História de uma pamonha, poesia infantil de Ofélia e Narbal Fontes

15 02 2011
Ilustração Renata Morais, do blog Aquarela em Cores  — http://aquarelaemcores.blogspot.com

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História de uma pamonha

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Ofélia e Narbal Fontes

Era um ovinho dourado,

Que um dia foi enterrado.

Na terra, ele inchou, inchou,

E em dez dias rebentou.

Não pensem que ele morreu;

Sua casquinha rompeu,

Mas, em vez de um pintinho

Surgiu um broto verdinho.

O broto tanto espichou

Que em planta se transformou

Com folhas muito alongadas

e cortantes como espada;

E tinha, prá se aguentar,

Raiz no chão e no ar.

Depois que a chuva caiu,

Um pendão de flor abriu.

E, um pouquinho mais abaixo,

Uma boneca de cacho…

Um boneca engraçada,

Cabeludinha e barbada.

Mas, assim que ela cresceu,

Chegou alguém e a colheu,

Despiu toda pobrezinha

E ralou-a na cozinha,

E o sangue dourado dela

Pôs, com água, na panela.

Mexeu com colher de pau

E transformou-se em mingau.

Pôs-lhe açúcar, temperou

E no fogo a cozinhou.

E, por fim, deu-lhe uma mortalha

No vestidinho de palha.

A boneca transformou-se

No mais delicioso doce.

Mas agora tem vergonha

De ser chamada pamonha.

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Esta poesia é contribuição do leitor Robson Leite.  Sua lembrança dessa poesia  — que ele decorou quando era aluno do curso fundamental —   contribui ainda mais para o sucesso desse blog.  Muito obrigada, Robson!

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Ofélia e Narbal Fontes, casal de educadores brasileiros, paulistas, que escreveram livros em conjunto, na sua maioria didáticos.  Ofélia de Avelar Barros Fontes (SP 1902 –1986) poeta, biógrafa, autora didática, tradutora, romancista, teatróloga, professora, radialista; Narbal de Marsillac Fontes (SP 1899– RJ 1960) Poeta, biógrafo, cronista, teatrólogo, professor, jornalista, diplomado em medicina (1930), médico.

Livros:

No Reino do Pau-Brasil – Crônicas humorísticas (1933)

Senhor Menino – Poesias –

Regina, A Rosa de Maio

Romance de São Paulo – Romance — (1954)

Rui, O Maior – Biografia Rui Barbosa

Precisa-se de Um Rei — Literatura infanto-juvenil

Anhangüera, o gigante de botas – Literatura infanto-juvenil, (1956)

Coração de Onça – Literatura infanto-juvenil

O Talismã de Vidro — Literatura infanto-juvenil

Heróis da comunidade Mundial — biografias

A Gigantinha

A Espingarda de Ouro

Aventuras de Um Coco da Bahia

Esopo, O Contador de Estórias

Novas Estórias de Esopo

A Falsa Estória Maravilhosa

Espírito do Sol — Literatura infanto-juvenil

O Micróbio Donaldo  — Saúde e higiene — paradidático — (1949)

História do Bebê — Saúde e higiene — para didático

Ler, Escrever e Contar

Ilha do Sol

Segredos das mágicas — Literatura infantil

Brasileirinho – Música (1942)

Companheiros: história de uma cooperativa escolar (1941)

Pindorama

O Menino dos Olhos Luminosos

A Boa Semente

A Vida de Santos Dumont – Biografia Santos Dumont — (1935)

O Bicho “Sete-Ciências”  — Literatura infanto-juvenil

O Gênio do Bem —

Cem Noites Tapuias – Literatura infanto-juvenil

Ascensão – Poesia – (1961)

Um Reino sem mulheres – Biografia: Villegagnon

O leão obediente — (1915)

Libretto de La Traviata — Música — (1940)





As quatro operações: DIVISÃO, poesia infantil de Bastos Tigre

9 10 2010

Divisão

—                                   Bastos Tigre

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Operação que tem arte

É por certo a Divisão

Ela é que parte e reparte

Com justiça e retidão.

Dividendo, divisor,

Quociente e resto também.

Mas se a conta exata for,

Direi que resto não tem.

Se o divisor for maior

Do que o dividendo, então,

(A regra sei eu de cor)

O quociente é fração.

Se Deus e os homens amais

Dividi,  fazendo o bem:

Dá o que tendes demais

Aqueles que nada têm.

