A árvore de Natal de Jean Lou, texto de Gregório José

2 12 2011

A árvore de Natal de Jean Lou:

um conto de Natal

Gregório José

 –

A história passa-se perto de uma aldeia de Vesges, numa casa isolada, próximo de uma floresta de pinheiros.

— Papá, perguntou Jean Lou, quando acordou – Quero uma árvore de Natal.  Os meus amigos da aldeia vão todos ter uma.

–Mas tu não tens necessidade de uma árvore de Natal, respondeu-lhe o pai.  – Há tantas em volta da casa.

— Não árvores de Natal, são pinheiros.

— É a mesma coisa.

Oh, não, não era a mesma coisa, pensou o filho.  Para um pinheiro se tornar uma árvore de Natal, é preciso que se ilumine, e que tenha prendas para os meninos!

Jean Lou sentiu o coração encher-se de desgosto.  A mamã tinha morrido na Primavera, e op ai, sozinho com dois filhos, não substituía a sua ternura.  Mas Jean não perdera de todo a esperança e perguntou ao irmão mais velho, Lucien, — O que é preciso para ter uma árvore de Natal.

Ora os pintarroxos, essas avezinhas simpáticas de babete vermelho, vão próximo das casas, não têm medo das pessoas, mas vivem sempre isoladas.  Jean Lou entrou em casa,  colou o rosto  contra o vidro da janela e observou atentamente a estrada.  Era o entardecer.  Um pintarroxo pousou nela, de seguida um outro sobre um arbusto. O coração do menino saltou acelerado, enquanto via um terceiro pousar sobre um tufo de ervas.

— Um, dois, três… contou o rapazinho.

— Vejo-os, vejo os três pintarroxos, vou ter a minha árvore de Natal!

Precipitou-se de encontro a Lucien, que regressava do campo: — Vou ter minha árvore de Natal!

— Mas que se passa?  Admirou-se Lucien, que tinha esquecido a brincadeira.

— Vi três  pintarroxos juntos!

—  Juntos?  Uns ao lado dos outros?

— Não. Um na estrada, outro num arbusto e outro sobre a relva.  Mas vi-os ao mesmo tempo.  Vou ter a minha árvore de Natal?

— Sem dúvida, prometeu o irmão, perante tanta alegria.  Mas como?

Lucien bem gostaria de dar essa alegria ao seu irmãozinho, mas como encontrar uma verdadeira árvore de Natal?

Após o jantar, Lucien foi dar um passeio, procurando uma idéia. Pinheiros não faltavam.. e quando acariciava um dos mais bonitos, a percebeu-se de um suave murmúrio: “eu farei uma bonita árvore de Natal, se tu quiseres…”

— Não posso levar-te para casa.

— Trarás o teu irmão junto de mim.

— Mas… falta-te tudo, para seres uma árvore de Natal.

— Podemos encontrar tudo aqui.  Tenho amigos, a neve, a geada, as corujas, os silvados, a lua, o céu e até mesmo as aranhas, que estão escondidas no celeiro.  Os meus amigos poderão ajudar-te, não queres?

Então a neve disse:  “Tornarei branco o pinheiro, como se fosse de arminho”; a geada pronunciou: “Fá-lo-ei brilhar como se estivesse salpicado de diamantes”; os silvados: “Nós temos bonitas bagas vermelhas”;  as corujas prometeram dissimularem-se nas ramagens e abrindo e fechando os olhos brilhantes, substituírem as lâmpadas elétricas.

O céu oferecia as estrelas, para enfeitar as pontas dos ramos, e a Lua estenderia os seus raios brilhantes, para colorir as pinhas e os brinquedos de madeira que Jean teria.

Lucien regressou a casa, contentíssimo.  Mas de repente, pensou que se tinha esquecido das aranhas.  Que poderiam elas oferecer?  Foi ao celeiro.

— Fizeste bem em vir, disseram elas, poderemos tornar a árvore verdadeiramente bela.  Lançaremos fios de alto a baixo, e a envolveremos numa rede de renda.

