Imagem de leitura — Pierre Adolphe Valette

1 10 2011

Jovem lendo, s/d

Pierre Adolphe Valette (França, 1876-1942)

óleo sobre madeira, 60 x 52 cm

Christie’s Londres, 1998

Pierre Adolphe Valette nasceu em St. Eitienne, em 1876.  Estudou em Bordeaux na Escola de Belas Artes e Artes Decorativas.  Emigrou para a Inglaterra em 1904, onde no ano seguinte já trabalhava nas artes gráficas numa companhia que imprimia cartões e calendários em Manchester.  Depois de estudar arte à noite na Escola Municipal de Arte naquela cidade, foi convidado a dar aulas no mesmo local.   Desenvolveu um estilo bastante impressionista e ficou conhecido principalmente por suas paisagens.  Permaneceu na Inglaterra até 1924, quando retornou à França, onde morreu em 1942.





Imagem de leitura — Albert Joseph Moore

23 09 2011


Uma leitora, 1877

Albert Joseph Moore ( Inglaterra, 1841- 1893)

óleo sobre tela colada em madeira

Coleção Particular

Albert Joseph Moore nasceu em York, na Inglaterra em 1841, um dos quatorze filhos de William Moore, um conhecido pintor, daquela parte do país.  Mostrou interesse, habilidade, dedicação e talento para pintura desde muito cedo.   Encorajado pelo pai e por seus irmãos também artistas começou sua carreira cedo fazendo sua primeira exposição aos 16 anos, em 1857, antes mesmo de entrar para a Royal Academy. Considerado um dos pintores mais sensuais  e originais de sua época, teve uma vida curta, morrendo aos 52 anos de idade em 1893, em Londres.





Imagem de leitura — William Strang

7 09 2011

Feriado bancário, 1912

William Strang ( Escócia, 1859-1921)

óleo sobre tela,  152 x 112 cm

Tate Gallery, Londres

William Strang nasceu em Dumbarton, na Escócia em 1859.  Estudou na Academia de Dumbarton  e trabalhou por pouco mais de um ano como contador, antes de mudar-se para Londres, em 1875 quando tinha 16 anos.  Lá estudou arte por seis anos com Alphonse Legros. Trabalhou como gravurista, ilustrador e pintor.   Especializou-se em retratos, pintura de gênero e paisagens.  Expoente da pintura Eduardiana. Morreu em Londres em 1921.





Imagem de leitura — Douglas Gray

13 08 2011

Quatro de setembro, s/d

Douglas Gray ( Inglaterra, contemporâneo)

óleo sobre tela, 35 x 25 cm

www.douglasgray.co.uk

Douglas Gray nasceu em 1965 na Inglaterra.  Começou sua carreira nas artes visuais como ilustrador, passando depois para as artes plásticas.  Especialidades preferidas são as pinturas de gênero e paisagens urbanas.





Imagem de leitura — Sandra Fisher

10 08 2011


Bob em Redcliffe Square, 1992.

Sandra Fisher ( EUA, 1947-1994))

Óleo sobre tela, 30 x 25cm

Coleção Max Kitaj

Sandra Fisher nasceu na cidade de Nova York, EUA, em 1947.  Cresceu na Flórida e na Califórnia, onde estudou na Escola de Arte Chouinardol, no Instituto de Artes da Califórnia em Los Angeles, graduando-se em 1968.  Em 1970 já era assistente do gravurista Kenneth Tyler no studio desse, Gemini G.E.L..  Foi lá que encontrou seu futuro marido o pintor  R.B. Kitaj.  Mudaram-se para Londres, em 1971, onde permaneceram até a morte da artista, naquela cidade, em 1994.





Um dia, romance de David Nicholls, uma excepcional viagem pela vida

8 08 2011

Regent Street, Londres, 2009

Keith Hornblower ( Inglaterra, contemporâneo)

aquarela

http://keithhornblower.wordpress.com

Quando uma amiga sugeriu que eu lesse Um dia de David Nicholls e descreveu esse romance como uma história que se passava no mesmo dia de diferentes anos, pensei imediatamente no filme de Robert Mulligan, Tudo bem no ano que vem,  [Same time next year], [1978] sucesso comprovado como filme e peça teatral. Lendo na orelha do livro [Intrínseca:2011] o envolvimento do autor britânico com o teatro comecei a leitura desconfiada de que estaria me envolvendo com uma alusão, uma paródia, uma re-adaptação da peça do autor canadense Bernard  Slate.  Erro meu!  Este romance é completamente diferente.  E, tem mais, é mais profundo, significativo do que a comédia a que me referi.  Como na peça teatral, este romance também tem um humor inerente.  Como na peça teatral, vemos os mesmos personagens crescerem, se desenvolverem: atores de comédias urbanas que se desenvolvem através do trabalho, dos casamentos, das desventuras amorosas. Mas estas são as únicas semelhanças.

