Imagem de leitura — Paul Delvaux

3 04 2016

 

 

the-man-in-the-street-1940O homem na rua, 1940

Paul Delvaux (Bélgica, 1897-1994)

óleo sobre tela, 130 x 150 cm

Museu de Arte Walon, Bélgica





Imagem de leitura — Arie Azene

30 03 2016

 

 

Arie Azene (Israel, 1934) Blue Chairs Cafe, tecnica mistaBlue Chairs Cafe

Arie Azene (Israel, 1934)

técnica mista, 3-D, 120 x 84 cm





Ao pé da letra, um grupo irmão, uma consequência do Papalivros

28 03 2016

 

Trude Waehner (Áustria, 1900-1979), Margret Grump,ost,61 x 50 cmMargret Grump

Trude Waehner (Áustria, 1900-1979)

óleo sobre tela, 61 x 50 cm

 

 

Ontem foi o dia do primeiro encontro do novo grupo de leituras chamado Ao pé da letra.  Este grupo, que já começa lotado e com fila de espera, é resultado direto do Papalivros, que em abril deste ano completa 13 anos de atividade ininterrupta, ou seja 156 livros lidos.

Por causa da página do Papalivros neste blog sempre tivemos uma fila de espera.  Mas ultimamente a fila de espera estava muito longa com mais de 55 pessoas, só aqui no Rio de Janeiro.  Assim resolvi ver se consigo, e acho que conseguirei, orquestrar mais um grupo.

Como aconteceu no primeiro grupo, este começa com membros de ambos os sexos, com pessoas dos mais variados caminhos que têm o amor à leitura e que gostariam de discutir, conversar, expressar suas opiniões a respeito daquilo que leem, enquanto forjam novas amizades, novos conhecimentos.

Começamos com um número maior do que o previsto para um bom desenrolar das funções, porque a experiência diz que muitos imaginam ter mais tempo do que de fato dispõem. Manter a leitura de um livro por mês pode ser mais difícil do que se imagina.

Ao pé da letra, assim como Papalivros, terá uma página neste blog.  Mantivemos no grupo quase tudo que deu certo no outro grupo. A frequência dos encontros, a localização, o tipo de discussão, a maneira de avisar, o horário.  Mas sobretudo a vontade de conexão com o outro.

A seleção de livros é democrática, com sugestões vindas dos membros.  Assim como a definição dos estilos de leitura.  Enquanto o Papalivros se concentra exclusivamente em literatura contemporânea,  o Ao pé da letra abrirá os horizontes para incluir biografias, história e outros estilos.

A primeira leitura foi Um homem chamado Ove, de Fredrick Backman, estipulado pelo Papalivros.  A segunda, a de abril é Infiel, de Ayaan Hirsi Ali.

Você poderá acompanhar os títulos escolhidos pelo grupo através da página neste blog.

Parabéns a todos os participantes.  Foi um prazer — verdadeiro — conhecê-los ontem.  Boa sorte e boas leituras.  Que este grupo tenha tanto sucesso quanto seu irmão mais velho.





Imagem de leitura — Robert Campion

22 03 2016

 

Robeert Campion, (nova Zelândia), wwwrobeertcmpionconzMenina lendo, homenagem a Vermeer

Robert Campion (Nova Zelândia, contemporâneo)

óleo sobre tela





Imagem de leitura — Patrick Desmet

21 03 2016

 

 

652 Patrick Desmet

Sem título

Patrick Desmet ou Patrick De Smet (Bélgica, 1964)

Técnica mista com fotografia





Minutos de sabedoria — Chamfort

17 03 2016

 

 

Simone Balvi ( França, 1938)Hora do chá

Simone Balvi (França, 1938)

óleo sobre tela, 50 x 50 cm

 

 

“A falsa modéstia é a mais decente de todas as mentiras.”