— Mas os vossos fios são escuros e tristes?!?!

— Não.  A geada prateará os nossos fios, verás.

A noite de Natal chegou.

O pai tinha comprado um lindo bolo.  Jantaram e deitaram-se.  Assim que pressentiram que o pai dormia, Lucien agasalhou muito bem o irmão e saíram silenciosamente.

Ao  dobrar a esquina da estrada, Jean parou fascinado.  A Árvore de Natal estava ali, grande e tão bem enfeitada que nada poderia haver de mais belo.

Os ramos cintilavam.  Longos fios prateados envolviam-na e as corujas  escondidas abriam e fechavam os olhos alternadamente.

Jean nem se preocupava com os brinquedos, pendurados pelo irmão:  um pífaro feito de um junco, animais feitos à faca, um cachimbo e misteriosos saquinhos com berlindes, bonbons e outras coisas.

A Lua dava um tom dourado a tudo.  As estrelas cintilavam docemente nas extremidades dos ramos, enquanto ao longe, o som mavioso dos sinos subia e chegava até eles.

Foi assim que Jean, o menino órfão de mãe, pode ter, para ele só nessa noite, a mais linda árvore de Natal.

Tradução do livro Les Contes de Perrette

Em:  Comércio do Seixal e Sesimbra, Semanário,  17 de dezembro de 2010, Ano IV, nº 129





Quadrinha pelo Natal das crianças

2 12 2011

Deus na terra… Eis o Natal!

Repicam sinos… Festanças…

Feriado nacional          

no coração das crianças!

( J. G. de Araújo Jorge)





Palavras para lembrar — Mallarmé

1 12 2011

Retrato de mulher, s/d

Camilo Mori Serrano ( Chile, 1896-1973)

“No fundo, o mundo é feito para acabar num belo livro.”

Mallarmé (1842-1898)





Cartões de Natal com pássaros

1 12 2011

Cartão de Natal dos Estados Unidos, com a pomba da paz.

Volto a postar — a primeira vez em 2011 —  belas imagens de cartões de Natal, que foram recolhidas ao longo do ano.  Na organização dessas imagens percebi que os cartões de Natal brasileiros, atuais,  em sua grande maioria se restringem ou à imagem da Natividade ou à figura de Papai Noel.  Ambas são imagens apropriadas para a época que revelam duas facetas dessa festa.  No entanto, há outras tradições que na migração para o Brasil se perderam.  Dentre elas está a associação de pássaros ao Natal. Pelo menos quando consideramos o desejo de um Feliz Natal.

Cartão postal comemorando a passagem de 1910 para 1911.

Muitas das tradições natalinas européias puderam se adaptar melhor aos países do Novo Mundo que tinham climas semelhantes na época do Natal.  Assim, muito da imaginária representando neve, frio, inverno, tão familiar aos imigrantes da Polônia, Alemanha, Rússia, França, Irlanda, Inglaterra,  e  até mesmo aqueles do norte da Itália  pode ser transposta sem problema de adaptação para a América do Norte: tanto Canadá como Estados Unidos.

Mas é curioso imaginar que as imagens relacionadas ao Natal  com tantos elementos que são abundantes no Brasil: pássaros, a flor bico de papagaio — que é originalmente do México e simboliza o Natal lá fora –  [poinsettia], não fizeram parte da nossa imagística natalina.  A própria Poinsettia só entrou no nosso Natal, via EUA.  Quando os brasileiros começaram a viajar mais para lá e descobrir que essas plantas fazem parte da decoração de qualquer lugar — casa ou instituição do governo, restaurante, hotel, e todo tipo de loja.

Cartão de Natal, americano, com trocadilho Cheery (alegre) também é associado ao ruido dos pássaros.

A tradição de pássaros na representação do Natal reverte à mesma necessidade de re-nascença que o espírito de Natal evoca.  Já na época anterior ao nascimento do Menino Jesus, havia celebrações na Europa no solstício de inverno quando símbolos da vinda da primavera eram trazidos para dentro de casa — daí a árvore de Natal, feita de um pinheiro, que é uma árvore que não perde as folhas no inverno.  O seu tom verde lembrava a primavera.  E o pássaro, que sobrevive na neve é uma lembrança perfeita dessa re-nascença.

