Citando Camille Paglia na entrevista do jornal O GLOBO de 15/10/2014

16 10 2014

 

 

25artpaA arte da pintura, 1667

Johannes Vermeer (Holanda, 1632-1675)

óleo sobre tela, 120 x 100 cm

Kunsthistorisches Museum,  Viena

 

Trecho de entrevista do jornal O GLOBO com Camille Paglia.

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O GLOBO — Nós estamos em meio a eleições presidenciais no Brasil, e o tema da cultura está praticamente fora dos debates entre candidatos. Por que você acha que os governos ainda encaram a cultura como alegoria?

Camille Paglia — Os políticos habitam o mundo concreto, pragmático, e já não se espera que sejam analistas culturais. A educação é o veículo da cultura, e é por isso que é o lugar onde a sociedade deve investir fortemente. Infelizmente, nesse clima econômico instável, o apoio financeiro para a educação e as artes está diminuindo, fazendo parecer que a arte é uma frivolidade, quando há desemprego e as pessoas vivem em favelas miseráveis. Além disso, há 35 anos na área de humanas há uma epidemia venenosa das teorias pós-modernas e pós-estruturalistas, que reduz  a arte à política e nega seus sentimentos fundamentais. Como culpar os políticos por sua negligência, quando os guardiões das ciências humanas se comportam com tal irresponsabilidade e niilismo?

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O GLOBO — A pintura perdeu a primazia e a autoridade, como você afirma. Por que a pintura deve ter essa responsabilidade? Por que não outra linguagem artística?

Camille Paglia — Uma das principais invenções no mundo das artes foi o surgimento das pinturas portáteis e emolduradas durante o Renascimento. Antes disso, os pintores faziam suas grandes declarações em gesso fresco, nas paredes, onde a pintura estava estritamente ligada à arquitetura, ou em têmpera de ovo sobre madeira. Ambos secavam rapidamente, portanto os pintores tinham que trabalhar rapidamente, e usavam formas simples e poucas cores. A chegada da pintura a óleo, aperfeiçoada pela primeira vez na Holanda, permitiu que os artistas trabalhassem mais lentamente. Além disso, as misturas de tintas produziam finas gradações de cor, permitindo que o artista captasse sutilezas de luz, sombra e cor da pele. A pintura a óleo foi revolucionária e inspirou artistas a expressar e refinar suas personalidades, seus pensamentos e suas emoções. O declínio da pintura diante da abundância de novas mídias digitais, enfraqueceu seriamente esse prestígio. Centenas de grandes obras foram produzidas durante o reinado da pintura a óleo, ao longo de 500 anos. Mas onde estão as obras-primas de hoje?

O GLOBO — É mais importante o artista estar conectado à tradição ou ao seu próprio tempo?

Camille Paglia — Certos artistas parecem eclodir de seu momento histórico, simbolizando-o, como Lord Byron. Outros como El Greco e Emily Dickinson, são ignorados por seus contemporâneos e redescobertos pelas gerações seguintes. Todos os grandes artistas transcendem seus espaço e tempo. Em termos de tradição, artistas criam sua própria identidade em uma outra dinastia: eles podem rejeitar a geração que os formou e conectar-se com o mestres mortos há muito tempo. Se um artista deseja fama e prêmios instantâneos, ele fala para seu próprio tempo. Mas os maiores artistas saem do passado e falam para o futuro.

 

Para a entrevista completa: O GLOBO





Imagem de leitura — Isca Greenfield-Sanders

13 10 2014

 

 

Isca Greenfield-Sanders, Mommy and Peanut, 2007Mamãe e Amendoim, 2007

Isca Greenfield-Sanders (EUA, 1978)

aquarela e lápis de cor sobre papel, 20 x 20 cm





Revendo a leitura da adolescência

5 10 2014

 

Charlie__Roberts_Hat_and_Glasses_2007 44 x 30 Inches  Gouache on PaperChapéu e óculos, 2007

Charlie Roberts (EUA, 1983)

guache sobre papel, 111 x 76 cm

 

 

Em um charmoso ensaio The Pleasure of Reading to Impress yourself, [O prazer de ler para impressionar a si mesma] publicado na revista The New Yorker, Rebecca Mead, escritora do cadre da revista, revela a lista de livros lidos que anotara a partir dos anos oitenta, ainda adolescente. Ela começa com Dr. Jivago, em 1983 e deixa de listar suas leituras quatro anos depois, em 1987, quando, já na faculdade, fazia crítica literária para um jornal universitário. O último item da longa lista é o livro de Malcolm Bradbury, Mensonge, uma sátira.