 

 

ichamfo001p1Chamfort




Imagem de leitura — Albert Gleizes

16 03 2016

 

 

GLEIZES, ALbert, Portrait-of-Madame-H.-M.-Barzun-by-Albert-Gleizes-1881-1953,data 1911, The McNay Art Museum, San Antonio, txRetrato de Mme H. M. Barzun, 1911

Albert Gleizes (França, 1881-1953)

óleo sobre tela

The McNay Art Museum, San Antonio, Tx

 





Resenha: “As aventuras de um coração humano” de William Boyd

13 03 2016

 

Danielle Klebes (EUA,)Dalton the writer, ost,50x60cmDalton, o escritor

Danielle [Klebes] James (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela, 50 x 60cm

 

As aventuras de um coração humano é um livro extraordinário e se destaca na literatura contemporânea. Meu primeiro contato com William Boyd foi com Brazzaville Beach, lido no início dos anos 90. Seduzida pela narrativa, procurei e li as obras anteriores do autor: The Ice Cream War e A Good Man in Africa, e mais tarde Armadillo. Depois, dei uma pausa. Comprei Solo e Restless. Ambos se encontram na minha estante. Mas não os li. Fui aconselhada a ler As aventuras de um coração humano. Ainda bem que segui o conselho. Que obra! Ficção da melhor qualidade.

Trata-se da história de Logan Mountstuart, cidadão inglês, nascido em 1906. Acompanhamos sua vida desde a universidade, Oxford, onde ele se esforça para obter um diploma em história. Seguimos sua trajetória até falecer, aos oitenta e cinco anos, em 1991. Nosso conhecimento do personagem é intimo, pois vem através de seus diários. Sabemos o que faz, seus motivos, suas fragilidades. Tomamos conhecimento do que lhe dá medo, prazer, alegria, desespero. Podemos achar que é um bobo, um sem-vergonha, um escritor inteligente, um oportunista, um homem honesto, um herói. Rico ou pobre (ele vai de um extremo ao outro) seguimos sua vida, a aventura de viver, sua saga particular.

 

AS_AVENTURAS_DE_UM_CORACAO_HUMANO_1258491923B

 

No ano passado, as teorias do Dr. Arthur Aron que há mais de 20 anos mostrou como duas pessoas desconhecidas poderiam se apaixonar, se respondessem a 36 perguntas íntimas, olhando nos olhos um do outro, voltaram às notícias científicas. Sua teoria, que muitos haviam questionado, parece ter sido redescoberta e reavaliada. O que se provou é que há maior probabilidade de uma paixão ser iniciada quando há aproximação, contato entre duas pessoas, através do conhecimento de detalhes íntimos que são revelados enquanto se olha nos olhos do interlocutor até então desconhecido. É claro que o leitor de As aventuras de um coração humano não consegue olhar nos olhos de Logan Mountstuart, mas é capaz de conhecer intimamente o homem através de seu diário, revelador de detalhes íntimos, de desejos recônditos, desgostos, esperanças, amores e fantasias eróticas. Acompanhamos esse homem por mais ou menos sessenta anos. E assim como na teoria de Arthur Aron professor de psicologia na SUNY [State University of New York], nos apaixonamos por Logan Mountstuart à medida que o conhecemos intimamente. Amor que independe das idiossincrasias, do comportamento ocasionalmente duvidoso, do conhecimento de motivos nem sempre nobres do nosso herói do cotidiano do século XX.

A vida de Logan se desenvolve em paralelo e por dentro da história do século passado. Por isso, vemos como os eventos que nada têm a ver com o homem comum, chegam a influenciar suas decisões, sua sorte, seu destino. Isso, adicionado às escolhas feitas, às vezes por capricho, pode ter consequências inimagináveis na vida de uma pessoa. A sorte distribui suas benesses, vendada. Sobreviver é “matar um leão por dia”, mas muito do que fazemos, muito do que decidimos, tem uma grande percentagem da ocasião, do momento, da chance, do azar, da coincidência. Logan não é um herói, é um homem comum, um escritor que atinge um certo sucesso. No entanto sua vida tem viradas incríveis, ocasionais, acontecidas por decisões pequenas, dele ou daqueles que o circundam, ou até mesmo daqueles que não conhece. É natural, portanto, que ao final da vida ele escreva: “No fim, é isto que se leva da vida: o agregado de toda a sorte e de todo o azar que se experimenta. Tudo é explicado por essa fórmula simples. Junte tudo — olhe as respectivas pilhas. Não há nada que se possa fazer: ninguém compartilha, aloca isso para esse ou para aquele, simplesmente acontece. Temos que sofrer as leis da condição humana silenciosamente, como diz Montaigne.” [p. 482] Logan luta pela sobrevivência física, profissional, emocional toma decisões que nem sempre são as melhores e por vezes só encontra suas consequências uma ou duas décadas mais tarde. Mas ele não deixa de ser um herói do dia a dia, um homem comum que reflete tudo que fazemos com heroísmo para a sobrevivência.

