Curiosidade literária

11 12 2023

A jovem e o cão

Pedro Lira (Chile,1845-1912)

óleo sobre tela

 

 

 

Nadar ou escrever?  Houve um momento em que o escritor brasileiro Fernando Sabino (1923-2004) considerou esta escolha.  Foi campeão de nado sul-americano, aos dezesseis anos, em 1939, nado de costas, tendo treinado no Minas Tênis Clube em Belo Horizonte.  As forças da natação e da escrita lutavam pela atenção de Sabino simultaneamente, também em 1939, ficou em segundo lugar na Maratona Nacional de Português e Gramática Histórica, empatando com Hélio Pellegrino (1924-1988).  Mas sua adolescência já formava o escritor que conhecemos, pois começou a publicar seus contos aos doze anos, a primeira publicação na revista Argus, publicação da polícia, onde cabia perfeitamente o conto policial que escreveu. E seu primeiro livro de contos, Os grilos não cantam mais (1941) que foi publicado Rio de Janeiro teve a contribuição de alguns contos escritos quando Sabino tinha quatorze anos.  Ainda bem que escolheu a escrita!

 

 

 





Fernando Sabino: porque escrevo…

1 12 2023

Leitor

Mary Viola Paterson ( Inglaterra,1899-1981)

desenho

 

 

 

“Escrevo porque me sinto descompensado em relação à realidade. Preciso de uma verdade fora de mim em que me agarrar. Me sinto defasado. A minha realidade interior vive abaixo do nível da realidade que me cerca. Para restabelecer o equilíbrio , num contacto normal com os demais seres humanos, tenho que escrever, porque a recriação da realidade pela imaginação, através da linguagem escrita, é a maneira que tenho de me comunicar. Há uma espécie de catarse naquilo que escrevo: para não precisar de me deitar no divã de um psicanalista. Se escrevi, por exemplo um livro com o título, A faca de dois gumes, pode ter sido para não esfaquear alguém.”

 

Em: O tabuleiro de damas: trajetória do menino ao homem feito, Fernando Sabino, Rio de Janeiro, Record: 1988, p.18.

 

 





Uma amizade em cartas

9 11 2023

Homem Lendo

Antônio Hélio Cabral (Brasil, 1948)

 

 

 

 

Encontrei hoje essa deliciosa passagem no livro de Otto Lara Resende chamado O rio é tão longe: cartas a Fernando Sabino; em que Otto reclama do conto enviado a ele por Sabino.  Há humor, calor humano, camaradagem, puxão de orelha e a magia de uma grande amizade.

 

 

“… deixe-me protestar contra a torpeza de me ter mandado o conto com as páginas todas fora de ordem, o que me foi uma verdadeira calamidade. Eu estava tão burro que li tudo fora de ordem e é verdade que achei meio estranho, mas como grande e estranho é o mundo, fui logo achando deliciosa a sua loucura.

 

Em: O rio é tão longe: cartas aFernando Sabino, Otto Lara Resende,  introduçao de Humberto Werneck, São Paulo, Cia das Letras: 2011, p. 19