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F. V. Sychkov (Rússia, 1870-1958)
óleo sobre tela
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“Você lê a vida inteira para saber que livros reler na velhice.”
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Autran Dourado
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F. V. Sychkov (Rússia, 1870-1958)
óleo sobre tela
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Autran Dourado
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Giovanni Fattori (Itália, 1825-1908)
óleo pastel
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Christian Bobin
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O diário, 2007
LaShun Beal (EUA, 1962)
Litogravura, 40 x 53 cm
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Hermann Hesse
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Maureen Hyde (EUA, contemporânea)
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Gabriel Ferrier (França, 1847-1914)
óleo sobre tela
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José Luís Peixoto
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Johann Gottfried Steffan (Suíça, 1815- Alemanha, 1905)
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Julien Green
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Livros para os militares americanos em serviço é um programa começado durante a Primeira Guerra Mundial para atender aos soldados que queriam ter alguma coisa para ler quando estivessem de folga. Foi aí que começou um programa de sucesso. A Associação Americana de Bibliotecárias começou então a entregar livros e revistas aos militares de prontidão, financiados pelas “ações [bônus] de guerra” que levantaram USD$ 5.000.000 – cinco milhões de dólares na época – através de doações da população em geral que foram convertidos na distribuição de mais de 7.000.000 – sete milhões – de livros e revistas, construindo 36 bibliotecas no front, e providenciando livros para mais de 500 locais, incluindo hospitais militares.
A bibliotecária geral da Marinha dos Estados Unidos, Nellie Moffit, gerencia o programa de bibliotecas para militares, em entrevista para o Serviço de Imprensa das Forças Armadas Americanas, lembrou que este ano eles já investiram USD $12.000.000 – doze milhões de dólares — em materiais para bibliotecas digitais. Isso significa que esses fundos, uma vez aplicados, fizeram investimento equivalente a USD$ 725.000.000 – setecentos e vinte cinco milhões de dólares — em materiais e serviços. O que, sem dúvida, é um grande retorno no investimento do governo.
A crise atual no governo certamente terá reflexos nas bibliotecas militares, e como todos no país eles também terão que lidar com eventuais cortes quer em horas, em pessoal ou em orçamento de materiais. Mas irão tentar minimizar o impacto, se possível, tentar manter os serviços de costume. As bibliotecas continuam sendo de importância central para o bom estado de espírito e bem estar no terreno de guerra.
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Fonte: Book Patrol
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Ilustração da página da NPR.–
Uma biblioteca pública totalmente digital abriu nesta semana no Texas. A unidade oferece cerca de 10 mil e-livros gratuitamente para os 1.700.000 moradores do município, que inclui a cidade de San Antonio. Os clientes podem acessar eBooks gratuitos e livros de áudio. Para ler um e-book em seu próprio dispositivo, os usuários devem ter o aplicativo 3M Biblioteca-nuvem, para se conectar com a biblioteca. O aplicativo inclui uma contagem regressiva de dias que o leitor tem para terminar um livro — são 14 dias no total.
A biblioteca tem uma presença física, com 600 e-readers e 48 estações de computadores, além de laptops e tablets. As pessoas também podem vir para a hora de contação de histórias para crianças ou para aulas de informática.
O projeto de uma biblioteca sem livros já foi tentado antes. Talvez, 2002 tenha sido cedo demais, quando a Biblioteca Santa Rosa do Arizona abriu uma filial também só digital. Mas, anos mais tarde, os moradores – fatigados pela eletrônica – pediram que livros reais fossem adicionados à coleção, e hoje, desfrutam de uma biblioteca de acesso completo com computadores.
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A bibioteca da Filadélfia, 1875
George Bacon Wood ( EUA, 1832-1910)
óleo sobre tela
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Como anda a sua biblioteca particular? Geraldine Brooks publicou uma pequena crônica no The Global Mail, titulada People of the Bookshelf [Gente da Prateleira de Livros] muito engraçada sobre os hábitos das pessoas ao guardarem livros. Assumindo que a maioria de nós não é profissional de biblioteca, não trabalha com catalogação, que normas devemos seguir? Há aqueles que os guardam em ordem por autor, — último nome sendo o normal nos países de língua inglesa — e aqueles que os guardam por título. E quando se trata de biografias? Vamos por biografado ou pelo autor?
Parece uma questão supérflua, mas acho que a organização de livros demonstra parcialmente o que eles representam para nós. As minhas estantes estão organizadas só por assunto: História Antiga, Medieval, Surrealismo, Renascença, Romances. Depois dentro de cada uma dessas há subdivisões. Literatura sempre foi divida pelos países de origem e pelas línguas… E biografias são organizadas de acordo com o biografado e não com o autor… Depois de notar esses detalhes, sobre os quais nunca havia pensado, concluo: organizo tudo pelo assunto.
E vocês?