Muito deve ser dito a respeito da maravilhosa montagem dessa história. Li numa entrevista de William Boyd para o jornal inglês The Guardian, em novembro de 2004 [Nice one, Cyrill] que uma das coisas que ele achou mais difíceis foi escrever as entradas nos diários, em linguagem plena, sem ser uma linguagem literária, e que não viesse a descortinar o futuro, porque quando se escreve um diário, não se tem ideia daquilo que virá a ser importante na sua vida no futuro. “O futuro é um vazio: não sabemos se esta decisão que tomamos virá a mudar a nossa vida.” [The future is a void: we don´t know if this decision we have taken will be life-changing…] Por isso, escrever ficção como entradas em um diário parece requerer outra dose de criatividade.

 

118438099_boyd_367375cWilliam Boyd

 

William Boyd trabalhou seu texto com excelente artesania. Tão convincente, de fato, tão preciso na escolha dos detalhes da cena artística europeia da primeira metade do século passado, e de novo tão verossímil nas descrições do mundo das artes em Nova York depois da Segunda Guerra, tão crível, que me encontrei, mais de uma vez, procurando por Logan Mountstuart no Google, certa de que se tratava, de fato, da vida de algum um escritor e crítico de arte de pequeno porte, mas do mundo real e não imaginário. Isso graças à enorme pesquisa de detalhes das cenas artísticas de Paris, Londres e Nova York, fatos talvez nem tão importantes, e certamente desconhecidos da maioria do público, mas que sendo verdadeiros dão uma imensa riqueza na contextualização do personagem.

Em 2010 li um livro de ficção, também em forma de diário da escritora canadense Carol Shields, que achei uma obra espetacular, de grande criatividade. Chama-se Os diários de pedra [RJ, Record:1996]. Também em forma de diário, esse livro me deixou igualmente perplexa: saber que se trata de ficção, mas simultaneamente não acreditar que tudo, tudo não fazia parte de uma vida real, foi difícil. O livro de Shields, no entanto, baseava-se quase todo em fatos imaginados, e os eventos descritos tinham a ver quase que exclusivamente com os personagens envolvidos. A obra ainda se apoiava em fotografias em preto e branco dos supostos membros da família retratada. As aventuras de um coração humano não usa desse artifício, nem precisa. E além disso, a ficção se entremeia tão bem com a vida histórica que outros leitores também expressaram sua perplexidade, sua descrença de que não se tratava de alguém que havia de fato existido. Suas opiniões no site da Amazon, como no site Goodreads, mostram que eles também tiveram reações semelhantes à minha.

Quando Logan Mountstuart chega ao final, viveu uma vida plena. Compartilhamos suas ilusões e frustrações. Somos seus amigos. Sabemos de quem se trata. Ele consegue ainda assim nos surpreender, mas de acordo com sua filosofia de vida. E sentimos o seu fim, como sentimos a morte de um amigo, de alguém que conhecemos bem. Poucas vezes me emociono com o que leio. Mas reconheço que fiquei entristecida ao saber do fim, desse amigo que eu adquirira através as quinhentas e poucas páginas do livro. Acho que você também poderia gostar dele. Não perca essa oportunidade.

Salvar





Sublinhando…

12 03 2016

 

Abel Boulineau Auberive, França,1839 -), 1934 La lectrice Huile sur toile, leilão

A leitora

Abel Boulineau Auberive, (França,1839 – 1934?)

óleo sobre tela, 45 x 31 cm

 

“É sempre estranho quando um pintor competente começa a pintar mal deliberadamente. Só os grandes mestres conseguem fazer isso bem (Picasso).”

 

 

William Boyd

 

Em: As aventuras de um coração humano, William Boyd, Rio de Janeiro, Rocco: 2008, tradução de Antônio E. de Moura Filho, p. 384.





Imagem de leitura — Ethel Sands

6 03 2016

 

 

Sands, Ethel, 1873-1962; The Bedroom at Auppegard, France, Girl ReadingO quarto em Auppegard, França

Ethel Sands (Inglaterra, 1872-1962)

óleo sobre tela, 51 x 61 cm

Guildhall Art Gallery, Londres