Hemingway in Paris, gravura de Michela Akers.
“Desceu para tomar o café da manhã no MacDonald’s. Não se achava merecedor de mais do que um suco de laranja azedo e um croissant gorduroso. Deixou de lado o saquinho de chá e bebeu a água quente. Seu vizinho de mesa, um homenzinho com um boné de golfe todo roído de traça, uma barba de quinze dias e uma camisa suja, comia batata frita e bebia um refrigerante; sua mão pairava sobre um bolo de chocolate como se o protegesse. Virgile não admitiria isso para ninguém, mas gostava de ir ao McDonald’s. Não era um local agradável ou bonito, mas sentia-se em casa ali. Se Hemingway desembarcasse em Paris nos dias de hoje, já não teria recursos para frequentar os cafés como fazia na década de 1920. O único canto onde poderia se instalar para beber um café e escrever seria o McDonald’s. Em nenhum outro lugar uma pessoa pode se refugiar no calor durante horas por uma quantia módica. Os pobres, os estudantes e o pessoal da periferia sabem muito bem disso; podem-se checar e-mails, estudar para uma prova ou para as aulas, escrever; os moradores de rua leem os jornais de distribuição gratuita e fingem beber alguma coisa de um copo que pegaram em uma bandeja. A ideia de um local de alimentação para pessoas simples fora deixada nas mãos de uma caricatura de empresa capitalista. O fast-food tornara-se o único local caloroso, vivo e popular. Era deprimente.”
Em: Talvez uma história de amor, Martin Page, tradução de Bernardo Ajzenberg, Rio de Janeiro, Editora Rocco: 2009, páginas 69-70.
O mundo dos livros, ilustração de Jean-François Martin.
Mulher lendo no jardim
Ilustração Al Parker, 1959.
Novembro: Ela desapareceu, ilustração de Derek Nobbs
Emil Cioran (1911-1995)
Ilustração de Édouard Marty.
Albert Camus (1913 – 1960)
Um visitante inesperado, ilustração de Roy Keister.
Ilustração de um pintor por Ernest Chiriaka, 1955.




