrativa feita pelas observações de um homem, cuja identidade ignoramos, mas que pertence à classe social retratada, da mesma forma que Julian Fellowes na vida real é um membro da aristocracia britânica, e como o personagem que descreve no livro dedica-se ao teatro.  Atravessamos as barreiras de classe, entramos e saímos dos diferentes grupos sociais, pela mão firme de um homem que conhece as curvas do caminho.  Há momento em que ele me lembrou Arsène Lupin, pela facilidade com que  alça  a cortina de proteção dos bem-nascidos e revela, como faz o personagem de Maurice Leblanc, as idiossincrasias da classe aristocrática.  A ação se movimenta através dos diversos eventos sociais de que o narrador participa.  Não chega a ser uma resenha social daquelas publicadas nos diários impressos sobre jantares e caçadas, fins de semana no campo, corridas de cavalos, reuniões nos fechados clubes londrinos. Mas há um delicioso ar de mexerico, intriga ou boato no tom irônico das observações detalhadas.

c5ff97e7-7fcf-40e9-9b5a-79be1ae24580

Superficialmente essa poderia ser uma história para moçoilas, livreto da “Biblioteca das Moças”.  Afinal não passa de uma Cinderela. Será? Edith Lavery, menina da classe média alta, depois de frequentar as melhores escolas encontra-se sem perspectivas para um bom casamento até que de repente tem a oportunidade de fisgar um membro da aristocracia, com título, que lhe garantirá um futuro seguro para sempre feliz. Ao contrário de Cinderela os obstáculos a esse relacionamento não estão personificados em duas irmãs invejosas.  Nem mesmo na sogra, a mais interessante personagem do livro.  Os obstáculos estariam no comportamento requerido de Edith, mas estes ela domina com facilidade. O que não consegue é ir contra sua própria disposição rebelde. O embate é pessoal. Ela é de fato sua verdadeira inimiga.

Boa parte dos detalhes desta história pode ser melhor degustada por quem está familiarizado com a cultura inglesa. Mas o desconhecimento dos hábitos da ilha não impedirá o leitor de apreciá-la.  Bem desenvolvida, a narrativa tem o ritmo do teatro: é dividida em três tempos, da introdução com situação e personagens; desenvolvimento dos possíveis conflitos seguido de uma conclusão inesperada para os verdadeiros corações românticos.  Percebe-se, no entanto, que a aristocracia inglesa está ciente da decadência de sua importância social e num gesto de grandiloquência se  arrasta pelo mundo de hoje, validando os conceitos da era anterior à Primeira Guerra Mundial.

Julian FellowesJulian Fellowes

Esta é uma boa história. Retrata a estratificação da sociedade inglesa com bom humor.  Repleta de comentários críticos com que narrador em off nos presenteia, é uma leitura leve, rápida, na tradição da comédia de costumes tão apreciada pelos leitores ingleses.  Fino humor. Sutil.  Sensível, elegante e sagaz. Assim como as obras do autor para  cinema e  televisão, Esnobes pode ser apreciado pelas nuances de comportamento de seus personagens. Recomendo para os leitores sensíveis à enigmática ou inexplicável sedução exercida pela aristocracia inglesa em todo o mundo.

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar





Imagem de leitura — Nigel Gillings

20 08 2016

 

 

Um bom livro, Nigel Gillings (Austrália, ) acrílica sobre tela, 75 x 100 cmUm bom livro

Nigel Gillings (Grã-Bretanha, contemporâneo)

acrílica sobre tela, 75 x 100cm





O casamento, texto de Julian Fellowes

19 08 2016

Their_First_Quarrel,_Gibson2A primeira briga, 1914

Charles Dana Gibson (EUA, 1867-1944)

gravura

 

 

“O convívio social tem o grande mérito de abrandar a idiotice do consorte e o casal que não conversa, jamais descobre que não tem muitas afinidades. A companhia do outro tem o mesmo efeito da aposentadoria para as pessoas de classe média, ou seja, causa divórcio.”

 

 

Em: Esnobes, Julian Fellowes, tradução de  Beatriz Horta, Rio de Janeiro, Rocco: 2016, página 164.