Cartão postal, 1ª metade do século XX.
Felicidade é um recado
sem data, sem remetente,
chegando sempre atrasado
na caixa postal da gente!
(Aurora Pierre Artese)
Cartão postal, 1ª metade do século XX.
Felicidade é um recado
sem data, sem remetente,
chegando sempre atrasado
na caixa postal da gente!
(Aurora Pierre Artese)
Ilustração de autoria desconhecida.
Três irmãos viviam no meio de um bosque escuro, muito escuro, a pouca distância do mar azul e puro.
Tinham tido a desventura de perder os pais quando eram ainda meninos, e viviam lá muito solitários.
Um dia, finalmente, o mais velho, aborrecido de tanta solidão disse:
— “Além do bosque está o mar azul e puro, e além dele, à margem de lá, uma cidade rica e bela.”
E o outro acrescentou:
–“Dizem que lá encontram-se árvores belas, como as da nossa floresta, e pássaros que cantam também como os que temos aqui, em torno da nossa casinha paterna?”
Mas o maior replicou:
— “Partirei em busca desta felicidade.”
O segundo repetiu:
–“Partirei também para tentar a minha fortuna, ou para ver se me será dado encontrar a felicidade.”
O terceiro abaixou a cabeça e nada falou:
Selaram os cavalos, os seus belos cavalos negros, tomaram as lanças, as suas boas lanças de ferro, luzentes e agudas, e partiram todos três à procura da felicidade.
O mais velho atravessou a montanha, e entrou no país, vasto e fértil; o segundo passou o mar azul e puro a bordo de um barco, e recolheu-se na cidade rica e bela, lugares onde deveriam encontrar a felicidade, mas nunca puderam vê-la.
O mais jovem, no entanto, não se tinha retirado para longe. Estava ainda junto do bosque, quando sentiu o coração palpitar no peito.
Ergueu-se então, e disse ao cavalo negro:
— “Seria melhor se tornássemos à casa paterna, no meio da floresta escura, muito escura.”
Tirou a brida ao cavalo, ao seu belo cavalo negro, e tornou a conduzi-lo ao casebre.
As árvores agora começavam a murmurar mais suavemente e a inclinar-se ante ele como para saudá-lo; e os pássaros seguiam-no saltando de ramo em ramo, cantando.
E a floresta inteira parecia dizer-lhe:
–“Fizeste bem em voltar!”
Perto da casa paterna viu uma rapariga de cabelos dourados, sentada no portal, atenta a olhá-lo, tendo a seus pés um lindo gato, envolto nas dobras do seu vestido, a dormir.
–“Quem sois?”, perguntou o moço à bela rapariga de cabelos dourados.
Ela picou-lhe os seus grandes olhos doces, e sorrindo respondeu:
— “Sou a Felicidade!…”
***
Em: Histórias do Arco da Velha — Livro para crianças, de Viriato Padilha, Rio de Janeiro, Quaresma: 1947,pp: 179-181.
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Margarida escolhe um sapato, ilustração de Walt Disney.
Avião, ilustração de Hergé.
Entre nuvens no infinito,
sofro a prisão mais prisão…
Sinto-me pássaro aflito
na gaiola de um avião.
(Gilka Machado)
Desconheço a autoria da ilustração.
Ciumenta, a pata chorava,
procurando pelas matas,
sabendo que o pato estava
andando com duas patas!
(Aurora Pierre Artese)
Ilustração A. E. Marty.
Vou-me embora pela estrada
carregando os sonhos meus…
Vem atrás a passarada,
cantando, dizer-me adeus!
(Elza Capanema Leitão)
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Chico Bento volta para casa, ilustração de Maurício de Sousa.–
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Geraldo de Castro (Brasil, 1914-1992)
óleo sobre tela, 90 x 90 cm
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