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Segundo Projeto para a Biblioteca do Rei, 1785
Etienne-Louis Boullée (França, 1728-1799)
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TEXTO REPRODUZIDO DO JORNAL O GLOBO: 2/06/2012
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Criado em 2009, o blog Livro de Humanas reunia mais de 2 mil títulos acadêmicos para download gratuito. O site foi retirado do ar no fim de maio, devido a uma ação judicial movida pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR), entidade que representa dezenas de editoras do país. No texto abaixo, escritores e acadêmicos defendem o blog.
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*Por Alexandre Nodari, Eduardo Sterzi, Eduardo Viveiros de Castro, Idelber Avelar, Pablo Ortellado, Ricardo Lísias e Veronica Stigger
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A liberdade de expressão moderna é indissociável da invenção da imprensa, ou seja, da possibilidade de reproduzir mecanicamente discursos e imagens, fazendo-os circular e durar para além daquele que os concebeu. A própria formação da esfera pública, bem como do ambiente de debate científico e universitário, está umbilicalmente conectada à generalização do acesso aos bens culturais. Sem a disseminação da diversidade e do confronto de opiniões e de teorias, a liberdade de expressão perde seu sopro vital e se torna mero diálogo de surdos, quando não monólogo dos poderosos.
A internet eleva ao máximo o potencial democrático da circulação do pensamento. E coloca, no centro do debate contemporâneo, o conflito entre uma visão formal-patrimonialista e outra material-comunitária da liberdade de expressão. Tal cisão, bem real, pareceria manifestar-se no conflito entre direitos autorais e direito de acesso. Estes não são, porém, necessariamente antagônicos, pois o prestígio moral e econômico de um autor ou de uma obra está, em última análise, ligado à sua visibilidade. São incontáveis os exemplos de escritores e editoras que não só se tornaram mais conhecidos, como tiveram um incremento na venda de suas obras depois que estas apareceram para download. O público que baixa livros é o mesmo que os compra.
Assim, o verdadeiro conflito não é entre proprietários e piratas, mas entre monopolistas e difusionistas. A concepção monopolista-formal dos direitos autorais está embasada na ideia de que aquilo que confere valor à obra é a sua raridade, o seu difícil acesso; já a difusionista-democrática se ampara na inseparabilidade de publicidade e valor. A internet favorece a segunda concepção, uma vez que a existência física do objeto cultural que sustentava a primeira vai sendo substituída por sua transformação em entidade puramente informacional. Desse modo, também se produz uma transformação da natureza das bibliotecas. As novas bibliotecas virtuais se baseiam no armazenamento e na disseminação tais como as antigas bibliotecas materiais, mas oferecem uma mudança decisiva porque a estocagem depende da distribuição e não o contrário: é a difusão que garante o armazenamento descentralizado dos arquivos.
É uma biblioteca sem fins lucrativos e construída nesses moldes modernos e democráticos que se acha sob ameaça devido ao processo movido pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR), sob o pretexto de infringir direitos autorais. O alto preço dos livros, o desaparelhamento das bibliotecas públicas e o encarecimento do xerox levaram um estudante universitário a disponibilizar online textos esgotados ou de difícil acesso para seus colegas. A iniciativa cresceu, atraiu a atenção de estudantes e professores de todo o país e se tornou a mais conhecida biblioteca virtual brasileira de textos acadêmicos, ganhando prestígio comparável ao site “Derrida en castellano”, que sofreu processo semelhante e foi absolvido nas cortes argentinas, como esperamos que o “livrosdehumanas.org” o será pela Justiça brasileira.
Os defensores da concepção patrimonialista dos direitos autorais costumam pintar cenários catastróficos em que a circulação irrestrita de obras gera esterilidade criativa. No entanto, ignoram, ou fingem ignorar, que os textos nascem sempre de outros textos e que o autor é, antes de tudo, um leitor. Hoje, lamentamos a destruição das grandes bibliotecas do passado, como a de Alexandria, e das riquezas que elas protegiam. Poupemo-nos de chorar um dia pela aniquilação das bibliotecas virtuais e pela cultura que elas podiam ter gerado.
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*Alexandre Nodari é doutor em Teoria Literária pela UFSC e editor da Cultura e Barbárie; Eduardo Sterzi é escritor e professor de Teoria Literária na Unicamp; Eduardo Viveiros de Castro é antropólogo e professor do Museu Nacional/UFRJ; Idelber Avelar é crítico literário e professor da Tulane University (Nova Orleans, EUA); Pablo Ortellado é professor de Gestão de Políticas Públicas e de Estudos Culturais na USP, coordenador do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai); Ricardo Lísias é escritor, autor de “O céu dos suicidas”, entre outros; Veronica Stigger é escritora, professora de História da Arte na FAAP, coordenadora do curso de Criação Literária da Academia Internacional de Cinema (AIC).