Interior com jovem lendo, 1912
Kristian Zahrtmann (Dinamarca, 1843 – 1917)
óleo sobre tela, 70 x 63 cm
Bornholm Museu de Arte
Interior com jovem lendo, 1912
Kristian Zahrtmann (Dinamarca, 1843 – 1917)
óleo sobre tela, 70 x 63 cm
Bornholm Museu de Arte
Primeira tempestade, rua Mont-Royal
Jeannette Perreault (Canadá, 1958)
óleo sobre placa, 30 x 23 cm
Um interessante artigo em Medium, por Bijal A Shah, mostra como tanto escrever poesia, como ler poesia é uma ótima forma de terapia. Ler poesia, se você se identifica com os sentimentos expressados nos versos, pode atingir mais profundamente o leitor do que textos literários. Poesias tendem a ser sucintas e carregadas de emoção. Ler poesia para desestressar tem sido muito eficiente para seus pacientes.
Tanto a escrita quanto a leitura de poesias têm grande efeito terapêutico.
O uso da poesia em terapia continua a crescer. Mais e mais psicólogos na Grã-Bretanha e Europa usam terapia poética como parte de sua prática.
Elspeth, 1941
Robert Sivell (Escócia, 1888 -1958)
óleo sobre tela
Aberdeen Art Gallery & Museums
Retrato de Vera Repina, esposa do pintor, lendo, 1882
Ilya Repin (Rússia,1844 -1930)
óleo sobre tela, 64 x 53cm.
Lendo à margem do lago IV
Nithya Swaminathan (Índia, contemporânea)
acrílica sobre tela, 25 x 25 cm
O livro azul
Marc Chalmé (França, 1969)
óleo sobre tela
Um artigo interessante em Medium, de Emily Underwood, expõe o que ajuda a memória quando queremos nos lembrar do que lemos.
Não há novidades. Mas fiquei surpresa de saber que ler na tela eletrônica não oferece vantagem na memorização do que lemos. Ao contrário a tendência é passarmos os olhos sobre o texto.
O que nos faz memorizar é a leitura ativa: tomar notas, fazer um desenho, uma linha do tempo, falar com um amigos sobre o que leu. O que importa é fazer conexões mentais do lido com sua experiência de vida. Conectar o que se lê com aquilo que já conhecemos.
O bom leitor vai além. Vai além da emoções e da perspectiva sobre o que leu. O objetivo de ler não deve ser a memorização, mas a reflexão sobre o que se lê e a visão que se adquire com aquilo que foi lido.
A leitura
Caetano de Gennaro (Itália/Brasil, 1890 – 1979)
óleo sobre cartão, 19 x 29 cm
Coleção do Professor e Dr. Luiz Fernando da Costa e Silva
Ladyce West
Se você notar bem, se me olhar com cuidado, verá que ainda tenho um relógio de bolso que trouxe do País das Maravilhas, onde aprendi a tomar chá com a Rainha de Copas. Além daquela Alice, fiquei amiga de outra, na fazenda do Boqueirão, que me contou histórias de Teresópolis enquanto esperávamos por Mário voltar da Europa no Tronco do Ipê.
Alencar, na verdade, é responsável pela Aurélia que vive em mim, mulher desafiadora dos costumes da época que, em Senhora, me ensinou o que é vingança. De Capitu não tenho nada, mas aprendi com Bentinho, a desconfiar. Machado deu o nome ao meu cachorro, Quincas. Dancei minha primeira valsa ao lado de Carolina em Paquetá e me apaixonei pelo Moço Loiro como Honorina o fez.
Com Lobato aprendi a caçar sacis, visitei a lua, o país da gramática e saboreei os quitutes de Tia Nastácia. Só não tenho o pó de pirlimpimpim porque Emília não me deixou trazer.
Acompanhando uma Condessa, chorei calorosas lágrimas pelos Desastres de Sofia e Memórias de um burro; mais ou menos na mesma época em que descobri, nas Cartas do Meu Moinho, que até um reverendo francês pode morrer de gula e que há tempestades de gafanhotos destruidores, no mundo.
Viajei com Simbad, dei a Volta ao mundo em oitenta dias, fui vinte-mil léguas ao fundo do mar. Naufraguei e fiquei presa numa ilha com um cara chamado Sexta-feira, mas também descobri um tesouro, na Ilha de Montecristo, que permitiu vingar-me de um crime contra mim. Fui um dos mosqueteiros da Gasconha e, com um pequeno príncipe, aprendi “que sou responsável por aquilo que cativo.”
Fui, com mapa na mão, à procura de tesouros numa ilha guiada por Robert Louis Stevenson. E me aventurei pelas selvas africanas à cata das Minas do Rei Salomão com H. Rider Haggard.
Conheci Numero Um, o filho de Charlie Chan com quem resolvi crimes no Havaí. Já com Arsène Lupin, andei do outro lado da trilha, à maneira de Ivanhoé, roubando os ricos. Fui princípe e pobre com Mark Twain e com ele também viajei através do tempo quando fui um Connecticut Yankee na corte do rei Arthur.
Tudo isso antes de completar treze anos. Depois dos treze é outra história. Os livros ficaram mais complexos, assim como eu. Como poderia ter tanta experiência com tão pouca idade? Sabe, sou o que leio.
©Ladyce West, Rio de Janeiro, Janeiro de 2020
Apaixonada por Manet, 2010
Carmo Soá (Brasil, 1962)
óleo sobre tela, 81 x 65 cm
Retrato de dama com livro junto a uma fonte, c. 1785
Antoine Vestier (França, 1740 – 1824)
óleo sobre tela, 130 x 98 cm
MASP — Museu de Arte de São Paulo, São Paulo
Joseph Joubert