Cartão de Natal russo com pássaros na neve.

Outro caso semelhante ao da poinsettia  foi o do pinguim, um pássaro natural do hemisfério sul,  que só entrou no vocabulário imagístico do Natal, através de cartões estrangeiros,  vindos não só dos Estados Unidos como da Rússia.  Associado ao gelo, ele teria sido perfeito para fazer parte primeiro do nosso Natal.  Mas chegou aqui via hemisfério norte, onde ele não habita.  Que interessante!

Cartão de Natla da Escandinávia.

Cartão de Natal, EUA.

Há duas aves comumente associadas ao Natal que devem sua participação nessa festa através do folclore inglês.  Elas são o ganso e a perdiz.  O ganso natalino [ que é sempre gordo] parece ter  origem na obra de Charles Dickens ” A Christmas Carol” [ Um Canto de Natal] de 1843.  Esse ganso de Natal continua a aparecer em cartões recentres com desejos de felicidades, fora mesmo da Grã-Bretanha.  É uma das imagens mais comuns nos Estados Unidos.

Cartão de Natal, século XXI, EUA.

Mais tradicional do que o ganso, e muito mais popular é a perdiz, em geral representada numa pereira, com frutos.  A razão é a letra da música de Natal, folclórica,  The Twelve Days of Christmas  [ Os doze dias de Natal ], cujo refrão, é “my true love sent to me, a partridge in a pear tree”  [meu verdadeiro amor me mandou, uma perdiz numa pereira.]Acredita-se que essa canção, que seria cantada do dia 24 de dezembro à véspera do Dia de Reis,  tenha tido sua origem na França, mas sua popularidade na Inglaterra deve-se à tradução publicada em inglês pela primeira vez em 1780, fazendo sucesso desde então.  É uma parlenda, em que se enumera itens sempre repetindo os itens anteriores à medida que a música aumenta de tamanho.

Cartão de Natal, inglês com a perdiz numa pereira.

No hemisfério norte, um dos poucos pássaros que não migra para o sul na época do inverno é o cardeal, que está entre os símbolos do Natal favoritos dos artistas gráficos.  Suas penas de um rico e brilhante vermelho servem de ponto de contraste com o verde dos pinheiros e os planos brancos da neve.  Aliás é bom lembrar sempre que Natal com neve não é tão comum assim nos Estados Unidos, e nem mesmo na Europa ocidental.  O Natal é muito cedo na estação do inverno para ser coberto de neve como o caracterizamos.  É frio sim, mas grande parte do território americano não tem neve no Natal.

Cartão de Natal com cardeal, EUA, 1990.

Cartão de Natal, Canadá.

Cardeal pousado num ramo de azevinho, cartão de Natal.

Há pássaros usados de toda maneira nos cartões de Natal.  Daqui por diante farei simplesmente a postagem sem comentários.  Há alguns diferentes.  Mais um parágrafo só no final.

Coruja da Neve, EUA.

Coruja em vôo.

Pássaros com calendário.

Pássaros se alimentando.

Alimentando os pássaros, Escandinávia.

Alimentando os pássaros, Inglaterra.

Bem, continuarei amanhã com outras postagens de pássaros, muito interessantes.  É bom para entrarmos no espírito da estação, não é mesmo?  Até.





Quadrinha pelo Natal

1 12 2011
Natal na cidade, ilustração Tasha Tudor (EUA, 1915-2008).

Na matriz dobram os sinos,

acompanhando o coral;

na alegria dos meninos

todos cantam o Natal.

(Antônio Seixas)





As nossas postagens de maior sucesso!

30 11 2011

O banco dos leitores, ilustração alemã, sem autoria conhecida.

