Em casa: Harold Harvey

14 04 2024

Primeiras horas, 1919

Harold Harvey (Inglaterra, 1874-1941)

óleo sobre madeira, 35 x 28 cm





Sobre advogados…

13 04 2024

Escritório de advogados, 1545

Marinus van Reymerswaele (Flandres, 1490-1546)

óleo sobre madeira, 102 x 124 cm

 

 

 

Quantas coisas aprendi no exercício da minha função! Vi um pai morrer num celeiro, sem um tostão, abandonado por duas filhas a quem havia doado quarenta mil libras de renda! Vi testamentos serem queimados; vi mães despojarem seus filhos, maridos roubarem suas mulheres, mulheres matarem seus maridos valendo-se do amor que lhes inspiravam para torná-los loucos ou imbecis, a fim de viver em paz com um amante. Vi mulheres darem ao filho de um primeiro leito gotas que acarretariam sua morte, a fim de enriquecer o filho do amor. Não posso lhe contar tudo o que vi, porque vi crimes contra os quais a Justiça é impotente. Enfim, todos os horrores que os romancistas creem inventar ficam sempre aquém da verdade. O senhor vai conhecer todas essas belas coisas, deixo-as ao senhor; quanto a mim, vou viver no campo com minha mulher, Paris me horroriza.

 

 

(Trecho, que se refere à novela de Honoré de Balzac, titulada Coronel Chabert)

 

 

 

Em: Os enamoramentos, Javier Marías, Rio de Janeiro, Cia das Letras: 2012





Flores para um sábado perfeito!

13 04 2024

Hortênsias

C. Attilio (Itália-Brasil, 1901-1973)

óleo sobre tela, 107 x 81 cm

 

 

 

 

Hortênsias, 1945

Leopoldo Gotuzzo (Brasil, 1887 – 1983)

óleo sobre madeira, 52 x 70 cm

 





A um passarinho, Vinícius de Morais

12 04 2024

Ilustração Asato

 

 

A um passarinho

 

Vinícius de Morais

 

 

Para que vieste

na minha janela

meter o nariz?

Se foi por um verso

não sou mais poeta

ando tão feliz!

Se é para uma prosa

não sou Anchieta

nem venho de Assis.

Deixa-te de histórias

some-te daqui.

 

 

Em: Obra Poética, Rio de Janeiro, José Aguilar: 1968, p.270





Rio de sol, de céu, de mar…

12 04 2024

Passeio Público, 1937

Milton Dacosta (Brasil, 1915-1988)

óleo sobre tela, 26 x 35 cm





Palavras para lembrar: Sacha Guitry

11 04 2024

Leitora

Nicolas Odinet (França, 1953)

óleo sobre tela, 100 x 100 cm

 

 

 

“Há de haver um dia, finalmente, em que eu me decida a ler os livros de há mais de trinta anos, aconselhei meus amigos a ler.”

 

 

Sacha Guitry (1885-1957)





Imagem de leitura: Ladislaus Bakalowicz

11 04 2024

Escolhendo um livro

Ladislaus Bakalowicz (Polônia, 1833-1904)

óleo sobre madeira, 55 x 40 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

10 04 2024

Natureza morta, 1990

Marília Fairbanks Maciel (Brasil, 1924-2012)

óleo sobre tela, 40 x 60 cm

 

 

 

 

Natureza morta

Carlos Lacek (Brasil, 1942)

óleo sobre tela,  50 x 60 cm





O escritor no museu: Raul Bopp

9 04 2024

Retrato de Raul Bopp, c. 1935

Cândido Portinari ( Brasil, 1903-1962)

óleo sobre tela, 46 x 54 cm





O gato vaidoso, Monteiro Lobato

9 04 2024

Companheiros de casa, 2003

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925-2019)

óleo sobre tela

 

 

 

 

O gato vaidoso

 

Monteiro Lobato

 

Moravam na mesma casa dois bichanos, iguais no pelo mas desiguais na sorte. Um, pela dona, dormia em almofadões. Outro, no borralho. Um passava a leite e comia no colo pela mão da senhora. O outro por feliz se dava com espinhas de peixe colhidas no lixo.

Certa vez cruzaram-se no telhado e o bichano de luxo arrepiou-se todo dizendo:

— Passa de largo, vagabundo! Não vês que és pobre e eu rico? Que és gato de cozinha e eu, de salão? Respeita-me, pois, e passa de largo…

— Alto lá, senhor orgulhoso!  Lembra-te que somos irmãos, criados no mesmo ninho.

— Sou nobre! Sou mais que tu!

— Em quê? Não mias como eu?

— Mio.

— Não caças rato como eu?

— Caço.

— Não comes rato como eu?

— Como.

— Logo, não passas de um simples gato igual a mim. Abaixa, pois, a crista desse orgulho idiota e lembra-te que mais nobreza do que eu não tens — o que tens é aoenas um bocado mais de sorte…

Quantos homens não transformam em nobreza o que não passa de um bocado mais de sorte na vida!

 

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Em: Fábulas, São Paulo, Brasiliense: 1956, p. 155