Tânger, a cidade vista por Tahar Ben Jelloun

7 05 2016

 

 

Henri_Matisse,_1911-12,_La_Fenêtre_à_Tanger_(Paysage_vu_d'une_fenêtre_Landscape_viewed_from_a_window,_Tangiers),_oil_on_canvas,_115_x_80_cm,_Pushkin_MuseumVista de Tânger pela janela, 1912

Henri Matisse (França, 1869-1954)

óleo sobre tela, 115 x 80 cm

Museu Pushkin, Moscou

 

 

“Cidade enfeitiçadora, ela amarra qualquer um contra um eucalipto com velhas cordas que marinheiros distraídos esqueceram no cais do porto; ela segue como uma perseguição; fica-se obcecado por ela como em uma paixão para sempre inacabada; fala-se dela; acredita-se que sem ela toda vida é enfadonha; tem-se necessidade de se saber o que está acontecendo, persuadido de que nada de essencial acontece.

Tânger é como um encontro ambíguo, inquieto, clandestino, uma história que esconde outras histórias, uma revelação que não diz toda verdade, um ar de família que envenena a sua existência desde que você se afasta; e você sente, então, que tem necessidade dela sem jamais conseguir saber por quê.”

 

 

Em:O último amigo, Tahar Ben Jelloun, Rio de Janeiro, Bertrand:2006, p.43

 





Resenha, “Isso também vai passar” de Milena Busquets

6 05 2016

 

 

andré derain landscape-at-cadaques, 1913, ostPaisagem de Cadaqués, 1913

André Derain (França, 1880-1954)

óleo sobre tela

Coleção Particular

 

 

Sempre admirei a capacidade dos escritores ingleses de escrever histórias de muito interesse nem sempre repletas de dramas, de questões filosóficas, mas centradas em ações enraizadas no dia a dia, que refletem as pequenas frustrações cotidianas e dão uma sensação de satisfação ao leitor que se reconhece, que entende o drama emocional contido numa indecisão, num gaguejar, na dúvida excruciante.  Os britânicos são mestres da insinuação, das reticências carregadas de emoção ou frustração. Essa maneira de retratar os pequenos dramas diários humaniza os personagens. Parte-se do pequeno gesto para se encontrar a verdade universal.

A escritora catalã Milena Busquets dedica-se também à literatura “do nada”, ao relatar do corriqueiro aparentemente sem propósito ou sem pertinência na vida de Blanca personagem principal de Isso também passará, que se encontra no processo de luto por sua mãe recentemente falecida.  Vamos com ela à cidade praiana de Cadaqués, acompanhados de suas amigas, das crianças, dos dois ex-maridos e do amante. Conhecemos o cachorro do passado. Memorizamos os nomes de uma enormidade de personagens que a rodeia. Todos bebem, fumam, namoram, flertam, dormem mostrando um comportamento de grupo semelhante ao de adolescentes tardios, ainda que estejam aproximadamente na quarta década de suas vidas.

 

ISSO_TAMBEM_VAI_PASSAR_1452964903548082SK1452964903B

 

 

Milena Busquets tenta trazer para a ficção a difícil arte de Woody Allen no cinema, como uma citação na própria capa do livro rotula. Mas Blanca se diferencia das personagens de Allen  porque não parece nem complexa nem particularmente inteligente. E não tem nada a dizer.  Ao contrário, demonstra não ter pleno desenvolvimento psicológico.  Enquanto a acompanhamos em seu processo de luto somos convidados a testemunhar os não-eventos de sua vida, num interminável rosário do corriqueiro. Mas para quê?  O que ela ou nós leitores retiramos dessa festa de detalhes?

O livro que chegou ao Brasil repleto de boas apresentações: “Melhor Livro de 2015” de acordo com o jornal espanhol La Vanguardia; “Comovente…o retrato de uma geração” diz o jornal francês Le Monde —, desaponta. As credenciais da autora no mundo editorial talvez tenham ajudado na tradução de sua primeira obra de ficção para 32 línguas.  Mas por mais que tente Milena Busquets não chega a amadurecer a personagem principal.  Perde-se o fio condutor, o eixo emocional, que leve Blanca a encontrar a verdade anunciada no título da obra.

 

milena busquetsMilena Busquets

 

Cada um de nós lida com a perda de um ente querido de maneira diferente. Blanca aos quarenta anos, ainda não amadureceu emocionalmente. Procura e encontra no sexo seu único momento de alívio pela perda emocional. Não é lá que irá encontrar o abrigo para sua alma ferida.  Falta a Blanca um mínimo de reflexão, uma pequena luz que a leve à descoberta de si mesma, algo que também permita o leitor a ter interesse sobre seu destino; que faça com que ele se interesse pelo futuro: chegará Blanca ao outro lado da crise ou será absorvida por ela?  O dito “isso também passará” não proporciona uma resolução satisfatória.

Pena que haja quem descreva a personagem e suas falhas como características de uma geração.  Pois esse é o retrato do vazio do lugar comum. A geração nascida há quarenta anos merece uma caracterização mais rica e complexa. A obra deixa a desejar. Não recomendo.





Rio de Janeiro, cidade olímpica!

6 05 2016

 

 

CLAUDIO FACCIOLLI Lagoa  tinta acrílica sobre tela, 120 x 136 cm. Assinado no canto inferior esquerdo. No verso, titulado, assinado, localizado e datado, Rio de Janeiro, 2014.Lagoa, 2014

Cláudio Faccioli (Brasil, 1955)

acrílica sobre tela, 120 x 136 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

4 05 2016

 

 

MANOEL Constantino (1899 - 1976) Garrafão e tacho sobre a mesa, o.s.m. - 60 x 73 cm. Ass. dat. 1952 e localizado RioGarrafão e tacho sobre a mesa, 1952

Manoel Constantino (Brasil, 1899-1976)

óleo sobre madeira, 60 x 73 cm





Imagem de leitura — Jules Laure

4 05 2016

 

 

Jules Laure (França, 1806-1861), A hora da leitura, óleo sobre tela, 55 x 46cmA hora da leitura

Jules Laure (França, 1806-1861)

óleo sobre tela, 55 x 46 cm





Imagem de leitura — Jean-Pierre Alaux

2 05 2016

 

 

Jean-Pierre Alaux _surrealism (2)

Sem título

Jean-Pierre Alaux (França, 1925)





Nossas cidades: Morretes, PR

2 05 2016

 

 

guidoviaro_morretesGuido Viaro – Morretes. Vista do Marumbi, sem dataMorretes, vista do Marumbi, s/d

Guido Viaro (Itália/Brasil, 1897-1976)

óleo sobre tela





Domingo, um passeio no campo!

1 05 2016

 

Alfredo Volpi- Cena Rural produzido em meados da década 20, óleo sobre tela, medindo 50cmx71cm, assinado no canto inferior direitoCena rural, década de 1920

Alfredo Volpi (Itália/Brasil, 1896-1988)

óleo sobre tela, 50 x 71 cm





Flores para um sábado perfeito!

30 04 2016

 

 

I. SPELTRI, Vaso de antúrio - Óleo sobre papel - 70x50 cm - ACID 1988Vaso com antúrios, 1988

Ingres Speltri (Brasil, 1940)

óleo sobre papel, 70 x 50 cm





Imagem de leitura — Jules Pascin

29 04 2016

 

 

Girl in Green Reading (1917). Jules Pascin (Bulgarian, 1885-1930). Oil on canvas. The Barnes Foundation.Moça de verde lendo, 1917

Jules Pascin (Bulgária, 1885-1930)

óleo sobre tela

The Barnes Foundation, EUA