Metrô do Rio de Janeiro, Janeiro de 2026.
Reorganizar o escritório não é fácil. E nem é só organizar livros. Em geral organizamos de quebra, papelada, gavetas da escrivaninha, dos armários, dos móveis à nossa volta. Minha cortina, ainda não chegou. Espero há um mês. Trabalhar com o computador virado para o janelão requer o uso de um boné, cuja aba quebra a luz entrando. O caos ainda não foi domado.
Tenho três gavetas com fotos da família. Não só da minha geração. Tenho fotos de meus bisavós, sei quem são, seus nomes, de onde eram. Meus pais tiveram cuidado de nos informar sobre isso. Acabei com as fotos, porque minha mãe morou comigo nos últimos anos de vida. Herdei a documentação iconográfica da família. E ontem consegui uma companhia que irá multiplicar as fotos, para que cada sobrinho tenha fotos de todos com seus rótulos, quem é quem, onde estavam, de onde vieram. Esse será parte do meu legado.
Esse tempo todo, selecionando fotos, organizando a família por lado de mãe e pai, trouxe reflexões que provavelmente aparecerão em escritos futuros, mesmo que de forma oblíqua. Com essa tradição familiar, eu me lembrei do choque que ainda tenho, toda vez que vou a uma feira de coisas antigas, como na Praça Quinze de Novembro aqui no Rio de Janeiro, ou na Praça Santos Dumont e vejo dezenas de fotos, abandonadas por famílias que se desfizeram dos bens de algum familiar já falecido. Não ligar para fotos de antepassados que não conhecemos, é comum. Não é fenômeno brasileiro. O mesmo acontece no exterior, no mercado das pulgas parisiense, na feira de usados da Praça das Armas em Madri, nas feiras americanas, nos leilões de espólios nos EUA. É comportamento mundial. A minha régua é que não é a mesma. Talvez seja a historiadora em mim.
Eu pouco sabia sobre essa foto. Hoje sei exatamente quem são, onde moraram, quando morreram. O senhor, eu sabia quem era. Mas a esposa dele, a informação que tinha era: “a irmã do Eusébio”. Quem era Eusébio? Como se chamava sua irmã? Fui atrás das respostas. Hoje sei o nome de todos e sua saga. Preenchi alguns espaços em branco e com imaginação completei outros. Sei, por exemplo, que os três filhos, aí na foto, morreram jovens. Todos três de gripe espanhola, em anos diferentes. Morreram em Liège, na Bélgica. Esses dados, foram registrados num livro de preces, notas nas margens, numa caligrafia fininha, letrada. Há a listagem da temperatura das febres de cada paciente, e a data de sua morte. Triste. Devem ter sofrido muito. Os pais voltaram para o Brasil depois da tragédia, uma década após se mudarem para a Europa. Ele, que havia sido imigrante português, morreu no Brasil em 1944.
Ando perdida nesse passado que não conheci, mas que de alguma maneira é meu. Um momento ímpar, de pausa e reflexão. Nada mal para um início de ano.
©Ladyce West, Rio de Janeiro, 15 de janeiro de 2026.
Essa planta conhecida como Olhos de boneca leva o nome científico Actaea pachypoda. Também é conhecida como erva-de-são-cristóvão-branca e tem como aparência essas bagas brancas que à medida que amadurecem ganham o ponto preto no meio, dando a ela a aparência de olhos de cristal.
É natural da costa leste América do Norte (Estados Unidos e Canadá) assim como no centro-oeste do continente. Extremamente venenosa para o ser o humano, sua ingestão pode levar a óbito, tem a curiosidade de ser perfeitamente ingerida por algumas espécies de pássaros que ajudam a proliferar a espécie. Há abelhas, chamadas de abelhas da língua comprida que retiram pólen das flores brancas, que mais tarde se transformam nessas bagas.
Elas são plantadas só como plantas ornamentais e gostam de sombra ou sombra parcial.
Apesar de produzirem essas bagas volumosas de mais ou menos um centímetro de diâmetro, suas flores são muito delicadas, como mostra a foto acima. Chegam a 75 cm de altura.
Um filhote de araras azuis nasceu no Zoológico de Curitiba há um ano. Aos quatro meses a ararinha já estava quase do tamanho do pais. Veja um retrato dela aqui embaixo.
Essas flores são espetaculares. Pertencem a uma árvore chamada no Brasil como Cornalina (pelo menos foi assim que uma amiga do sul me disse [Benthamidia florida, Cynoxylon floridum] .A subespécie urbiniana, da foto, é notável pelas suas brácteas brancas que se fundem nas extremidades, criando um efeito de gaiola em torno das flores.
Cornalina, é um de muitos nomes dessa maravilhosa árvore, que se enche de flores, por mais ou menos duas semanas (Veja foto abaixo); é natural das montanhas do México. Mas também é conhecida, aqui no Brasil, como cornos, corniso-florido, corniso americano, corniso da Flórida, cornel branco e buxo falso (IA ajudou nisso aqui). A subespécie urbiniana é notável pelas suas brácteas brancas que se fundem nas extremidades, criando um efeito de gaiola em torno das flores. Essa subespécie com flores incomuns, não se abrindo completamente, juntando-se nas pontas, é mais rara.
São árvores boas para urbanização pois são de porte pequeno podendo ser usadas em calçadas com postes. Mas por aqui são cultivada por sua beleza ornamental; Pelas floradas, abundantes, pelas flores únicas. que a tornam um ponto focal nos jardins.
Pode ser usada em projetos de restauração de áreas urbanas e abandonadas mas lembrem-se de que é uma árvore de clima subtropical. No Brasil, elas se dão bem no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e em partes do sul de São Paulo e do Mato Grosso do Sul.


Quatro filhotes de leão, 2 meninas e dois meninos, nasceram em 2023 no Zoológico da cidade de Buffalo, NY, rebentos do casal de leões: Lusaka e Tiberius.