Cena de interior com jovem sentada lendo, 1875
Haynes King (GB, 1831–1904)
óleo sobre tela, 48 x 38 cm
Cena de interior com jovem sentada lendo, 1875
Haynes King (GB, 1831–1904)
óleo sobre tela, 48 x 38 cm
Jovem lendo à luz de vela, 1850
André Fontaine (França, 1802 – 1850)
óleo sobre tela
The Bowes Museum, Barnard Castle, Inglaterra
Hora do descanso
Peter Franklin (GB, 1947)
Agatha Miller [Agatha Christie] jovem
Nathaniel Hughes John Baird (GB, 1865 – 1936)
Óleo sobre tela
National Trust, Greenway House
Rudyard Kipling, 1899
Sir Philip Burne-Jones (GB, 1833-1898)
óleo sobre tela, 74 x 62 cm
National Portrait Gallery, Londres
Porcos em Great Thurlow
Sir Alfred James Munnings (GB, 1878-1959)
Oleo sobre tela
The Munnings Art Museum, Dedham, Essex
O arado no inicio da primavera
Sir Alfred James Munnings (GB, 1878-1959)
Óleo sobre tela
Dia de sol em junho
Sir Alfred James Munnings (GB, 1878-1959)
Oleo sobre tela
Norfolk Museums
Vacas leiteiras no riacho
Sir Alfred James Munnings (GB, 1878-1959)
Óleo sobre tela
Caçador com seus cachorros
Sir Alfred James Munnings (GB, 1878-1959)
Oleo sobre tela, 52 x 57 cm
A caminho do encontro equestre, Capitão F. G. Chamberlin e sua irmã, 1907
Sir Alfred James Munnings (GB, 1878-1959)
óleo sobre tela, 127 x 167 cm
Pastor com suas vacas
Sir Alfred James Munnings (GB, 1878-1959)
Óleo sobre tela, 100 x 120cm
Atravessando o rio
Sir Alfred James Munnings (GB, 1878-1959)
Óleo sobre tela, 76 x 61 cm
Porcos no bosque
Sir Alfred James Munnings (GB, 1878-1959)
Oleo sobre tela, 52 x 57 cm
Lark III, a red setter
Sir Alfred James Munnings (GB, 1878-1959)
óleo sobre tela, 44 x 44 cm
Égua e potro
Sir Alfred James Munnings (GB, 1878-1959)
óleo sobre tela, 63 x 76 cm
À margem da feira
Sir Alfred James Munnings (GB, 1878-1959)
Aquarela sobre papel, 20 x 27 cm
Retrato da Sra. Margaretta Park Frews em montaria
Sir Alfred James Munnings (GB, 1878-1959)
óleo sobre tela, 76 x 76 cm
Um Pônei e burricos, 1904
Sir Alfred James Munnings (GB, 1878-1959)
Oleo sobre tela, 51 x 61 cm
Caçadores e cães de caça, 1922
Sir Alfred James Munnings (GB, 1878-1959)
Litografia policromada, 44 x 52 cm
Autorretrato, 1889
Milly Childers (Inglaterra, 1866 – 1922)
óleo sobre tela, 92 x 68 cm
Uma leitura ao pé do fogo
William Mulready ( GB, 1786 – 1853)
óleo sobre madeira, 37 x 30 cm
Jane Austen
ilustração década de 1960
“Ela se senta à luz do dia, filtrada pela cortina. O sol fraco de novembro atravessa o tecido e elimina as sombras. As cortinas estavam fechadas há duas semanas, e mantinham a casa em suspenso entre a perda e a aceitação. Ela as fechou assim que o policial saiu, observando-o se afastar enquanto as puxava. Ele se revelara um rapaz compassivo, mas inseguro e claramente em dúvida quanto à etiqueta que deveria usar para informar a alguém que seu recém-falecido marido usufruía da companhia de uma passageira feminina, adquirida em algum lugar entre o posto de gasolina de Chiswick Flyover e a autoestrada. Ela teve vontade de deixá-lo mais à vontade, de dizer-lhe que há muito tempo sabia daquela passageira, que os últimos quinze anos tinham sido vividos à sombra dela, e de falar do imenso esforço necessário para criar uma vida em torno da sua existência. Teve vontade de oferecer ao guarda outra xícara de chá e de suavizar as arestas da conversa para que pudessem enfrentar juntos aquele constrangimento. Mas o policial precisava se ater a um inventário, ao questionário que era obrigado a preencher antes de se permitir abandonar a ponta da cadeira e a xícara intacta.
