Sobrado em Paraty, 19969
Djanira da Motta e Silva (Brasil, 1914-1979)
acrilica sobre tela 54 x 73 cm
Sobrado em Paraty, 19969
Djanira da Motta e Silva (Brasil, 1914-1979)
acrilica sobre tela 54 x 73 cm
Leitura na poltrona
Alfonso Cuñado (Espanha, 1953)
óleo sobre tela, 50 x 50 cm
“Nossos mortos e nossos filhos são as coisas mais importantes que nos acontecem na vida. Sempre recebo muitas mensagens, porque sou bastante acessível. Mas com esse livro foram muitíssimas. E 90% das pessoas me escreviam para contar histórias de mortes próximas. O extraordinário é que essas histórias não eram tristes, eram preciosas, celebravam o amor. Acho que essas pessoas não tinham podido contar isso a ninguém, nem sequer podiam reconhecer que havia alguma beleza ali, porque, quando há uma morte, temos a cabeça mergulhada na dor. Então, o meu livro, sem que eu tivesse a intenção, proporcionou aos leitores o resgate da beleza das mortes próximas.”
Essa foi a resposta do público que Rosa Montero recebeu depois da publicação de seu livro: A ridícula ideia de nunca mais te ver, tradução de Mariana Sanchez, Editora Todavia: 2019
Citação encontrada no livro: Sobre a ficção, Ricardo Viel, Companhia das Letras: 2025
Rege o vento na floresta
fagotes, trompas, clarins,
enquanto a brisa, modesta,
toca flauta nos jardins…
(Orlando Brito)
A colheita, 1903
Antonio Ferrigno (Itália-Brasil, 1863-1940)
óleo sobre tela, 100 x 150 cm
Museu do Ipiranga
Café, 1940
Candido Portinari (Brasil, 1903-1962)
óleo sobre tela, 46 x 55 cm
Não sei quem me recomendou esse livro de entrevistas de autores das línguas ibéricas. Foi recomendado porque não estava no meu horizonte. Agradeço a quem o fez. Foi uma leitura gostosa. Dos dez escritores entrevistados só não conheço a obra de um deles ainda que já soubesse de sua existência. O livro abre e fecha com as entrevistas de que mais gostei, autoras cujas personalidades conseguiram ultrapassar os diversos filtros de distanciamento existentes em qualquer entrevista; uma espanhola e uma portuguesa: Rosa Montero e Djaimilia Pereira de Almeida. Um elogio precisa ser feito ao trabalho de Ricardo Viel, que em Sobre a ficção [Cia das Letras: 2025] regeu as conversas com cada um dos romancistas de maneira segura, mostrando conhecimento das obras de cada um, sem interferências irrelevantes, deixando cada escritor aparentemente à vontade — personalidades, aparecendo através dos diálogos.
Ao final, cheguei a uma conclusão: escritores são gente igual a toda gente. Há uns mais simpáticos, outros modestos, um ou outro mais cheio de si. Quer se vejam como referências da ‘alta’ literatura, quer sua obra seja altamente pessoal, eles vêm de todos os cantos do mundo, de todas as classes sociais, de famílias que liam ou não, com ou sem livros em casa. E a leitura pode ser descoberta em criança, na adolescência ou como jovens adultos. E não há idade para se começar. Todos têm hábitos diversos. Não há padrão. Não há comportamento igual. Não há predestinação, nem caminho fácil para o sucesso. Notívagos ou não, organizados e desorganizados, com planos detalhados dos personagens já sabendo como será o ponto final do romance ou escrevendo de supetão, instintivamente, sem ideia prefixa de para onde vão, cada um deles se encontrou como escritor por diferentes meios. Os dez romancistas entrevistados são contemporâneos, já foram aplaudidos por milhares de pessoas, têm sucesso além fronteiras da terra natal, veem o que fazem de maneiras diferentes. O único ponto em comum, mesmo, é a necessidade de escrever. Essa supera grande parte de todas outras atividades de suas existências. E podem escrever diariamente ou passar anos sem colocar uma palavra no papel.
Na era em que tudo parece ter um livro ou um método para como escrever; como superar o bloqueio; com que tipo de primeiro parágrafo atrair o leitor; entender a ‘Jornada do Herói’, dividi-la ou não nas doze partes que Joseph Campbel a descreveu; tudo isso parece, ao final dessas entrevistas, irrelevante. Cursos e mais cursos que se multiplicam na internet, sobre como ser ou tornar-se um escritor, provavelmente pouco poderão ensinar. Ler. Ler, ler. Ler muito e constantemente, parece ser a melhor pedida. Fica a dica.
No final o que resta é a obra. Ela é o que realmente conta. As atividades e circunstâncias da vida de cada autor, não são de grande relevância a não ser para quem gostaria de biografá-los. É a obra.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
Natureza morta
Yvonne ViscontiCavalleiro (França-Brasil, 1902 – 1965)
aquarela sobre papel, 31 x 20 cm
Vaso com flores
Tadashi Kaminagai (Japão-França, 1899-1982)
óleo sobre tela – 58 x 43 cm
Espere, alguma coisa não está correta!, 2023
Stephen Hall (Escócia, 1954)
acrilica sobe tela, 102 × 76 cm
António Manuel Couto Viana (1923–2010)
Avestruz:
O sarcasmo de duas asas breves
(Ânsia frustrada de espaço e luz,
De coisas frágeis, líricas, leves);
Patas afeitas ao chão;
Voar? Até onde o pescoço dá.
Bicho sem classificação:
Nem cá, nem lá.
Isto sou (Dói-me a ironia
– Pudor nem eu sei de quê).
Daí a absurda fantasia
De me esconder na poesia,
Por crer que ninguém a lê.
Em: O avestruz lírico, 1948
Nota: encontrei esse poema hoje, por acaso. Não resisti, tive que trazê-lo para cá. Ri muito.
Praia de Copacabana, 1995
Ivan Freitas (Brasil, 1932-2006)
óleo sobre madeira industrializada, 80 x 106 cm