Nossas cidades: Lagoa Santa, MG

6 01 2026

Vista de Lagoa Santa, 1969

Inimá de Paula (Brasil, 1918-1999)

óleo sobre tela, 42 x 130 cm





Flores, porque hoje é sábado…

3 01 2026

Jarra com rosas sobre a mesa, década de 1960

Manoel Santiago (Brasil, 1897-1987)

óleo sobre tela, 46 X 39 cm

Vaso com flores, 1994

Henrique Oliveira (Brasil, 1973)

óleo sobre tela,  46 x 33 cm





Da janela vê-se o Corcovado…

2 01 2026

Rio de Janeiro, baia da Guanabara, 1939

Antônio Cassiano Meirelles (Recife, 1919-?)

óleo sobre tela, 31 x 20 cm.





Para o 1º dia do ano: uma letra especial de Nelson Motta!

1 01 2026

Marinha, 1946

Yvonne Visconti Cavalleiro (Brasil, 1901-1965)

óleo sobre tela, 34 x 50 cm

 

 

Como uma onda (Zen-surfismo)

 

Canção de Lulu Santos ‧ 1983

Letra de Nelson Motta

 

 

Nada do que foi será

De novo do jeito que já foi um dia

Tudo passa, tudo sempre passará

A vida vem em ondas

Como um mar

Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é

Igual ao que a gente viu há um segundo

Tudo muda o tempo todo no mundo

Não adianta fugir

Nem mentir

Pra si mesmo agora

Há tanta vida lá fora

Aqui dentro sempre

Como uma onda no mar

Como uma onda no mar

Como uma onda no mar

Como uma onda no

Nada do que foi será

(De novo do jeito que já foi um dia)

(Tudo passa, tudo sempre passará)

Tudo que se vê não é

Igual ao que a gente viu há um segundo

Tudo muda o tempo todo no mundo

(Não adianta fugir

Nem mentir

Pra si mesmo agora

Há tanta vida lá fora

Aqui dentro sempre

Como uma onda no mar

Como uma onda no mar

Como uma onda no mar

Como uma onda no mar)

-*-*-*-

 

 

Por uma dessas circunstâncias da web essa música apareceu para mim diversas vezes nos últimos dias.  Achei apropriada para o começo de um novo ano.  É uma música filosófica.  Perfeita para pensarmos sobre a passagem do tempo e memória. E nesses dias aprendi algo que não sabia.  Foi numa postagem no Instagram de Fabricio Mazocco (@enigmasdorock), que soube que Nelson Motta havia se inspirado em dois livros: A arte cavalheiresca do arqueiro Zen, de Eugen Herrigel e Buda, de Jorge Luis Borges.  Mais ainda, que ele usou um verso de Vinícius de Moraes, A vida vem em ondas como o mar, como uma homenagem ao poeta, que havia acabado de falecer, e que retirou do poema O Dia da Criação. Só boas referências tinham que suscitar a belíssima letra dessa canção.

 

 

O Dia da Criação 

 

Vinícius de Moraes

 

O dia da CriaçãoQue tem como epígrafe as palavras da BíbliaMacho e fêmea, os criouSegundo Gênese, versículo 27
 
Hoje é sábado, amanhã é domingoA vida vem em ondas, como o marOs bondes andam em cima dos trilhosE nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar
 
Hoje é sábado, amanhã é domingoNão há nada como o tempo para passarFoi muita bondade de nosso Senhor Jesus CristoMas por via das dúvidas, livrai-nos, meu Deus, de todo mal
 
Hoje é sábado, amanhã é domingoAmanhã não gosta de ver ninguém bemHoje é que é o dia do presente
 
O dia é sábado
Impossível fugir a essa dura realidadeNeste momento todos os bares estão repletos de homens vaziosTodos os namorados estão de mãos entrelaçadasTodos os maridos estão funcionando regularmenteTodas as mulheres estão atentas
 