Ernest nem gostava dos New Seekers, ela havia dito, em busca de uma saída que pudesse trazê-lo de volta dos mortos.
O guarda fabricara um grupo de pequenos pigarros no fundo de sua garganta e explicara que a passageira feminina havia sobrevivido. Mais do que sobrevivido, estava naquele momento sentada no Pronto-socorro do Royal Berkshire Hospital, tomando chá num copo de plástico e explicando tudo a um de seus colegas.
Sinto muito, disse ele, embora ela não soubesse exatamente se ele estava lamentando a morte de seu marido ou se desculpando porque a amante havia sobrevivido.
Enquanto o observava se afastando, ela soube. Soube que ele contaria à esposa naquela mesma noite enquanto jantavam, recostando-se na cadeira, mastigando os detalhes da vida dela a cada garfada. E, no dia seguinte, a mulher dele se sentaria na cadeira de um salão de beleza e diria você não pode contar isso a ninguém, e a cabelereira [sic] seguraria um pente entre os dentes e arrumaria mechas de cabelo em volta de rolos de plástico azul, imaginando a quem contaria primeiro. E soube com que facilidade todos ficariam sabendo do segredo que tanto se esforçara para manter oculto.”
Em: Entre cabras e ovelhas, Joanna Cannon, tradução de Celina Portocarrero, São Paulo, Editora Morro Branco: 2017, pp. 440-441.
Jardinagem, ilustração Pierre Brissaud, capa de House & Garden, março, 1930.
“Ficamos ao lado de um canteiro, delimitado com barbantes e estacas num ziguezague de misteriosa organização.
Eric Lamb cruzou os braços e olhou para o horizonte.
— Qual a coisa mais importante em um jardim? — perguntou.
Também cruzamos os braços para nos ajudar a pensar.
— Água? — sugeri
— Sol? — arriscou Tilly.
Eric Lamb sorriu e balançou a cabeça.
— Barbante? — falei num ato de puro desespero.
Quando ele parou de rir, descruzou os braços e disse:
— A coisa mais importante em um jardim é a sombra de um jardineiro.
Cheguei então à conclusão de que Eric Lamb era muito esperto, se bem que ainda não soubesse exatamente por quê. Havia nele uma desenvoltura, uma sabedoria sem pressa que se alongava pelo chão como sua sombra. Olhei para o jardim e vi borboletas brancas dançando em torno de dálias, frésias e gerânios. Havia um coral de cores cantando para atrair minha atenção e era como se eu o ouvisse pela primeira vez. Pensei, então, na fileira de cenouras que tinha plantado um ano antes (cenouras que nunca sobreviveram, porque eu as desenterrava sem parar para conferir se ainda estavam vivas) e me senti meio agoniada.
— Como você sabe onde plantar as coisas? — perguntei. — Como sabe onde vão crescer?
Eric Lamb botou as mãos na cintura, observou o jardim justo conosco e então acenou com a cabeça para o horizonte. Eu podia ver onde a terra havia comido seus dedos e se instalado nas fissuras de sua pele.
— Planta-se igual com igual — ele respondeu. — Não faz sentido plantar um anêmona num campo cheio de girassóis, não é mesmo?
Tilly e eu respondemos ao mesmo tempo:
— Não.
— O que é uma anêmona? — sussurrou Tilly.
— Não tenho ideia — sussurrei de volta.
Acho que Eric Lamb percebeu.
— Porque a anêmona morreria — explicou. — Ela precisa de coisas diferentes. Para cada coisa existe um lugar lógico, e se uma coisa estiver onde deveria estar, então vai florescer.
— Mas como você sabe? — indagou Tilly. –, como você sabe se uma coisa está no lugar certo?
Experiência.
Ele apontou para nossas silhuetas, que se derramavam pelo cimento. A dele, grande e sábia, como um carvalho, e a minha e de Tilly, finas, esguias e incertas.
— Continuem a criar sombras — disse ele. — Se criarem sombras suficientes, chegará a hora em que saberão todas as respostas.”
Em: Entre cabras e ovelhas, Joanna Cannon, tradução de Celina Portocarrero, São Paulo, Editora Morro Branco: 2017, pp. 236-237.