Em: Antologia Poética, vol. I, Rio de Janeiro, Ed. Francisco Alves: 1982





Aprender uma língua estrangeira, quanto antes, MELHOR!

28 09 2010

Antes do banho do bebê, 1880

Mary Cassatt (EUA 1844-1926), 

Óleo sobre tela,  100 x 66cm

Los Angeles County Museum, EUA

Uma segunda língua é melhor aprendida quando ainda se é bem criança.  Este e o resultado da pesquisa feita por  Eloísa Lima, mestre em neurolinguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, que  investigou o aprendizado de 32 bebês de 2 a 5 meses e verificou que a partir dos 2 meses e 20 dias a criança é capaz de identificar sons de vogais e entender as fronteiras das palavras:  onde começam e terminam as diferentes palavras nas frases.

Inteligência já existe no momento da pré fala, a criança não fala, mas pensa antes do primeiro ano de vida”, diz.

Para a pesquisadora, até os sete anos de vida é a melhor fase para aprender outro idioma. O ideal seria antes dos 3 anos. “A aquisição de um língua não esta ligada à fala, mas às emoções e ao raciocínio“. Ela acrescenta, “Não é impossível que um adulto aprenda, mas torna-se mais difícil, a exigência é maior“.

A criança é considerada madura para a linguagem perto dos sete anos. Depois, para aprender uma outra língua, as pessoas precisam fazer associações com sons, palavras e outras coisas de sua língua materna. Daí vem o sotaque e a dificuldade em aprender.

Nota baseada no artigo de Denise Dalla Colletta da Revista Galileu.





É hora do chá, poesia infantil de Helena Pinto Vieira

28 09 2010
Ilustração, Corinne Malvern.

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É hora do chá

Helena Pinto Vieira

— Que fazes, Ritinha,

assim tão brejeira?

— Eu sirvo um bom chá,

que fiz na chaleira,

às minhas bonecas,

pois é brincadeira.

Em: O mundo da criança: poemas e rimas, vol. I, Rio de Janeiro, Delta: 1975, p.110





Quadrinha sobre A CRIANÇA

28 09 2010
Ilustração de revista da década de 1960.

A luz mais clara, mais pura,

chama viva da esperança,

só se encontra na ternura,

dos olhos de uma criança.

(Marília Fairbanks Maciel)





Quadrinha infantil da vaca leiteira

28 06 2010

Eu tenho uma vaca leiteira

que dá leite de toda maneira.

A minha vaquinha malhada

dá queijo, manteiga e coalhada.





Destino, poesia infantil de Menotti del Picchia

8 05 2010

Destino

                                                                                         Menotti Del Picchia

Amanhã eu vou pescar.

Há um peixe fatalizado

que a Ritinha vai guisar

na panela de alumínio

que brilha mais que o luar.

Hoje ele está no seu líquido

e opaco mundo lunar.

Pequena seta de prata

furando a carne do mar.

Qual será?  O bagre flácido

de cabeça triangular?

O lambari que faísca

como uma mola a vibrar?

O feio e molengo polvo

monstruoso, tentacular?

O peixe-espada de níquel,

a viva espada do mar?

Hoje estão vivos e lépidos

os lindos peixes do mar.

Amanhã…

Nem pensem nisso!

Amanhã… eu vou pescar!

 

Paulo Menotti Del Picchia (São Paulo, 1892 — 1988) foi um poeta, escritor e pintor modernista brasileiro. Foi deputado estadual em São Paulo.   Foi também advogado, tabelião, industrial, político entre outras funções assumidas durante sua vida.

Com Oswald de Andrade, Mário de Andrade e outros jovens artistas e escritores paulistas, participou da Semana de Arte Moderna de Fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo. Em 1943, foi eleito para a cadeira 28 da Academia Brasileira de Letras, tendo sido suas principais obras Juca Mulato (1917) e Salomé (1940). Um livro seu de elevada popularidade é Máscaras (1920), pela sua nota lírica.