Porque hoje é sábado
Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábadoHá um divórcio e um violamento
(Porque hoje é sábado)
Há um homem rico que se mata(Porque hoje é sábado)Há um incesto e uma regata(Porque hoje é sábado)
Há um espetáculo de gala(Porque hoje é sábado)E há uma mulher que apanha e cala(Porque hoje é sábado)
Há um renovar-se de esperanças(Porque hoje é sábado)E há uma profunda discordância(Porque hoje é sábado)
Há um sedutor que tomba morto(Porque hoje é sábado)E há um grande espírito de porco(Porque hoje é sábado)
Há uma mulher que vira homem(Porque hoje é sábado)E há criancinhas que não comem(Porque hoje é sábado)
Há um piquenique de políticos(Porque hoje é sábado)E há um grande acréscimo de sífilis(Porque hoje é sábado)
Há um ariano e uma mulata(Porque hoje é sábado)E há um tensão inusitada(Porque hoje é sábado)
Há adolescências seminuas(Porque hoje é sábado)E há um vampiro pelas ruas(Porque hoje é sábado)
Há um grande aumento no consumo(Porque hoje é sábado)E há um noivo louco de ciúmes(Porque hoje é sábado)
Há um garden-party na cadeia(Porque hoje é sábado)E há uma impassível lua cheia(Porque hoje é sábado)
Há damas de todas as classes(Porque hoje é sábado)Umas difíceis, outras fáceis(Porque hoje é sábado)
Há um beber e um dar sem conta(Porque hoje é sábado)Há uma infeliz que vai de tonta(Porque hoje é sábado)
Há um padre passeando à paisana(Porque hoje é sábado)E há um frenesi de dar banana(Porque hoje é sábado)
Há a sensação angustiante(Porque hoje é sábado)De uma mulher dentro de um homem(Porque hoje é sábado)
Há a comemoração fantástica(Porque hoje é sábado)Da primeira cirurgia plástica(Porque hoje é sábado)
E dando os trâmites por findos(Porque hoje é sábado)Há a perspectiva do domingoPorque hoje é sábado (sábado!)




Eu, pintor: Alberto Valença

15 12 2025

Autorretrato como se em 1922, 1942

Alberto Valença (Brasil, 1890-1983)

óleo sobre tela, 48 x 40 cm





Flores para um sábado perfeito!

13 12 2025

Bico de papagaio, (Flores)

Colette Pujol (Brasil, 1913-1999)

óleo sobre tela, 48 x 63 cm

Asa de Arara,1950

Leopoldo Gotuzzo (Brasil, 1887 – 1983).

óleo sobre tela, 61 X 110 cm





Vento do mar e o sol no meu rosto a queimar…

12 12 2025

Janela dos Dois Irmãos, 1997

Jorge Eduardo Alves de Souza (Brasil, 1936)

óleo sobre chapa de madeira industrializada,104 x 135 cm





A minha terra natal, poesia de Helena Lellis de Andrade

10 12 2025

Paisagem mineira

Armínio Pascual (Brasil, 1920 – 2006)

óleo sobre eucatex, 30 x 40 cm

A minha terra natal

 

Helena Lellis de Andrade

 

Há montanhas azuladas
E campinas verdejantes
Um rio murmurante
De águas sempre a rolar

Há coqueiros, altaneiros
Sapatinhos e ipês
Há prédios altos, vistosos
Há choupanas de sapé

Há uma cruz no alto do morro
Com capelas pra rezar
Lembram passos dolorosos
De Jesus a se imolar

Há no lindo azul do céu
Brancas nuvens a passar
Estrelas brilham, cintilam
Nas noites claras de luar

Há estradas, automóveis
Trens, bondes e oficinas
Há sirenes e buzinas
Há coisas intermináveis

Há carrilhões, afinados
Tocando ao meio dia
Rezando as Ave Marias
Chorando para os finados

Não é brilhante nem ouro
Mas vale mais que tesouro
É a imagem milagrosa
Da nossa padroeira
A Senhora Aparecida
Do Brasil tão querida
Das Graças a medianeira

Há carrilhões, afinados
Tocando ao meio dia
Rezando as Ave Marias

 

(29 de julho 1952)





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

10 12 2025

Maçãs

Georgina de Albuquerque (Brasil,1885-1962)

óleo sobre tela, 38 x 46 cm

 

 

Natureza morta,1909

Bertha Worms (França-Brasil, 1868-1937)

óleo sobre tela, 64 x 53 cm





Eu sou tal qual o Parnaíba, soneto de Da Costa e Silva

8 12 2025

Paisagem com rio

Antenor Finatti (Brasil, 1923)

óleo sobre tela,  64 x 83 cm

 

 

 

Eu sou tal qual o Parnaíba

 

Da Costa e Silva

 

Eu sou tal qual o Parnaíba: existe

Dentro em meu ser uma tristeza inata,

Igual, talvez, à que no rio assiste

Ao refletir as árvores, na mata…

 

O seu destino em retratar consiste,

Porém o rio tudo o que retrata,

De alegre que era, vai tornando triste,

No fluido espelho móvel de ouro e prata…

 

Parece até que o rio tem saudade

Como eu, que também sou desta maneira.

Saudoso e triste em plena mocidade.

 

Dá-se em mim o fenômeno sombrio

Da refração das árvores da beira

Na superfície trêmula do rio…