De olhos vendados, resenha de “A mulher silenciosa”, de A.S.A. Harrison

30 09 2014

 

 

frag_blindCabra-cega, 1756

Jean-Honoré Fragonard (França, 1732-1806)

óleo sobre tela,  116 x 91 cm

Toledo Museum of Art, Ohio

 

 

Ralph Waldo Emerson estava certo ao dizer: “É o bom leitor que faz o bom livro”. Isso se tornou evidente após a leitura de A mulher silenciosa de A. S. A. Harrison. Enquanto a maior parte das resenhas se concentra no suspense da trama, considerando esta publicação detetivesca, no meu grupo de leitura, o livro foi foco de uma discussão de hora e meia considerando o retrato psicológico da pessoa que se nega a ver a realidade de que não gosta. No hemisfério norte este livro foi lançado como ‘leitura de verão’, ‘leitura de férias’, o que quer dizer algo leve, inconsequente – aqui no Brasil estamos longe dessas segmentações editoriais por falta de leitores mesmo — e como ‘leitura praiana’ é entendida para a maioria como bom entretenimento, corretamente aliás, para nós, que aceitamos essa publicação sem a expectativa de um prazo de validade tão curto quanto a estação mais quente do ano, abre-se a possibilidade, não preconceituosa, de encontrarmos na intriga literária espaço para uma discussão aferventada sobre comportamentos decorrentes de traumas psicológicos.

Creio que fomos ajudadas em grande parte por termos duas psicanalistas na rodada de discussões, que nos enriqueceram o suficiente com referências de Freud a Lacan. Para mim, de forma oblíqua, este livro me lembrou um dos livros mais marcantes que li há uns anos, A solidão dos números primos de Paolo Giordano, por tratar das consequências na vida adulta de grandes problemas na infância. Em A mulher silenciosa, Jodi Brett é uma psicanalista que para -sobreviver traumas de infância, comporta-se como se não existissem, conseguindo mesmo esquecê-los providencialmente. Ela silencia. Passa a vida dessa maneira, organizada, sistemática, em controle. Vive maritalmente com um empreiteiro de sucesso, pelos último vinte anos. Ele, Todd Gilbert, também vítima de outro tipo de problema na infância, apesar de não gostar de falar no assunto, não o nega. Os dois parecem satisfeitos.

 

 

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Todd que é um Don Juan tem casos inconsequentes com diversas mulheres. Jodi sabe. Age como se só desconfiasse. Mas, na prática, cala sobre o problema, movendo-se como um gato, silenciosamente, cozinhando sedutores jantares na esperança de mantê-lo no ninho caseiro o maior tempo possível. Ela trabalha só pelas manhãs e ele, homem de sucesso financeiro, permite que nada falte na vida luxuosa que têm em Chicago, à beira do lago, com o cachorro Freud, e sem filhos. O problema é que Todd se envolve com uma moça muito mais jovem. Envolvimento típico de crise de meia-idade, mas ela leva a sério. Engravida. Separação à vista para Jodi, vindo de surpresa. Há perda, muita perda, emocional, financeira e de confiança. Com o casamento dele, a pressão emocional aumenta e situação financeira despenca. Tudo acontece muito rápido e de modo definitivo. À beira da ruína, Jodi, traída, sente-se tentada a tomar uma atitude radical. Há dúvidas… Se ela toma ou não faz parte do enredo com desfecho absolutamente inesperado.

 

MAC18_THE_ENDMERGE-150x150A.S.A. Harrison

Mas não é a trama a única parte interessante deste romance. São as questões levantadas, principalmente aquelas girando em torno da ética, do comportamento moral de todos os quatro principais personagens do romance. Omissão e silêncio são as grandes ferramentas que alavancam essas questões. Culpa é uma companheira próxima. Fica assim a porta entreaberta para as considerações de responsabilidade pessoal de cada qual com a vida que se leva, e o alerta: temos muito a ver com destino que nos damos. Este desenvolvimento da leitura fica muito mais claro quando consideramos os fatos que levam ao final surpreendente.

Infelizmente não teremos nenhuma outra obra da autora. A. S. A. Harrison faleceu aos 65 anos de câncer, logo após a publicação deste livro.





Imagem de leitura — Frances Strain

23 09 2014

 

 

Frances Strain, Garnett’s First Grade Class at the U of C Lab School, 1936

 

Aula do 1º ano de Garnett no Laboratório escolar, Univ. da Califórnia, 1936

Frances Strain (EUA, 1898-1962)

guache sobre papel, 54 x 69 cm





Imagem de leitura — David Bekker

16 09 2014

 

 

David Bekker. Letter from the Old Country, 1936. Collection of Bernard FriedmanCarta do velho mundo, 1936

David Bekker (Lituânia/EUA, 1897- 1956)

óleo sobre tela, 50 x 75 cm

Coleção Bernard Friedman





Imagem de leitura — Macena Barton

8 09 2014

Macena Barton Retrato do pai d'artistaRetrato do pai da artista com paisagem industrial ao fundo, 1933

Macena Barton (EUA, 1901-1986)

óleo sobre tela, 90 x 75 cm





Imagem de leitura — Robert Schwartz

6 09 2014

 

 

robert schwartzSem título

Robert Schwartz (EUA, 1947-2000)

óleo sobre tela





Imagem de leitura — Andre Kohn

3 09 2014

 

 

Andre Kohn (Russia)Sem título [Mulher lendo]

Andre Kohn (Rússia/EUA, 1972)

óleo sobre tela

www.andrekohn.com





Imagem de leitura — Ethel Spears

26 08 2014

 

Ethel SpearsInterior

Ethel Spears (EUA, 1903 – 1974)

aquarela sobre papel,  33 x 43 cm





Imagem de leitura — Gustaf Dalstrom

15 08 2014

 

 

DALSTROM_Gustaf-Sunday-in-Lincoln-Park-resizedGustaf DalstromDomingo em Lincoln Parque, 1931

Gustaf Dalstrom (Suécia/EUA, 1893-1971)

aquarela sobre papel, 30 x 39 cm

 





Imagem de leitura — Theresa Bernstein

13 08 2014

 

 

 

Oil on canvas 40"x50" Martin and Edith Stein Collection, FloridaOs leitores, 1914

Theresa Bernstein (EUA, 1890-2002)

óleo sobre tela, 100 x 125 cm

Coleção Particular





Imagem de leitura — Vicki Shuck

24 07 2014

 

 

Vicki Shuck, RiversideCafé e notícias no mercado de Riverside, 2011

Vicki Shuck (EUA, contemporânea)

óleo sobre madeira, 35 x 45 cm

www.vickishuck.com