Casas na Glória, década de 1950
Marie Nivouliés de Pierrefort (França/Brasil, 1879 – 1968)
óleo sobre tela, 58 x 65 cm
Casas na Glória, década de 1950
Marie Nivouliés de Pierrefort (França/Brasil, 1879 – 1968)
óleo sobre tela, 58 x 65 cm
Casal conversando, 1898
Simon Glücklich (Áustria, 1863-1943)
óleo sobre tela, 77 x 92 cm
“Preciso te dar os parabéns por não comer uma mulher?, você dizia, preciso te agradecer? Você belicosa, zangada. E não se deu por vencida. Você é boa em discussão. Me diga o que você quer, você insistia. E eu sem dizer mais nada. Não quis continuar. Em que momento o monstro que nós dois éramos foi ficando paralítico? Antes a gente trepava em pé, lembra? No terraço do seu apartamento em Agüero, encostados no armário que pintamos juntos, no chuveiro, uma vez em cima da mesa da copa. Éramos incríveis assim, nos procurando. Tínhamos fome um do outro. De frente com uma perna apoiada na parede, de quatro na poltrona, derrubando os enfeites da mesa, você por cima, envergando o corpo de repente como se fosse abduzir uma nave extraterrestre. Se nos ocorria alguma coisa, éramos versáteis, dinâmicos, girávamos pegando fogo. Pouco a pouco nossa fera de duas costas foi ficando abatida, deitou-se, não levantou mais. Surgia só com a vizinhança da cama, com o contato, horizontal, a fera indolente, trepadas de uma só posição, missionários previsíveis, ou então você de barriga para baixo, quase ausente. Sós e juntos. Ou nas noites em que você estava tão cansada que não chegava a se enfiar direito debaixo das cobertas, ficava entre o edredon e o lençol e não conseguia nem dormir de conchinha com você, nem envolver sua cintura com a mão, nem agarrar seus peitos, nem te dar um beijo no pescoço, separados por um pano esticado, lado a lado, mas inatingíveis, como se estivéssemos em duas dimensões diferentes da realidade.”
Em: A uruguaia, Pedro Mairal, tradução de Heloísa Jahn, São Paulo, Todavia: 2019, pp. 10-11.
Natureza morta com legumes, 2002
Armando P. Dantas (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 55 X 46 cm
Igreja de São Benedito, Cuiabá
Beato Ten Prenafeta (Brasil, contemporâneo)
Óleo sobre tela
Paisagem com Igreja
Carlos Prado (Brasil, 1908 – 1992),
Óleo sobre madeira, 48 x 69 cm
Vasto mundo foi uma agradável surpresa. Um livro de contos entremeados, passados em Farinhada, vilarejo ficcional da Paraíba, que ao final fecha as história como num romance. Com a mão leve e a habilidade de contar o essencial, de maneira bucólica quase poética, Maria Valéria Rezende presenteia os leitores com o mundo fantástico das pequenas comunidades brasileiras esquecidas nos confins interioranos do país.
Quem está familiarizado e aprecia a literatura brasileira de meados do século XX, com a ficção de Mário Palmério, José Condé, José Lins do Rego, Geraldo França de Lima, entre os que retrataram a vida das pequenas comunidades do interior brasileiro, certamente acolherá bem, a escritora e freira Maria Valéria Rezende. Porque ela trabalha dentro dos parâmetros desta tradição brasileira, em que a vidinha das cidades interioranas é caracterizada com leveza e carinho, demonstra a inocência ou ingenuidade do caipira, o ardil de que usa para sobreviver, a aceitação do sobrenatural e a certeza do destino, de que pouco mudará em sua vida do nascimento à morte.

Maria Valéria Rezende adiciona à narrativa descrição clara, por palavras ou ações, do ser humano com falhas e qualidades. E do específico, as histórias se tornam universais. Apesar da linguagem leve, de se ater ao essencial, a autora consegue trazer à tona um travo causado pelos pequenos desapontamentos, esperanças modificadas pelo acaso, que cinzelam o comportamento dos personagens. Cada sonho, ilusão, anseio encontra eco no leitor que se frustra e simultaneamente se encanta com a solução achada pela simplória maneira de ser.
Maria Valéria Rezende
Profundamente humana a narrativa de Maria Valeria Rezende proporciona grande prazer até quando sofremos junto aos personagens que retrata. Recomendo sem restrições a leitura deste livro.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.
Primeira tempestade, rua Mont-Royal
Jeannette Perreault (Canadá, 1958)
óleo sobre placa, 30 x 23 cm
Um interessante artigo em Medium, por Bijal A Shah, mostra como tanto escrever poesia, como ler poesia é uma ótima forma de terapia. Ler poesia, se você se identifica com os sentimentos expressados nos versos, pode atingir mais profundamente o leitor do que textos literários. Poesias tendem a ser sucintas e carregadas de emoção. Ler poesia para desestressar tem sido muito eficiente para seus pacientes.
Tanto a escrita quanto a leitura de poesias têm grande efeito terapêutico.
O uso da poesia em terapia continua a crescer. Mais e mais psicólogos na Grã-Bretanha e Europa usam terapia poética como parte de sua prática.
Paisagem com figura, 1894
João Baptista da Costa (Brasil, 1865 – 1926)
óleo sobre madeira, 60 x 50 cm
Vaso com flor
Sandro Manzini (Itália/Brasil, 1903 – ?)
óleo sobre tela, 80 x 68cm
Pão de açúcar, 1994
Yoshiya Takaoka (Japão/Brasil, 1909 – 1978)
aquarela, 49 x 52 cm