Descanso
Witha Lacuesta (Alemanha-EUA, contemporânea)
aquarela
“Sem lágrimas no escritor, sem lágrimas no leitor.“
Ernest Hemingway
Descanso
Witha Lacuesta (Alemanha-EUA, contemporânea)
aquarela
Ernest Hemingway
A jovem irlandesa
William Dargie (Austrália, 1912-2003)
óleo sobre tela, 69 x 59 cm
A carta
Abbot Fuller Graves (EUA, 1859 – 1936)
Óleo sobre tela, 23 x 25 cm
Mãe e filha lendo
Eduardo Feitosa (Brasil, 1957)
óleo sobre tela
Raimundo Correia
Repica o sino na matriz da vila,
Como um dia de gala…
São dez horas somente; o sol rutila,
Faísca o espelho de cristal na sala.
A pêndula palpita,
Compassada e monótona; singelo,
Numa gaiola, elétrico saltita
Um canário amarelo.
São dez horas; erguidas
As persianas deixam ver, distantes,
Das árvore floridas
As frondes verdejantes.
Sutil essência de magnólia e rosa
Repassa o ambiente,,, e a mãe a ler ensina,
Sorrindo carinhosa,
A loura filha, ingênua e pequenina.
Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, p. 24.
Uma leitura silenciosa, 1915
Roderic O’Conor (Irlanda, 1860-1940)
óleo sobre tela
Senhora lendo jornal
Emilio Grau Sala (Espanha, 1911 – 1975)
óleo sobre tela, 60 x 72 cm
“À direita do velho Gabriel, com os olhares paralelos, presos em pontos abstractos e desfocados, estavam os irmãos. Os seu olhares eram iguais, mas não viam o mesmo. Eram o mesmo olhar a ver duas coisas. Durante os meses em que estava parado, era, os irmãos que tomavam conta do lagar. Sempre juntos, sempre um ao lado do outro, envelheceram ao mesmo tempo: tinham a mesma curva nas costas, o mesmo andar pouco ligeiro e, sem que o soubessem, o mesmo número exacto de cabelos brancos na cabeça. Já tinham passado muito mais de setenta anos da manhã de agosto em que, ao mesmo tempo, nasceram, rasgando a mãe por dentro à sua passagem. Contavam os mais velhos, que tinham ouvido dos seus pais, que, assim que lhes cortaram os cordões umbilicais, a mãe os olhou e viu ainda que eram siameses. Morreu alguns minutos depois, sem dizer uma palavra. O seu enterro foi seguido por toda a vila e sentido como uma tragédia entre as maiores. Todas as pessoas da vila davam os pêsames ao pai dos irmãos, pela esposa e pelos filhos, pois todos cuidaram que crianças assim não medravam. Mas, no momento em que a mãe era enterrada, os meninos dormiam sobre três cobertores dobrados, no quarto do pai, ao lado da cama onde a mãe se esvaíra em sangue. De pele muito enrugada, os meninos dormiam , com as mãos que tinham unidas levantadas sobre o lençol que os cobria, como num orgulho inocente de serem irmãos. E, sob o olhar preocupado das pessoas, cresceram como crescem as crianças. Com os anos, muitos lhes quiseram analisar as mãos e todos se arrepiavam com o que viam: a mão direita de um e a mão esquerda do outro estavam unidas pelo dedo mindinho. Tinham as mãos muito elegantes, finas, dedos longos, mas a partir da última norça do mindinho, os seus dedos fundiam-se e terminavam numa só unha. Todos os que viam isto inventavam maneiras de os separar, mas o mais insistente foi o homem de arrancar dentes com o alicate. Inflamado, dizia conhecer homens que tinham cortado muitas pernas e muitos braços na guerra, e que tinha lido muitos livros com desenhos mesmo, e que cortar um dedo a uma criança é mais fácil do que podar uma parreira. E o pai dos irmãos perguntou-lhe e como é que eu decido qual deles é que fica sem dedo? E o homem de arrancar dentes com um alicate, imediato, respondeu já tinha pensado nisso, o mais justo é cortar o dedo aos dois. O pai dos irmãos olhou-o por um instante e não voltou a falar com ele. ”
Em: Nenhum olhar, José Luís Peixoto, Dublinense: 2018, páginas 17 e 18.
Inverno
Dana Krinsky (Israel, 1969)
óleo sobre tela, 50 x 60cm
Augusto Cury
Augusto Cury
A noite antes das provas, 1895
Leonid Osipovich Pasternak (Rússia, 1862-1945)
óleo sobre tela
Musée d’Orsay, Paris