Rebecca Mead se redescobre ao ver, mais de vinte anos depois, a lista dos livros lidos. Percebe pela inclusão de muitos títulos que era uma leitora ambiciosa. “O que o meu caderno de títulos me oferece é o meu retrato dessa leitora, jovem mulher, ou um esboço de quem ela era. Eu queria ler muito, mas eu também queria ser bem instruída. O caderno é um pequeno registro dessa realização, mas é também um esboço de uma grande aspiração. Há prazer na ambição também.

Ela  lembra um ponto importante. Nesses anos de formação, de leituras que não são obrigatórias, que não são exigidas pela escola, digamos, nesses vãos de dias e horas livres o adolescente vai se conhecendo, tanto pelos livros chamados ‘comerciais’ que escolhe, como pelos ‘clássicos da literatura’. Muitos livros chegam às nossas mãos nessa época através de algum interesse romântico, através de uma amiga de infância, de alguém que se admira ou de quem queremos nos aproximar. Ela, como muitos adolescentes, comprava seus livros no sebo mais próximo e por uma quantia irrisória foi lendo o que estava dentro de seu orçamento. Daí a presença primeiro muitos clássicos americanos, editados muitas vezes, facilmente encontrados e outros livros mais comerciais. Levou um tempo para chegar aos clássicos ingleses, e mais ainda para vagar pela literatura internacional. Para isso usou a lista de publicação dos livros de bolso Penguin Classics como diretiva.

Foi uma volta ao passado e uma surpresa ao descobrir-se tão ambiciosa. E você? Que memórias tem das suas leituras nos anos formativos?





Imagem de leitura — George van Hook

20 09 2014

 

 

hook_0017Um raio de luz

George van Hook (EUA, 1954)

óleo sobre tela, 60 x 75 cm





Imagem de leitura — Diego Alfonso Más

28 08 2014

 

 

Diego Alfonso MasO ginete polonês, 2005

Diego Alfonso Más (Uruguai,1974)

óleo sobre tela,  130 x 73 cm

www.diegoalfonsomas.com





Palavras para lembrar — Victor Hugo

22 08 2014

 

 

edwardb_gordon2Sem título, 2010

Edward B. Gordon ( Alemanha, 1966)

Óleo sobre madeira, 15 x 15 cm

www.gordon.de

 

 

“Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece, como o corpo que não come.”

 

Victor Hugo





Imagem de leitura — Stanley Spencer

11 08 2014

 

 

love-letters-1950

Cartas de amor, 1950

Stanley Spencer (Inglaterra, 1891-1959)

óleo sobre tela, 86 x 117 cm

Museu Thyssen-Bornemisza, Madri





Imagem de leitura — Hernan Bas

31 07 2014

 

 

Hernan Bas [2007 - Hernan Bas] Mephistopheles at 17 (reading poetry)[5]Mefistófeles aos 17 anos [lendo poesia], 2007

Hernan Bas (EUA, 1978)

técnica mista sobre tela, 61 x 51 cm





Imagem de leitura — Vicki Shuck

24 07 2014

 

 

Vicki Shuck, RiversideCafé e notícias no mercado de Riverside, 2011

Vicki Shuck (EUA, contemporânea)

óleo sobre madeira, 35 x 45 cm

www.vickishuck.com

 





Imagem de leitura — C. Michael Dudash

19 07 2014

 

 

C. Michael DudashO estúdio de Valerie

C. Michael Dudash (EUA, 1952)

óleo sobre tela, 75 x 108 cm

www.cmdudash.com