Aventura de Natal, na corte de Henrique VIII

2 01 2023

Corte de Henrique VIII, com Jane Seymour e Príncipe Edward, 1545

DETALHE  (veja o painel completo abaixo)

Hampton Court Palace, Londres

 

 

Em 1536 quando o rio Tâmisa congelou, em Londres, Henrique VIII e Jane Seymour, terceira esposa do monarca,  saíram dos serviços religiosos na Catedral de Saint Paul, e se dedicaram a uma cavalgada pelo rio congelado, galopando até a margem em Surrey, para o Palácio Greenwich, onde as grandes festividades natalinas aconteciam.

As comemorações de Natal até recentemente na Europa se realizavam por doze dias, do dia 25 de dezembro ao dia de Reis, ou Epifania. [Há mais informações neste blog: Hoje, dia de Reis.].  Portanto é interessante saber que as festas dos doze dias de Natal tinham características grandiosas.  Havia um bolo feito com frutas secas, farinha, mel e especiarias.  Nos Estados Unidos esse bolo, ainda faz parte do Natal, com o  nome de fruit cake. Dentro deste bolo  eram colocados um feijão e uma ervilha.  Ao fatiar o bolo, servido aos visitantes na hora da chegada saberia-se quem seriam os respectivos “Reis do Feijão e da Ervilha”, por aquela noite. Estes ficavam com a incumbência de liderar todos os convidados a cantar, dançar e fazer brincadeiras que incluíssem os presentes.  Na corte de Henrique VIII estes reis da noite eram selecionados a priori.

Nas casas das grandes famílias da corte no período Tudor, os 12 dias de Natal incluíam  festejos, banquetes, procissões e brincadeiras presididas por uma pessoa chamada Senhor do Desgoverno [Lord of Misrule]. Estas festas eram às vezes também visitadas por outros personagens natalinos: Capitão Natal ou Príncipe Natal, cujo papel era se certificar que todos os participantes se divertissem. Um dos personagens favoritos nas peças encenadas no período Tudor chamava-se Pai Natal [Father Christmas].  Vestido de verde e usando máscara e peruca, ele passeava por entre os convidados gritando furiosamente, empunhando um grande cajado.

 

 

A família de Henrique VIII, 1545

Hampton Court Palace, Londres





Esmerado: Cofre Becket, c. 1180-1190

3 01 2017

 

 

2015hx3366_jpg_lCofre, c. 1180-1190

Artesania anônima, origem francesa, de Limoges

Cobre, esmalte em champlevé, cristal, vidro, alma em madeira

Victoria & Albert Museum, Londres

 

 

Thomas Becket foi assassinado em 1170 (29 de dezembro) na catedral de Canterbury onde era arcebispo.  O mandante do crime levado a cabo por quatro cavaleiros da corte foi o Rei Henrique II.  Esse evento foi amplamente noticiado e logo provocou indignação em toda a Europa.  O túmulo de Becket, que foi canonizado em 1173, tornou-se um lugar de peregrinação famoso até, 1538 quando foi destruído, como parte da Dissolução dos Mosteiros,  provocada pelo rei Henrique VIII. As relíquias de Becket  foram muito procuradas e muitas vezes eram alojadas em cofres elaborados, semelhantes a esse.

Este cofre tem como decoração cenas dos últimos momentos da vida de Becket, seu assassinato,  enterro, e a elevação de sua alma ao céu.  Cenas do martírio de Becket foram comuns em Canterbury.

 

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Esmerado: Cálice de cristal de rocha, c. 1230

23 11 2016

 

108894656Cálice  em cristal de rocha montado em prata. No cristal de rocha gravado: Arte Rhéno-Mosan, c. 1230. O pedestal em prata inglesa da época de James I (1566-1625). Altura 11 cm; largura com as alças, 10 cm

 

O bojo do cálice em cristal de rocha está decorado com volutas acabando em pétalas. Este tipo de bojo  também aparece em um pouco mais de uma dúzia de objetos reconhecidos como exemplos de cristal de rocha gravado no ocidente sob a influência dos fatímidas e bizantinos importados da Europa depois dos saques de Cairo em 1062 e de Constantinopla em 1204.

Trabalhos em cristal de rocha decorado com volutas que nos chegam até hoje pertenciam a relicários.  Transformado em cálice montado em pedestal de prata no início do século XVII, esse bojo evidencia um relicário do século XIII, provavelmente  confiscado por Henrique VIII da Inglaterra, durante a dissolução dos mosteiros em 1538. Posteriormente montado em prata. Há semelhantes exemplos na Inglaterra.

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