Trompe l’oeil, moda no século XVII

19 02 2026

 

Trompe l’œil de jornais e instrumentos de escrita sobre uma placa de madeira, 1698

Edwaert Collier (Holanda, 1642 – 1708)

óleo sobre tela, 60 x 48 cm

À venda na Sotheby’s  em 2022

 

 

 

A expressão trompe l’oeil (do francês, ‘engana o olho’) é utilizada mundialmente para descrever pinturas que desafiam a percepção humana ao projetar objetos tridimensionais sobre superfícies planas. Essa técnica, perseguida por artistas ao longo das eras, encontra raízes profundas na Antiguidade, como demonstram os afrescos murais que adornavam as residências em Pompeia e Herculano.
No século XVII, a Holanda testemunhou um apogeu de colecionadores ávidos por esse ilusionismo pictórico. Entre os mestres do gênero, destaca-se Edwaert Collier (1642–1708), cujas telas continuam a fascinar o olhar contemporâneo. Especialista em composições que reúnem diários, gravuras, cartas, medalhas e lacres de cera, Collier elevou a natureza morta a um novo patamar, dialogando com a estética dos ‘gabinetes de curiosidades’ populares na época. Suas obras são, em essência, um registro meticuloso do efêmero.

A obra de Edwaert Collier  está sempre à procura da beleza, mas ele também que desafiar nossos olhos nos fazendo duvidar do que vemos. Seja em um afresco romano ou em uma tela holandesa do século XVII, o trompe l’oeil continua a nos capturar pelo puro prazer da descoberta: aquele instante mágico em que percebemos que fomos gentilmente enganados pelo pincel.

 

Seguem alguns exemplos de sua obra. 

Trompe l’œil, diversos instrumentos de escrita, pente, jornais, 1696

Edwaert Collier (Holanda, 1642 – 1708)

óleo sobre tela, 69 x 84 cm

Museu de Arte de Indianápolis

 

 

Trompe l’œil, diversos instrumentos de escrita, 1699

Edwaert Collier (Holanda, 1642 – 1708)

óleo sobre tela

Victoria & Albert Museum, Londres

 

 

Trompe l’œil, O cheiro, c. 1701-1708

Edwaert Collier (Holanda, 1642 – 1708)

óleo sobre tela, 52 x 63 cm

Museu de Belas Artes, Houston, TX

 

Nota: há outras versões dessa tela.

 

 

Trompe l’œil, com porta cartas e a gravura de uma mulher, e um discurso de 1704 no Parlamento, s/d

Edwaert Collier (Holanda, 1642 – 1708)

óleo sobre tela, 51 x 61 cm

Coleção Particular

 

Nota: há outras versões semelhantes a essa tela, pelo próprio pintor.

 

Trompe l’œil, Porta-cartas, 1692

Edwaert Collier (Holanda, 1642 – 1708)

óleo sobre tela

Detroit Museum of Art





Todo mundo lê!

13 01 2026
Ilustração Hans De Beer (Holanda, 1957).




No trabalho:

11 11 2025

Limpando as janelas

Johan Antonie de Jonge (Holanda, 1864-1927) 

óleos sobre tela, 68 x 52 cm

 

Nota: as obras desse pintor estão nas últimas décadas em maior procura.  Com a falta de obras de arte dos tradicionais impressionistas europeus, os quadros de Johan Antonie de Jonge, que além de pintor foi um advogado, têm ganhado seguidores, por seus temas leves, cenas de praia e do dia a dia, cuja maneira de pintar lembra o trabalho de muitos impressionistas de segunda geração.





A arte do desenho: Hendrick Goltzius

13 07 2025

Outono, s/d

Hendrick Goltzius (Holanda, 1558-1617)

Desenho preparatório para gravura em metal

Metropolitan, NY





Imagem de leitura: Jeroen Allart

20 04 2025

Rapaz lendo, 2022

Jeroen Allart (Holanda, 1970)

óleo – acrílica sobre tela, 50 x 50 cm





Imagem de leitura: Jeroen Allart

17 04 2025

Lendo Picasso, 2023

Jeroen Allart (Holanda, 1970)

óleo sobre tela, 80 x 80 cm





Amsterdã no século XVII, José Rodrigues dos Santos

2 02 2025

Mapa de Amsterdã no século XVII.  A cidade era capital dos Países Baixos e o maior porto no delta do Rio Amstel.  O século XVII, também chamado de Século de Ouro, foi um período de grande prosperidade no país, fazendo de Amsterdã uma das cidades mais ricas do mundo.  Mapa de 1652, do cartógrafo  Joan Blau (1596-1673).

