Idoso lendo, 2005
Berry Toni (EUA, contemporâneo)
óleo sobre tela, 51 x 41 cm
“Tempos difíceis favorecem a boa literatura, mas tempos difíceis também dificultam a leitura.”
Michel Butor (1926-2016)
Idoso lendo, 2005
Berry Toni (EUA, contemporâneo)
óleo sobre tela, 51 x 41 cm
Michel Butor (1926-2016)
Cristo Redentor, 1997
Glauco Rodrigues (Brasil, 1929-2004)
técnica mista com colagem sobre cartão, 47x 73 cm
Fausto Guedes Teixeira
Amar ou odiar: ou tudo ou nada!
O meio termo é que não pode ser.
A alma tem que estar sobressaltada
Para o nosso barro se sentir viver…
Não é uma cruz a que não for pesada,
Metade de um prazer não é um prazer;
E quem quiser a alma sossegada,
Fuja do mundo e deixe-se morrer!
Vive-se tanto mais quando se sente:
Todo o valor está no que sofremos.
Que nenhum homem seja indiferente!
Amemos muito como odiamos já:
A verdade está sempre nos extremos
Porque é no sentimento que ela está!
Natureza morta, 1950-53
Manabu Mabe (Japão-Brasil, 1924-1997)
óleo sobre tela, 38 x 46 cm
Natureza morta, 1929-30
Cícero Dias (Brasil, 1907-2003)
aquarela sobre papel, 30 x 47 cm
Senhora lendo
Ady de Lannay (Bélgica, 1900-1942)
óleo sobre tela
Em um grupo de escritores a que pertenço conversamos algumas vezes sobre biografias, como escrevê-las, se são ou não ficção, se queremos ou não ser ghost writers, se precisamos ter alguma empatia para com a pessoa biografada, e até que ponto biografias são ficção. Não chegamos a qualquer conclusão nessas conversas, mas é uma temática interessante para quem escolhe a carreira de escritor.
José Luís Peixoto, no livro Almoço de domingo, abraça a oportunidade de biografar um empresário português, um milionário, que apesar de ser da região do Alentejo, a mesma do escritor, não se conheciam. O comendador Rui Nabeiro tem de fato uma história magnifica de crescimento e sucesso da venda de café à expansão para vinícolas e depois ainda maior diversidade em outras áreas de negócios. Imagino que dadas as devidas proporções poderia ser equivalente a história de um Abílio Diniz aqui no Brasil.
Este foi o terceiro livro de José Luis Peixoto que li. O primeiro, um livro chamado Livro, me encantou sobremaneira. Uma escrita exemplar na criatividade, sem chegar a extremos em busca da novidade. Li, anos mais tarde Nenhum olhar, completamente diferente, encantador, onírico e asfixiante, Ambas as resenhas se encontram neste blog, e também nos sites Skoob e Goodreads. E agora, Almoço de domingo traz outra faceta do autor, que tendo sido contratado para esta biografia, consegue inovar substancialmente a forma, usando de subterfúgio engenhoso.
A vida de Rui Nabeiro, (seu sobrenome não é nunca usado) conhecemo-lo simplesmente como Rui, é narrada em duas vozes. A onírica, na primeira pessoa, usa de toda a imaginação de Peixoto e compõe os pensamentos, emoções de Rui, enquanto a voz narrativa, a que nos revela a história do personagem principal, é objetiva e precisa. As duas vozes se misturam sem criar qualquer problema e como resultado temos uma visão tridimensional do personagem principal. Sabemos de seus pensamentos e sonhos assim como de suas ações e os motivos delas serem executadas.
Em nenhum momento a narrativa se arrasta. O ritmo é preciso e cobre em um pouco mais de duzentos e cinquenta páginas os noventa anos do biografado. Dos três livros que li de José Luís Peixoto este não é o meu favorito. Mas confesso ter grande apreço pela maneira como o autor resolveu a difícil tarefa de fazer uma biografia para um público geral de uma pessoa desconhecida além das fronteiras portuguesas, e ainda assim conseguir seduzir o leitor a ler com gosto a obra.
Àqueles que acreditam um dia escreverem a biografia de quem quer que seja, recomendo a leitura não só como exemplo de criatividade mas sobretudo na seriedade com que a forma da biografia é tratada.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.
Paisagem,, 1974
Roberto Vieira (Brasil, 1939)
óleo sobre eucatex, 90 x 90 cm
Mina de ferro – Itabira, 1976,
Djanira da Motta e Silva (Brasil, 1914-1979)
óleo sobre tela, 65 x 81 cm
Coleção Evandro Carneiro
Manhã em Cape Cod, 1950
Edward Hopper (EUA,1882-1967)
óleo sobre tela, 87 x 102 cm
Smithsonian American Art Museum
Vaso com campânulas
Luciana Colnago F. R. (Brasil, contemporânea)
grafite sobre papel. 43 x 38 cm
Vaso de flores, 1964
Aldemir Martins (Brasil, 1922-2006 )
desenho a nanquim sobre papel, 38 x 27 cm
O enterro de Atala, 1808
Anne-Louis Girodet (França, 1767-1824)
óleo sobre tela, 207 x 267 cm
Louvre
Juvenal Galeno
Hoje, Dia de Finados,
Às campas os vivos vão
Aos mortos render menagem;
Mas, com certa ostentação…
E eu visito um cemitério
Dentro do meu coração.
Ai, nele, quantos sepulcros,
Quantas cruzes no seu chão:
Amores da primavera,
Amores do meu verão,
Que em meu outono revejo
Dentro do meu coração.
Quantas florinhas fanadas,
Ai, murchas ‘inda em botão;
Quanta esperança perdida,
Ai, quanta morta ilusão…
Aqui todas sepultadas
Dentro do meu coração.
E quantas cruzes de amigos,
Lembrando dedicação;
De amigos que me deixaram
Chorando na solidão,
Neste triste cemitério,
Dentro do meu coração.
Onde cultivo flores,
Eis minha consolação;
A saudade, a sempre-viva,
Perpétua recordação,
Para enfeitar suas campas,
Dentro do meu coração.
E minh’alma ajoelhada
Nesta santa região,
Entoa sentidas preces
Da mais pura devoção,
Entre ciprestes e cruzes,
Dentro do meu coração.
— Ceará, 2 de novembro de 1904 —