Uma resposta inteligente de Henrique IV de França

24 11 2025

Henrique IV atravessando o rio Sena, 1816

Etienne-Jean Delécluze (França, 1781-1863)

aquarela, carvão, lápis, etc sobre papel, 20 x 31 cm

Museu Nacional do Château de Pau, França

 

 

 

Henrique IV de França, que governou o país entre 1589 até ser assassinado em 1610, foi também conhecido como Henrique, o GrandeO Bom Rei Henrique, O Galã Verde ou Galante Verde, por suas numerosas amantes e também como Henrique de Navarra.  Entre muitas de suas características lembradas através dos séculos, há a de ter sempre uma resposta criativa a questões comuns, muitas vezes respostas bem humorísticas.

Conta-se que uma vez, atravessavam o rio Loire ele e seu amigo o General Crillon, Louis des Balbes de Berton de Crillon, um de seus generais mais próximos. Iam numa canoa.  Crillon, notou que o canoeiro era um homem robusto e alto e que tinha  cabelos brancos, mas barba muito preta. A certa altura  observou em voz alta:

— Esse contraste entre a barba e o cabelo é agradável, mas por que?  De onde vem isso?

Sem pestanejar o rei começou a rir e respondeu:

—  Por Deus! Que bobagem! A barba é mais jovem! O cabelo é mais velho por pelo menos vinte anos!

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Nota: adaptação de uma poesia em francês de Claude Augé sobre essa fábula real. 

 

 





O cavalo e o nabo, uma fábula

2 09 2025
Ilustração Phyllis Stapler

 

 

Luis XI, conhecido como “O Prudente“,  era o rei da França na época em que um camponês chamado Basile, tendo encontrado um nabo na forma de um pássaro, resolveu levá-lo à corte para presentear o rei com essa raiz tão fora do comum.  Corria à boca pequena que o monarca gostava de presentear os camponeses, trabalhadores do campo e servos quando esses lhe traziam presentes interessantes.  Vendo o nabo com forma de pássaro, o rei mandou cem centavos em moedas de prata ao feliz camponês. 

Um cavalheiro do mesmo reino, muito rico e avarento, soube da generosidade do rei e pensou: “Posso muito bem oferecer ao rei o mais belo cavalo de minha cavalaria. Já que ele deu cem centavos em moedas de prata por um nabo, uma raiz bem comum, que fortuna ele me dará em agradecimento a esse belo presente!”

Assim que pode se ausentar dos seus domínios, Eudes escolheu o cavalo de melhor porte e beleza, partindo em direção ao castelo do rei.  Lá chegando, pediu encarecidamente na corte que Luis XI aceitasse o belo presente.

Mas o rei era astuto, logo percebeu as intenções do cobiçoso cavalheiro, aceitou o presente dizendo: “Aceito seu cavalo, e como gostaria de recompensá-lo por vossa generosidade, e retribuo, sua generosidade dando-lhe algo que me custou o dobro do valor de seu ginete.” Nesse momento, um dos cavaleiros da corte, ao comando de Luis XI, traz para o cavalheiro Eudes, o nabo em forma de pássaro. Constrangido, o avarento retorna à sua senhoria com o presente de que havia ouvido falar anteriormente e sem o seu cavalo, 

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Essa historinha é livremente adaptada da fábula francesa A raiz [La rave] de Claude Augé, em domínio público. Tradução e adaptação de Ladyce West





A justiça do leão, fábula de Claude Augé

1 07 2025
Ilustração anônima, início do século XX.
 
 
A justiça do leão

Claude Augé

 

 

O leão sentado em seu trono e tendo a seu lado seu ministro urso, um dia dava audiência a seu povo.  A ovelha veio chorando reclamar que seu pequeno cordeirinho havia sido raptado na noite anterior.  O leão examinou com cuidado a fisionomia de todos que o rodeavam, porque o crime em geral se revela na face do culpado.

— Não fui eu o autor do crime, logo gritou o lobo.  Não, senhor, já há muitos dias estou indisposto o que me obrigou a uma dieta; digo a verdade, não fui eu!

— Foi você! respondeu o leão. Por se defender quando ninguém ainda havia lhe acusado, você se acusou a você mesmo;  você devorou o carneirinho e o urso vai lhe dar a mesma sina.

Sem demora, o lobo foi castigado com pela ferocidade do urso.  Alguns dias depois testemunhas oculares declararam que o lobo realmente havia sido o culpado. 

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Traduzido do francês e adaptado por Ladyce West. Publicação de 1911, em domínio público. Ilustração original