 

 

Amsterdã era uma das maiores cidades do planeta, prodígio da civilização, epicentro do comércio mundial. As suas ruas estreitas, forradas por armazéns e cortadas por pontes, cheiravam a óleo de fritar, a cerveja e a tabaco felpudo, odores tão densos que se diria formarem uma neblina aromática. Todos os novos edifícios eram em tijolo, estreitos e de fachadas ornamentadas por um arenito claro, mas ainda se viam amiúde construções em madeira, vestígios dos tempos medievais. A maior parte das construções tinha dois andares acima do rés do chão, mas viam-se algumas de três e quatro andares e a mais alta chegava, para pasmo dos visitantes, aos sete. A riqueza da cidade atraíra imensa gente e a maior parte daqueles imóveis tinham sido retalhados em vários apartamentos para alugar por uma bela maquia ao crescente número de pessoas que por ali procuravam alojamento. Havia lojas por toda parte, decoradas com as mais variadas tabuletas; tão bonitas que a chamada uythangboord se tornara mesmo uma forma de arte. O movimento de carroças, fiacres e caleches nas ruas pavimentadas e de transeuntes nas bermas mostrava-se intenso, mas nem todos os que por ali deambulavam eram neerlandeses; viam-se muitos estrangeiros, sobretudo visitantes aliciados pela fama da prosperidade e da higiene da cidade. As maravilhas que se diziam de Amsterdã eram tantas e tão grandes que os forasteiros iam ali para se certificarem de que as descrições fabulosas que lhes haviam feito correspondiam mesmo à verdade, que era possível uma cidade ser limpa e bem-cheirosa, que existia mesmo uma urbe à face da Terra onde não havia mendigos a cada esquina e onde a prosperidade saltava à vista de todos, com estabelecimentos comerciais a venderem tudo de todo o mundo.

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Ao longo da Breestraat viam-se as lojas e os armazéns a exibirem os produtos mais variados; muitos provenientes de empresas neerlandesas como a Companhia das Índias Orientais e a Companhia das Índias Ocidentais, outros de empresas portuguesas como a Carreira das Índias e a Companhia Geral do Comércio do Brasil, outros ainda de navios oriundos de Veneza, de Antuérpia, de Hamburgo ou de outros pontos, incluindo saques efetuados por corsários marroquinos. As prateleiras enchiam-se assim de porcelanas de Cantão e de Nuremberg, tapetes de Esmirna, tulipas de Constantinopla, sedas de Bombaim e de Lyon, pimenta das Molucas, sal de Setúbal, linho branco de Haarlem, lã de Málaga, faiança de Delft, sumagre do Porto, açúcar do Recife, madeira de Bjørgvin, tabaco de Curaçau, marfim de Mina, azeite de Faro. Havia ali de tudo e de toda a parte, como se o bairro português de Amsterdã fosse o bazar dos bazares, o mercado do mundo.

 

 

Em: O segredo de Espinosa, José Rodrigues dos Santos, Planeta: 2023.





Eu, pintor: Aelbert Cuyp

23 09 2024

Auto-retrato como criança, c. 1650

[Atribuído]

Aelbert Cuyp  (Holanda, 1620 – 1691)

óleo sobre tela

Museu Bredius, Haia

 





Os meninos de Frans Hals

16 04 2024

Menino rindo, c. 1625

Frans Hals (Holanda, c. 1582– 1666)

óleo sobre madeira, 30 cm diâmetro

Mauritshuis, Haia

 

 

 

Retrato de menino, c. 1640

Frans Hals (Holanda, c. 1582– 1666)

óleo sobre madeira, 30 cm diâmetro

Coleção Particular

 

 

 

Menino cantando com flauta na mão, c. 1623

Frans Hals (Holanda, c. 1582– 1666)

óleo sobre tela, 68 x 55 cm

Gemäldegalerie, Berlim

 

 

 

 

 

Menino lendo  [Nicolas Hals]

Frans Hals (Holanda, c. 1582– 1666)

óleo sobre tela  76 x 63  cm

Coleção  Dr. Oscar Reinhardt (Winterthur), Suíça

 

 

 

Dois meninos cantando, c. 1625

Frans Hals (Holanda, c. 1582– 1666)

óleo sobre tela  66 x 52 cm

Gemäldegalerie Alte Meister, Kassel, Alemanha

 

 

 

Dois meninos pescadores na paisagem, c. 1629

Frans Hals (Holanda, c. 1582– 1666)

óleo sobre tela  75 x 70 cm

Coleção Particular

 

 

 

 

Retrato de menino, c. 1635

Frans Hals (Holanda, c. 1582– 1666)

óleo sobre madeira,  31 cm de diâmetro

Coleção Particular

 

 

 

Menino pescador, c. 1630-32

Frans Hals (Holanda, c. 1582– 1666)

óleo sobre tela, 72 x 58 cm

National Gallery, Dublin, Irlanda

 

 

 

Menino bebendo, c. 1625-28

[Provavelmente de série dos cinco sentidos: paladar]

Frans Hals (Holanda, c. 1582– 1666)

óleo sobre madeira,  38 cm de diâmetro

Staatliches Museum, Schwerin, Alemanha





Em casa: David Oyens

13 09 2020

Trabalho de família

David Oyens (Holanda, 1842 – 1902)

óleo sobre madeira, 49 x 40 cm