Meus amigos sempre me perguntam quais são as postagens mais lidas no blog.  É uma coisa difícil de responder, porque depende muito da época.  E também da popularidade de um assunto.  Mas para satisfazer aos curiosos, fui até a contagem e verifiquei as postagens abaixo de minha autoria que são as mais acessadas do blog, nos últimos meses.  Abaixo, em ordem de popularidade, todos com mais de 200 visitas diárias, alguns com muito, muito mais:

1º –

Mais algumas sugestões de livros para jovens e adolescentes.

2 º-

Jacques-Louis David e Vik Muniz, unidos pelo lixo.

3º –

Sugestões de livros para adolescentes mais velhos

4º –

Outras citações visuais de Vik Muniz: um pedido de responsabilidade política e social.

5º –

Depois dos équidnas, vejamos o ornitorrinco (platipus)

6º –

Cinco livros do Romantismo I: A Moreninha

7º –

A baleia e suas pernas, novo passo para entender a evolução

8º –

A Batalha de Anghiari de Leonardo da Vinci, pintura mural será descoberta!

9º –

Olimpíadas 2016 – um símbolo na medida carioca

10º

Göbekli Tepe: a descoberta do Jardim do Éden?






Imagem de leitura — Boris Dmitrievich Grigoriev

29 11 2011

Retrato de senhora, s/d

Boris Dmitrievich Grigoriev ( Rússia, 1886-1939)

óleo sobre tela

Boris Dmitrievich Grigoriev nasceu em São Petersburgo, na Rússia em 1886.  Há pouca informação sobre sua vida.   Estudou na Academia Imperial de Artes de São Petersburgo.  Morou em Paris de entre 1912-1913.  Depois viajou pela Alemanha, França, Estados Unidos e América do Sul, antes de firmar residência no sul da França.  Mais conhecido por sua obra como retratista. Morreu jovem aos 52 anos, em 1939.





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29 11 2011

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A descoberta de Sutil, de Theobaldo Miranda Santos, uso escolar.

29 11 2011

Bandeirantes, gravura do século XVIII.

Miguel Sutil foi um dos primeiros bandeirantes que atravessaram os sertões de Mato Grosso.  Em outubro de 1720, encontrava-se ele no povoado de Nossa senhora da Penha, onde tinha inciado uma plantação de milho e mandioca.

Durante muito tempo, Sutil havia procurado ouro na região sem nada conseguir.  Certo dia, achava-se ele no interior da mata, longe de casa, quando sentiu fome.  Ordenou então, a dois índios carijós, que trouxera em sua companhia, que percorressem a floresta em busca de mel de abelhas e palmito.

Lá se foram os índios obedientes à ordem do chefe.  Passaram-se muitas horas sem que eles voltassem.  Sutil ficou impaciente. A fome aumentava a nada havia ali para comer.

O sol descambava no horizonte.  Os pássaros recolhiam-se aos seus ninhos.  E os índios não apareciam.  Sutil estava furioso com a demora dos indígenas.

De repente, ouviu-se um barulho no mato e surgiram, afinal, os dois carijós.  Vinham correndo.  Traziam nas mãos alguma coisa que o bandeira não distinguiu.

Sutil interpelou-os com energia.  Os índios nada responderam.  Mas mostraram ao chefe o que traziam.  Suas mãos estavam cheias de ouro!

Mal rompeu o dia, Sutil dirigiu-se ao lugar onde os índios haviam encontrado o ouro.  Lá chegando, quase desmaiou de emoção.  O ouro, em grande quantidade, brilhava na superfície da terra.  Num só dia, o bandeirante e os índios recolheram mais de duas arrobas de ouro!

E assim foi descoberta uma das minas de ouro mais ricas da região centro-oeste do Brasil.

Em: Vamos estudar? — 3ª série primária – de Theobaldo Miranda Santos, edição especial para os estados Goiás e Mato Grosso,  Rio de Janeiro, Agir: 1961





Quadrinha da pescaria

28 11 2011

Pescaria inesperada, cartão postal de 1928.

Que o bom pescador se queixe

de sua vida bem penosa

é justo: lidar com peixe

é missão bem espinhosa.

(Túlio de Ayala)