Sublinhando…

17 05 2022

 Notícias da manhã, ou Peggy Bacon lendo

Alexander Brook (EUA, 1898-1980)

óleo sobre tela,  24 x 18 cm

 

“A ciência é muito mais do que a apreciação e a aplicação de sua linguagem técnica à explicação dos fenômenos naturais. A beleza da ciência está em seu poder de nos aproximar da Natureza.”

 

 

Marcelo Gleiser

 

Em: A dança do universo: dos mitos de criação ao Big Bang, Marcelo Gleiser, São  Paulo, Companhia das Letras: 2006, 10ª reimpressão, Companhia de Bolso, página 183.





Sublinhando…

1 04 2022

Pausa

Carlos Ygoa (Espanha, 1963)

óleo sobre tela,  130 x 97 cm

“Somos como o narrador na terceira pessoa de um romance [ …] é ele que decide e conta, mas não é possível interpela-lo nem questioná-lo. Não tem nome nem é um personagem, ao  contrário do que relata na primeira pessoa; portanto damos crédito a ele e dele não desconfiamos; não sabemos por que sabe o que sabe e por que  omite o que omite e cala o que cala e por que está capacitado para determinar o destino de todas as suas criaturas, e mesmo assim não pomos em dúvida o que diz…”

Em: Berta Isla, Javier Marías, Tradução Eduardo Brandão, São Paulo, Companhia das Letras: 2020, p.123





Minutos de sabedoria: Ambrose Bierce

30 03 2022

Lendo, 1982

Tatiana Yablonskaya (Ucrânia, 1917-2005)

óleo sobre tela

“Paciência: uma forma menor de desespero, mascarada de virtude.”

Ambrose Bierce

Ambrose Bierce (1842- c.1913)




Palavras para lembrar: Daniel Pennac

17 02 2022

No café

Ricardo Sanz (Espanha, 1957)

óleo sobre tela, 116 x 89 cm

“O tempo de ler, assim como o tempo de amar, aumentam o tempo de vida.”

Daniel Pennac





Dois escritores bretões: Renan e Chateaubriand, Afonso Arinos de Melo Franco

10 02 2022

A leitora

Jean-Louis Mendrisse (França, 1955)

óleo sobre tela

 

 

“Curioso contraste o que separa os dois heróis literários da Bretanha, Renan e Chateauberiand! O primeiro, exibindo uma descrença levada quase à volúpia, era, no fundo, um crente — mais que isso, um crédulo — nas pretendidas verdades da razão e da precária ciência do século XIX. Sua obra confiantemente afirmativa (embora animada do mais soberano espírito negativista) está hoje muito retificada, muito desautorada pelos modernos estudos de História e de Filologia.  Nos seus solenes volumes, que eram o orgulho de nossos avós, há muito bagaço, muita sugestão aventurosa, muita improvisação. Fica, é claro, o escritor, grande e sofrido, que respeito, embora não o ame especialmente.  Fatiga-me a sua solenidade arredondada e fria; parnasianismo da prosa. De qualquer forma, o papa do agnosticismo dispunha de uma espécie de sólida fé negativa. Chateaubriand, ao contrário, homem de crença profunda, foi sempre atraído pelo assombramento do nada, a obsessão do esvaimento constante de tudo, pelo silêncio vertiginoso do Tempo. Lembro especialmente duas passagens das Memórias em que essa consciência da inutilidade da vida é quase fisicamente dolorosa: a evocação dos reis de França sepultados em Saint-Denis, e a descrição do enterro de Lafayette, passando pelos boulevards parisienses. São duas páginas em que o desespero do nada, que é a vida, domina inteiramente o fervor do crente. Chateaubriand é o anti-Renan; é o crente angustiado pela dúvida, enquanto o outro é o descrente convencido das verdades racionais. O crente, procura sofrendo; o descrente pensa que tudo encontrou.”

 

 

Em: A alma do tempo: memórias, Afonso Arinos de Melo Franco, Rio de Janeiro, editora José Olympio: 1979, volume II, páginas 428-9.

 





Palavras para lembrar: Umberto Eco

8 02 2022

Retrato de Mimi Gross Grooms, 1966

Benny Andrews (EUA, 1930-2006)

óleo sobre papel colado em placa, 37 x 29 cm

 

 

“Todos os grandes escritores são grandes leitores de dicionários: eles nadam através das palavras.”

 

Umberto Eco





O cotidiano, Sayaka Murata

5 02 2022

À beira d’água, 1929

Lucien Jonas (França,1880-1947)

óleo sobre tela , 50 x 65 cm

 

 

 

“Eu, porém, continuo repetindo aquela mesma cena. Desde então, já vi a mesma manhã 6.607 vezes.

Coloquei os ovos delicadamente dentro da sacola. São os mesmos ovos que vendi ontem, mas diferentes. A Senhora Cliente insere os mesmos hashis dentro da mesma sacola de ontem, recebe as mesmas moedas e sorri para a mesma manhã,”

 

Em: Querida Konbini, Sayaka Murata, tradução de Ruth Kohl, São Paulo, Estação Liberdade: 2018, p. 74.





A cozinha do escritor, Patrick Modiano

29 01 2022

Homem lendo jornal, 1992

Bruno Vekemans (Bélgica, 1952-2019)

serigrafia

 

 

A cozinha do escritor

 

Aquilo que eu mais amo na escrita é o devaneio que a precede. A escrita em si, não, não é muito agradável. Deve-se materializar o sonho na página, assim que se saia do devaneio. Às vezes penso, como é que os outros fazem? Como esses outros autores que, como Flaubert o fazia no século XIX, escrevem e reescrevem, reformulam, reconstroem, e vão condensando a partir da primeira versão até que não reste finalmente quase nada na versão final do livro? Isso soa-me muito assustador. Pessoalmente, contento-me em fazer as correções num primeiro esboço que se assemelha a um desenho que foi feito de uma vez só. Estas correções são numerosas e ligeiras, como uma acumulação de atos de microcirurgia. Sim, é preciso medidas drásticas como faz um cirurgião, ser frio o suficiente com o seu próprio texto de uma ponta à outra, corrigindo, suprimindo, enfatizando. Às vezes basta riscar algumas palavras numa página para que tudo mude. Mas é essa a cozinha do escritor, que é suficientemente chato para os outros.

 

Patrick Modiano, in ‘Entrevista (2014)





Minuto de sabedoria: Ian McEwan

18 01 2022

Estudo sob as árvores, 1861

Daniel Huntington (EUA, 1816 – 1906)

óleo sobre tela, 30 x 25 cm

Metropolitan Museum

 

 

“A felicidade é uma coisa ocasional, um relâmpago de calor.”

 

Ian McEwan

 

 

Ian McEwan (Inglaterra, 1948)





Palavras para lembrar: Emily Dickinson

12 01 2022

Nos degraus

Monica Castanys (Espanha, 1973)

óleo sobre tela

 

“Nunca escrevo meu nome nos livros que compro até que os tenha lido, porque só então posso chamá-los meus”

Emily Dickinson