Hoje são raros os livros que me emocionam de uma maneira profunda, que me levam às lagrimas como esse fez em seus capítulos finais.  Muita leitura, a dose normal de descontentamento, experiência acumulada têm contribuído para que seja difícil encontrar um autor que me comova, sem que eu sinta que minhas emoções foram manipuladas inescrupulosamente.  Mas esse romance, que parece sem pretensões,  com uma narrativa entremeada por diálogos corriqueiros, com grande dinamismo, removeu barreiras à minha sensibilidade e se tornou pessoal.  Com um desenrolar inesperado ele atinge o leitor como um soco no estômago.  E essa leitora, se encontrou ao final, depois de reler o último capítulo, como Dexter, um dos personagens da trama, controlando um pequeno ataque de pânico, como se meus pés estivessem se apoiando numa fina camada de gelo prestes a se partir.  O abismo está aqui, em qualquer lugar, a qualquer hora.

É possível que com esse romance, David Nicholls possa vir a ser considerado o retratista de uma geração.  Mas acredito que ele seja mais do que isso, pois sua mensagem: Carpe Diem é universal e não tem prazo de validade.  Mas, afinal, o que é este romance?  É a vida de dois personagens, através de vinte anos.  Passa-se na Inglaterra.  Um homem e uma mulher, que se conhecem no dia da colação de grau na faculdade, têm um mundo de possibilidades, um horizonte aberto, um número irrestrito de escolhas a fazer.  Eles se conhecem e mantêm um relacionamento ora estreito, ora distante através dos anos.  Aos poucos, no passo da vida, testemunhamos suas opções, o aproveitamento que fazem do que lhes é ofertado, o que procuram e o que ignoram.  Acompanhamos o desenrolar de suas vidas e nos afeiçoamos a eles, mesmo que o retrato de Emma e Dexter, a cada passagem do dia 15 de julho, data da formatura universitária, seja feito com candura fotográfica.

David Nicholls

Torna-se impossível, no entanto, para o leitor não refletir sobre sua própria vida, suas escolhas, oportunidades e medos.  Ler Um dia pede um exame de consciência, um exercício de terapia psicológica.  Temos que encarar nossa cronologia, nossos passos.  E depois ainda perguntar:  E agora?  Por esses questionamentos, esse é um romance a ser lido e pensado.  Conversado e debatido.  Será a minha sugestão para o meu grupo de leitura no próximo mês.  Imperdível.





Imagem de leitura — Edward Killingworth Johnson

22 06 2011

Dias de verão, 1884

Edward Killingworth Johnson  ( Inglaterra, 1825-1896)

aquarela e guache sobre papel

Sotheby’s — Março, 1994

Edward Killingworth Johnson, nasceu em Stratford le Bow, na Inglaterra em 1825.  Depois de umas poucas aulas na Langham Life School, passou a pintar aquarelas.  Praticamente um autodidata dedicado à pintura de gênero e às paisagens.  Trabalhou como ilustrador.  Excelente artista que usava com freqüência a combinação de aquarela e guache para dar maior corpo ao trabalho, que se caracterizava por apresentar um excelente acabamento.  Morou a maior parte de sua vida em Londres e depois mudou-se para Halstead, Essex. Faleceu em 1896.

 





Resenha: “Brooklyn”, de Colm Tóibín, uma história inesquecível!

20 06 2011

Prospect Park, Brooklyn, s/d

William Merrit Chase ( EUA, 1849-1916

óleo sobre tela

Há um nicho literário que cobre as experiências de deslocamento social de imigrantes.  Países do Novo Mundo como os Estados Unidos e o Brasil têm tido regularmente em sua literatura adições significativas da experiência do imigrante.  No Brasil, esta experiência pode ser delineada mais recentemente, nas obras de Milton Hatoum, Nélida Piñon, Salim Miguel, Francisco Azevedo, para nomear alguns.  Essa tradição ainda é mais vigorosa nos EUA que, assim como o Brasil, receberam levas e levas de imigrantes do mundo inteiro, Michael Chabon, Amy Tan, Jhumpa Lahiri, Bernard Malamud estão entre dezenas de escritores americanos que desde o século XIX, se dedicaram aos desassossegos funcionais e emocionais causados pela imigração.

