Aliberto Baroni (Brasil, 1907-1994)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
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Onde está indo, minha linda menina? — ilustração de Walter Crane.–
Marcados por desenganos,
na busca de um céu aberto,
meus olhos são quais ciganos,
nunca têm destino certo.
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(Ilza Tostes)
Ilustração Walt Disney, quadrinho de uma revista Zé Carioca.
Humberto de Campos
Certo indivíduo, conhecido como vivedor, aboletou-se, no caminho de sua vida, no solar dum homem bonacheirão e abastado, que lhe abrira as portas para um descanso ligeiro. Nos primeiros dias, o dono suportou galhardamente o hóspede, oferecendo-lhe o melhor trato, fornecendo-lhe a melhor cama, o melhor vinho, os melhores charutos. Passada, porém, a primeira quinzena, começou a pensar em um meio, que não fosse grosseiro, de livrar-se do importuno, e achou-o. Tinham os dois acabado de almoçar e repousavam, lendo jornais e fumando “havanas”, à sombra das árvores. De repente, o hospedeiro recosta-se pesadamente na cadeira, cerra os olhos, deixa cair a folha e o charuto, simulando um sono profundo. E, como em sonho, principia a falar: “Vejam só: que maçada! Esse cavalheiro vem, aloja-se em minha casa, come, bebe, fuma, diverte-se, e nada de entender que sua presença já me está sendo desagradável! Será possível que ele não compreenda isso?” – E, soltando um suspiro, pulou da cadeira, esfregando os olhos: “Que diabo! É eu dormir depois do almoço, vêm-me logo os pesadelos. E que sonho mau tive eu! Parece até que falei alto, não?” – E o outro, que de cenho cerrado, prestava atenção a tudo: “É exato; você esteve por aí falando; e eu, como vi que se tratava de cousas de sonho, procurei não ouvir para não ser indiscreto. As palavras dos homens só têm valor, mesmo, quando eles as proferem acordados”. – E o hóspede continuou na casa por mais três anos e quatro meses, isto é, até a transferência da propriedade, comendo do melhor prato, dormindo na melhor cama, bebendo do melhor vinho, fumando os melhores charutos.
[Exemplo de narrativa humorística]
Em: Flor do Lácio,[antologia] Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva: 1964; 7ª edição. (Explicação de textos e Guia de Composição Literária para uso dos cursos normais e secundário)p. 215
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Chico Bento está triste, ilustração de Maurício de Sousa.–
Tudo passa nesse mundo,
tudo na vida tem fim,
só não terminam as horas
que vives longe de mim.
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(Geraldo Alvim)
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Ilustração para a revista Esquire, agosto de 1920 por Kossuth, Paris.–
Uma jovem de classe, s.d.
William Henry Margetson (Inglaterra, 1861-1940)
Aquarela e lápis sobre papel
J. Dantas de Sousa
Por que em tua face angélica,
Meiga donzela formosa,
A cor purpúrea da rosa
Foi gratamente pairar
Quando outro dia eu em dúvida
Junto de ti quase a medo
Fui de minh’alma um segredo
Em segredo te falar?
Com sorriso terno e cândido,
No seio a fronte pendida,
Dizes não saber, querida,
Porque mudas-te de cor;
Pois eu sei: — mimosa, ingênua,
Tu coraste, feiticeira,
Por essa a vez primeira
Que ouvias falar d’ amor.
Dize agora: se os meus lábios
Abrasados de desejos
Aos teus furtarem mil beijos
Hás de corar como então?…
Ai, não respondes; mas, lânguidos,
Dizem teus olhos brejeiros
Que hás de corar…aos primeiros:
Mas aos segundos — já não…
(Setembro de 1859)
Em: O Espelho: revista de literatura, modas, indústria e artes, n. 17, 23 de outubro de 1859, p.11. da edição em facsímile, Rio de Janeiro, MEC:2008, p. 107.
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Falta de educação, cartão postal de Margret Boriss.–
Não tenho medo, em verdade,
do corisco ou do trovão;
bem mais forte é a tempestade
que trago no coração! …
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(Eva Reis)
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Rolo sai no dia dos namorados, ilustração de Maurício de Sousa.–
“Meu bem” — frasinha sem cor
que, assim, nada significa.
Nos lábios do meu amor,
que amor de frasinha fica!
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(Eno Teodoro Wanke)
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Geraldo de Castro (Brasil, 1914-1992)
óleo sobre tela, 90 x 90 cm
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Adeus, ilustração de A. E. Marty.–
Saudade… sombra, fantasma!
Coisa que bem não se explica:
— Algo de nós que alguém leva.
— Algo de alguém que nos fica!
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(Soares da Cunha)