Gustavo Rosa (Brasil, 1946-2013)
técnica mista, óleo sobre tela, colagem
Armando Romanelli (Brasil, 1945)
óleo sobre tela, 60 x 60 cm
Wilson W. Rodrigues
Tão longe, tão longe,
nas ondas do mar,
nos véus da neblina,
no vento a cantar,
na areia doirada
do fundo das águas
eu ouço Iemanjá…
Nem velas, nem brumas
vêm onde ela está,
nem sonho de amante
um dia virá…
Tão longe, tão longe
amada longínqua,
fantasma do mar.
Tão longe as rosas
que vão-se afogar,
levando a tristeza
que não sei matar,
por essa lonjura
que a vida separa
de minha Iemanjá…
Tão longe, tão longe,
minha alma a cantar,
há muito já foi,
pro fundo do mar,
sofrer do mistério
da amada distante,
ó doce Iemanjá!…
Em: Bahia Flor: poemas, de Wilson W Rodrigues, Rio de Janeiro, Editora Publicitan: 1948, p.35-36.
Adoração dos reis magos, século XVIII
Atribuído a Francisco de Paula e Oliveira (Portugal, ?-?)
Painel de Azulejos pintados à mão
Igreja de Nossa Sra. do Rosário dos Pretos, Salvador
Igreja da Matriz, em Caxambu, 1976
José Maria de Almeida (Portugal/Brasil, 1906-1995)
óleo sobre tela, 33 x 46 cm
“22 de dezembro [1939]
MacLean é lacônico – Merry Christmas! Por que não escreveu Feliz Natal? O cartão traz o carimbo da censura.
23 de dezembro [1939]
Antevéspera chuvosa de Natal, sem que o calor aplaque. Peregrinação de pés molhados por lojas superlotadas na morosa demanda de presentes que satisfaçam ao gosto e ao preço, mormente ao preço, que os presenteados são muitos e as finanças estão arrebentadas. Ninguém foi esquecido. Nos casos de dúvida, livro é sempre uma boa solução. O presente mais fácil foi o de Felicidade – colar de galalite arlequinhalmente multicor.
Chegamos derreados. Eurico nos esperava com a lata de talco mais estapafúrdia que vi na minha vida, desculpando-se por não ter trazido Lenarico e Eurilena. Levou uma gravata, leve, de verão.”
Em: O trapicheiro, Marques Rebelo, 1º volume de O Espelho Partido, São Paulo, Martins: 1959, 1ª edição, numerada.