O deslocamento cultural tem sido também objeto de estudo do escritor  Amin Maalouf, cujo fantástico In the Name of Identity: Violence and the Need to Belong, [Penguin: 2003] –  demonstra as falhas de requerermos que um indivíduo faça uma única escolha de identidade, quando somos de fato a comunhão dos fatores que nos formam.  Maalouf está hoje entre os mais influentes pensadores contemporâneos no assunto.  Talvez porque eu tenha vivido a maior parte da minha vida adulta fora da minha identidade de nascença, este assunto há algumas décadas me fascina e sensibiliza.

Em Brooklyn [Cia das Letras: 2011] Colm Tóibín se dedica ao assunto retratando a imigração de Eiliss Lacey, uma jovem irlandesa que vai para os Estados Unidos na década de 1950.  O romance é simultaneamente um romance em que a protagonista principal cresce e aprende, na tradição literária do Bildungsroman [romance de educação] e um retrato da impotência feminina diante do papel que lhe é reservado nas relações familiares da época.

Eiliss Lacey é a filha mais moça de uma família irlandesa.  Introvertida e tímida, depois de um curso técnico em contabilidade não consegue encontrar um emprego satisfatório na pequena cidade onde mora.  Seus irmãos já saíram de lá à procura de melhores oportunidades.  Sua irmã mais velha, calorosa, cheia de vida, ainda está em Enniscorthy.  Eiliss sobrevive dentro dos parâmetros de uma vidinha limitada e medíocre, até que é surpreendida pela família que arranja de emigrá-la – através de um contato com um padre irlandês nos EUA – para o outro lado do Atlântico.  Sua opinião não é requisitada.  E Eiliss embarca, com seus muitos receios abafados, na estarrecedora viagem transatlântica.

Colm Tóibín

Com a chegada a Nova York o mundo de Eiliss se amplia.  Diferente de muitos imigrantes ela não precisa lidar com dificuldades por causa da língua.  De fato, seu mundo tem muitas similaridades com o que deixou para trás, como se os elementos que o compõem fossem os mesmos, só que arranjados de maneira diversa.  Esses ecos servem para contrastar, ao final da leitura, os dois mundos em que vive a jovem: são dois rapazes com quem se envolve; são duas chefes de trabalho difíceis; são duas matronas irlandesas que dispõem a bel-prazer da vida de Eiliss; são dois grupos de amigas irlandesas, são dois salões de dança.  A distância que os separa também os une e encontram terreno fértil nas emoções da moça.

Colm Tóibín dá continuação, em Brooklyn, a diversas tendências da literatura inglesa.  Eiliss Lacey, tem parentesco com Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito [Jane Austen] apesar de não ter o mesmo senso de humor.  Como ela, no entanto, vive presa pela teia das convenções sociais e dos laços familiares.  Além disso, ele retrata as pequeninas transformações na vida de uma pessoa comum, com a precisão e o colorido de dezenas de outros escritores britânicos, que se superam no retrato rigoroso dos detalhes da vida cotidiana.  Desta maneira, Colm Tóibín consegue extrair do particular, o universal.  Ampliando em muitas vezes a relativa grandiosidade das decisões tomadas por seu personagem.

Com uma narrativa enxuta que não desmerece as minúcias reveladoras que nos auxiliam no entendimento de Eiliss Lacey, e de sua época, Colm Tóibín nos induz a compreender as  dúvidas e a solidão da personagem.  Percebemos também o vazio daqueles à sua volta; a autoridade dos familiares e dos homens com quem se relaciona; as teias sociais que a aprisionam em ambos os lados do Atlântico.   Mas como na vida há surpresas, e algumas tão grandes que mudam a projetada trajetória do destino, assim acontece aqui.  E o que parece ser um final surpreendente torna-se simplesmente um final em aberto, como também são as grandes decisões que tomamos na vida.  Apesar de um início vagaroso, a história ganha um ritmo crescente e de suspense que arrebata o leitor até o último parágrafo, deixando um travo ou uma pergunta.  Este é um livro cuja história continua a ser contada nas nossas imaginações, muito depois da última palavra lida.





Papa-livros, leitura para fevereiro: Jeff em Veneza, morte em Varanasi, de Geoff Dyer

26 01 2011

 

Mulher contemplando o mar , 1933

Max Beckmann (Alemanha, 1884 – EUA, 1950)

Óleo sobre tela

Museu Ludwig, em empréstimo do Museu de Arte de Bremen

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A partir deste mês vou colocar aqui, a escolha que o grupo Papa-livros fez para leitura e discussão.  Assim aqueles que quiserem acompanhar as nossas leituras estarão a postos.

Leitura para FEVEREIRO, discussão a partir do dia 21.

