Guiomar e Estêvão no jardim, texto de Machado de Assis

2 10 2025

Lírios brancos. 1911

Frederick Carl Frieseke (EUA, 1874-1939)

óleo sobre tela, 65 x 82 cm

 

 

A moça chegara à cerca; esteve de pé algum tempo, olhou em derredor e por fim sentou-se no banco que ali havia, dando as costas para o jardim de Luís Alves. Abriu novamente o livro, e continuou a leitura do ponto em que a deixara tão só consigo, tão embebida no livro que tinha diante, que não a despertou o rumor, aliás sumido, dos passos de Estêvão nas folhas secas do chão. Teria percorrido meia página, quando Estêvão, reclinando-se sobre a cerca, e procurando abafar a voz para que só chegasse aos ouvidos dela, proferiu este simples nome:
 
– Guiomar!
 
A moça soltou um grito de surpresa e de susto, e voltou-se sobressaltada para o lado donde partira a voz. Ao mesmo tempo levantara-se. A impressão que lhe produzira, e não sei se também algum ar de cólera que lhe notasse no rosto; e além de tudo, o remorso de não haver sufocado aquele grito de seu coração, fez com que Estêvão, quase no mesmo instante, murmurassem tom de súplica:
 
– Perdoe-me; foi uma centelha do passado que estava debaixo da cinza: apagou-se de todo. Guiomar, – sabemos agora que era este o seu nome, – olhou séria e quieta para o seu mal-aventurado interruptor, dois longos e mortais minutos. Estêvão, confuso e vexado, tinha os olhos em terra; o coração palpitava-lhe com força, como a despedir-se da vida. A situação era em demasia aflitiva e embaraçosa para que se pudesse prolongar mais. Estêvão ia cortejá-la e despedir-se; mas a moça, com um sorriso de mais piedade que afeto, murmurou:
 
– Está perdoado.
 
Caminhou para a cerca e estendeu-lhe a mão, que ele apertou, – apertou não é bem dito, – em que ele tocou apenas, o mais cerimoniosamente que podia e devia naquela situação. E depois ficaram a olhar um para o outro, sem se atreverem a dizer nada, nem a sair dali, a verem ambos o espectro do passado, aquele tão amargo passado para um deles. Guiomar foi a primeira que rompeu o silêncio, fazendo a Estêvão uma pergunta natural, como não podia deixar de ser naquelas circunstâncias mas ainda assim, ou por isso mesmo, a mais acerba que ele podia ouvir:
 
– Há dois anos que não nos vemos, creio eu?
 
– Há dois anos, murmurou Estêvão abafando um suspiro.
 
– Já está formado, não? Lembra-me ter lido o seu nome…
 
– Estou formado. Sabe que era o desejo maior de minha tia…
 
– Não a vejo há muito tempo — interrompeu Guiomar.  — Eu saí do colégio, logo depois que o senhor seguiu para S. Paulo. Saí a convite da baronesa, minha madrinha, que lá foi buscar-me um dia, alegando que eu já não tinha que aprender, e que me não convinha ensinar.
 
 
 
Machado de Assis, A mão e a luva, 1874, em domínio publico. 




Sombra e água fresca: Henri Lebasque

2 10 2025

Jovem numa rede em Cannes, c. 1921

Henri Lebasque (França, 1865-1837)

óleo sobre tela

Coleção Particular





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

1 10 2025

Bananas Verdes, 1973

Aldemir Martins (Brasil, 1922-2006)

acrílica sobre tela, 60 x 80 cm

 

 

Fantasias

Zélio Alves Pinto (Brasil, 1938)

óleo sobre tela, 50 x 50 cm 

 





Imagem de leitura: Francis Coates Jones

30 09 2025

Uma menina lendo

Francis Coates Jones (EUA, 1857-1932)

óleo sobre tela, 46 x 25 cm





Nossas cidades: Iraí, RS

30 09 2025

Cidade de Irahy, 1931

Francis Pelichek (República Checa-Brasil, 1896- 1937)

óleo sobre eucatex, 37 x 47 cm 

 





Em três dimensões: Franz Weissman

29 09 2025

Encontro, 1985

Franz Weissmann (Áustria, 1911- 2005)

aço pintado, 4,5 x 4,0 x 2,0 m

Pátio da Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro





“Hiato”, poema de Ladyce West

29 09 2025

Casal comendo próximo à janela,1655

Frans van Mieris, o Velho (Holanda, 1635-1681)

óleo sobre madeira, 36 x 31 cm

UFFIZI, Florença

 

 

 

Hiato

 

Ladyce West

 

Contrariando a física

o tempo parou,

sugado por falha geológica

no descontínuo rolar das horas.

 

Lacuna espelhada na rua deserta

no som suspenso dos carros parados

no intervalo forçado de planos, projetos

breque em desejos, ambições e caprichos.

 

O inimigo invisível por todo lado.

Sombra ou sol, chuva ou névoa,

no ar respirado na cidade, ele impera.

 

Parou o mundo.  Em casa

à janela, abraçados, teimamos

na extravagância do viver.

(Junho, 2020)





Paisagens brasileiras…

28 09 2025

Paisagem, 1916

Arthur Timótheo da Costa

óleo sobre madeira, 34 x 50 cm

 

 

Paisagem

Francisco Brilhante (Brasil, 1901 – 1987)

óleo sobre tela, 26 x 34 cm





Em casa: Albert Anker

28 09 2025

Camponesa com tomando café em casa, 1909

Albert Anker (Suíça, 1831-1910)

Aquarela sobre papel, 34 x 25 cm





Flores para um sábado perfeito!

27 09 2025

Vaso com flores, 1987

Ildeci Bonfá (Brasil, 1960)

óleo sobre tela, 50×40 cm

 

 

 

Vaso com flores, 1949

A. Correia (Brasil, ativo primeira metade século XX)

óleo sobre tela, 55 x 66 cm