Obras:

A “Semana” Revolucionária Crítica, teoria e história literárias, 1992  

A Angústia de D. João, Poesia 1922  

A Crise Brasileira: Soluções Nacionais Crítica, teoria e história literárias 1935  

A Crise da Democracia Crítica, teoria e história literárias 1931  

A Filha do Inca, Romance e Novela 1949  

A Longa Viagem Crítica, teoria e história literárias 1970  

A Mulher que Pecou Romance e Novela 1922  

A Mulher que Pecou Romance e Novela 1923  

A Outra Perna do Saci Romance e Novela 1926  

A República 3000, 1930  

A Revolução Paulista Crítica, teoria e história literárias 1932  

A Revolução Paulista Através de um Testemunho do Gabinete do Governador Crítica, teoria e história literárias 1932  

A Tormenta, Romance e Novela 1932  

A Tragédia de Zilda, Romance e Novela 1927  

Angústia de João, Poesia 1925  

As Máscaras, Poesia 1920  

Chuva de Pedra, Poesia 1925  

Curupira e o Carão, Conto 1927  

Dente de Ouro, Romance e Novela 1922  

Dente de Ouro, Romance e Novela 1925  

Flama e Argila, Romance e Novela 1919  

Homenagem aos 90 anos, Outros 1982  

Jesus: Tragédia Sacra Teatro 1933  

Juca Mulato Poesia 1917  

Juca Mulato Poesia 1924  

Kalum, o Mistério do Sertão Romance e Novela 1936  

Kummunká Romance e Novela 1938  

Laís Romance e Novela 1921  

Máscaras Poesia 1924  

Moisés Poesia 1924  

Moisés: Poema Bíblico Poesia 1917  

Nacionalismo e “Semana de Arte Moderna” Discursos e sermões (textos doutrinários e moralizantes) 1962  

Nariz de Cleópatra Crônicas e textos humorísticos 1923  

No país das formigas Literatura Infanto-juvenil   

Novas Aventuras de Pé-de-Moleque e João Peralta Romance e Novela   

O Amor de Dulcinéia Romance e Novela 1931  

O Árbrito Romance e Novela 1959  

O Crime daquela Noite Romance e Novela 1924  

O Curupira e o Carão Crítica, teoria e história literárias   

O Dente de Ouro Romance e Novela 1924  

O Despertar de São Paulo Crítica, teoria e história literárias 1933  

O Deus Sem Rosto Poesia 1968  

O Gedeão do Modernismo Crítica, teoria e história literárias 1983  

O Governo de Júlio Prestes e o Ensino Primário Crítica, teoria e história literárias   

O Homem e a Morte Romance e Novela 1922  

O Homem e a Morte Romance e Novela 1924  

O Momento Literário Brasileiro Crítica, teoria e história literárias   

O Nariz de Cleópatra Romance e Novela 1922  

O Nariz de Cleópatra Conto 1924  

O Nariz de Cleópatra Conto 1924  

O Pão de Moloch Miscelânea 1921  

Pelo Amor do Brasil, Discursos Parlamentares Crítica, teoria e história literárias   

Pelo Divórcio, s/d   

Poemas Poesia 1946  

Poemas do Vício e da Virtude Poesia 1913  

Poemas Sacros: Moisés e Jesus Poesia 1958  

Poesias Poesia 1933  

Poesias (1907-1946) Poesia 1958  

Por Amor do Brasil Discursos e sermões (textos doutrinários e moralizantes) 1927  

Recepção do Dr. Menotti Del Picchia na Academia Brasileira de Letras Discursos e sermões (textos doutrinários e moralizantes) 1944  

República dos Estados Unidos do Brasil Poesia 1928  

Revolução Paulista, 1932  

Salomé Romance e Novela 1940  

Seleta em Prosa e Verso Poesia 1974  

Sob o Signo de Polumnia Crítica, teoria e história literárias 1959  

Soluções Nacionais,  1935  

Suprema Conquista Teatro 1921  

Tesouro de Cavendish: Romance Histórico Brasileiro Crítica, teoria e história literárias 1928  

Toda Nua Romance e Novela   

Viagens de João Peralta e Pé-de- Moleque Literatura Infanto-juvenil





Ser criança — quadrinha de Porphírio Rodrigues

14 04 2009

3-criancas

 

Ser criança é coisa boa.

É estudar, comer, dormir.

É ter muito tempo à toa,

aguardando um bom porvir.

 

 

 

 

 

 

 

Outras quadrinhas neste blog:

 

 

O dia

Gato e Rato

Passarinhos

Cuidar dos animais

 

 





Evitando acidentes XX

18 03 2009

acidente-20

Não fique no mundo da lua.

É no verde que se atravessa a rua.





Evitando acidentes XIX

13 03 2009

dsc059201

Pode parecer gostoso,

Mas brincar com fogo é perigoso!