Leitura, c. 1913
Lasar Segall (Lituânia-Brasil, 1889-1957)
óleo sobre papelão, 66 x 56 cm
Museu Lasar Segall, SP
Leitura, c. 1913
Lasar Segall (Lituânia-Brasil, 1889-1957)
óleo sobre papelão, 66 x 56 cm
Museu Lasar Segall, SP
Leitora, 1960
Gerhard Richter, (Alemanha, 1932)
óleo sobre madeira, 102 x 70 cm
Nem todas as leituras precisam ser sérias. Há horas para diversão. Recentemente meu grupo de leitura escolheu esse tipo de livro: As pessoas na plataforma 5, da autora inglesa Clare Pooley, tradução de Cecília Camargo Bartalotti, Verus: 2024. Trata-se de um grupo de desconhecidos que tomam o mesmo trem Hampton Court-Waterloo Station -Londres, todas as manhãs. Não se conhecem até que uma emergência, um dia, serve de motivo para que comecem a interagir.
A figura principal é uma escritora com coluna em jornal aconselhando leitores. Iona Iverson, de 57 anos, não consegue passar despercebida. Tem uma personalidade expansiva, roupas coloridas, uma bolsa gigante, onde carrega chá, garrafa térmica, xícara e pires. Havia sido uma jovem atraente, a verdadeira IT-GIRL, na década de 60-70. Mas no momento sente-se desprezada por seus empregadores e acredita ser discriminada por sua idade.
Outros passageiros, que eventualmente se “confessam” com Iona, são Sanjay, um enfermeiro oncologista que sofre de ataques de pânico e anda encantado com outra passageira: Ema. Piers é o engravatado homem do mundo financeiro, infeliz com sua profissão. Emmie, leitora obstinada, é a jovem que trabalha em marketing e tem um namorado controlador, que a obriga a dizer a toda hora onde se encontra e o que faz. Há também a adolescente Marta que sofre bullying na escola e David, o esquecível advogado perto de se divorciar.
Já podemos ver, pelos problemas de cada passageiro, que Clare Pooley dedica-se a passar os olhos sobre alguns problemas que afligem a sociedade atual: Alzheimer’s, Bullying, Etarismo, Stalking, síndrome do pânico e muitos outros. No entanto, o tom desse livro é leve, há momentos verdadeiramente engraçados e outros um tanto sentimentais. No todo, essa obra é inconsequente, alegre, e acaba da melhor maneira possível. É um pouco longa. Poderia ter sido cortada por um terço mais ou menos, retirando as passagens que se prolongam sem adicionar nada de valioso. A média dos pontos das leitoras desse grupo foi três estrelas de cinco. Quase o que eu daria, também. Se esse tipo de história, que parece uma mini série televisiva é do seu agrado para diversão, leia. Foi assim que vi: a escritora pensou em construir um conjunto de personagens, trabalhando assuntos da moda, com esperança de servir eventualmente como inspiração para algum serviço de stream.
Moça lendo, 1911
William Chadwick (EUA, 1879-1952)
óleo sobre tela
Eugène Delacroix
Jovem lendo em frente a casas em rua residencial
David Woodlock (Inglaterra, 1842-1929)
aquarela, 28 x 22 cm
Moça com gorro, lendo, depois de 1880
Marie R. Dixon ( EUA, ? – 1896)
óleo sobre tela, 44 x 36 cm
W. Somerset Maugham
Homem escrevendo, 1890
Heinrich Breling (Alemanha, 1849-1914)
óleo sobre madeira, 13 x 17 cm
Waldir Neves
Vamos, querida, pelo mundo afora,
mirar os lírios brancos dos caminhos…
Vamos beber a luz pura da aurora,
embalados nos cânticos dos ninhos.
Vamos de perto ver a flor que chora,
pela fonte levada em torvelinhos…
Vamos colher as rosas, sem demora,
antes que murchem — sem ligar a espinhos.
Vamos buscar o belo onde ele exista,
sempre a sonhar, sonhando noite e dia,
que é com sonhos que o belo se conquista.
Vamos criar a mística de crer
que a vida é bela… é amor… é fantasia…
e há que sonhar e amar… para viver!…