SINOPSE ( com texto das descrições das editoras brasileiras e portuguesa):

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O jornalista Jeff Atman está em Veneza para cobrir a abertura da Bienal de Arte. Espera ver muitas obras de arte, ir a muitas festas e beber muitos bellinis. Não espera conhecer a sedutora irresistível galerista americana e  Laura, que irá mudar completamente a sua curta estadia na cidade e o faz protagonista de um romance incandescente que provoca mudanças e revelações radicais.

 Outra cidade, outro trabalho: desta vez nas margens do Ganges, em Varanasi. Por entre as multidões, os ghats e o caos da mais sagrada cidade hindu, espera-o um tipo diferente de transformação.  Nessa segunda história, um narrador misterioso, que pode ser ou não o mesmo Atman visto em Veneza, tem sua estada ampliada na Índia, em uma missão jornalística. Mas o que seriam apenas alguns dias transformam-se em meses. Assim, entre turistas e peregrinos nas margens do rio Ganges, em Varanasi, a cidade mais sagrada da Índia, ele passa de ator a observador. Torna-se testemunha do romance de um casal de turistas e de episódios que refletem prazeres aos quais renunciaria.

Pontuado por meditações sobre o amor erótico e o anseio espiritual, Jeff em Veneza, Morte em Varanasi confirma Geoff Dyer como um dos mais notáveis escritores da Grã-Bretanha. Com diversas referências a clássicos como Morte em Veneza, de Thomas Mann; O fio da navalha, de Somerset Maugham, e Venice Observed, de Mary McCarthy, foi saudado pela crítica como um livro divertido, elegante, sensual, engraçado, bem-construído e absolutamente fascinante.  

Nessas duas aventuras  o autor aborda o desejo em todas as suas manifestações: o desejo de sensações, de fuga e de se tornar outra pessoa, seja por meio do amor ou da arte, seja através do entorpecimento ou da transformação espiritual. O resultado é um livro repleto de alusões aos mitos sobre essas duas velhas cidades debruçadas sobre a água, que se tornaram ícones da arte ocidental e da religiosidade oriental.

Uma narrativa muito bela sobre amor erótico e desejo espiritual, Jeff em Veneza, Morte em Varanasi é divertido, elegante, sensual, cômico, engenhoso e absolutamente cativante. Consagra Geoff Dyer como um dos mais provocantes e originais escritores britânicos.

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Título: Jeff em Veneza, Morte em Varanasi 

Autor: Geoff Dyer 

Tradução:  José Rubens Siqueira

Editora: Intrinseca 

ISBN: 9788598078861 

Número de Páginas: 320   

 





Projeto inglês plantará 1.000.000 árvores em 4 anos

5 12 2010
Ilustração, autor desconhecido.-

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No dia 2 de dezembro, passado, o governo britânico anunciou um programa de plantio de 1.000.000 um milhão de árvores nas zonas urbanas da Inglaterra.  Um plano semelhante não havia sido posto em prática desde 1970.  O projeto planeja o plantio dessas árvores ao longo de quatro anos.  

O programa será introduzido com o apoio de organizações de proteção à flora já existente.  O hábito da jardinagem é comum na Inglaterra e as autoridades reconhecem que o auxílio das entidades florestais locais, associado ao entusiasmo da população, será de grande valia, já que se saberia que árvores melhor se adaptam a cada local.  

Na Inglaterra, país com uma área de 130. 410 km², [Para referência: o Brasil tem uma área total de 8.514.876,599 km², ou seja, cabem nele 62,5 Inglaterras] plantam-se aproximadamente seis milhões de árvores por ano.  O objetivo desse projeto é aumentar esse número para 20 milhões de árvores pelos próximos 50 anos.  

Em junho desse ano, disse Hilary Allison, diretora da Woodland Trust, disse, “lançamos nossa campanha Quanto Mais Árvores Melhor [More trees, more good] para pautar que precisamos de duas vezes mais árvores nativas e bosques para que a nossa vida selvagem continue a sobreviver e para preservação do meio ambiente.  Escolas, grupos comunitários , parceiros corporativos donos de grandes extensões de terra, nos  apoiaram entusiasticamente.”  

Para que o programa de plantio de 1.000.000 de árvores seja bem sucedido será preciso ter o apoio integral da população, fazendo disso um “hábito nacional”.  

Griff Rhys Jones, presidente da Civic Voice, uma organização que tem como objetivo tornar lugares mais agradáveis, bonitos e distintos, lembra que  esse projeto será a maneira perfeita para as pessoas das comunidades se encontrarem, para vizinhos se conhecerem.

FONTE: BBC