Os mortos, texto de Alph. Karr publicado em 1860

2 11 2013

tumblr_ksih89Yl551qzpsovo1_500Dia de Finados, 1859

William Bouguereau (França,1825-1905)

óleo sobre tela, 147 x 120cm

Museu de Belas Artes de Bordeaux

Os mortos

Alph. Karr

A vida muda-se completamente no dia em que se vai depor na cova o corpo de uma criatura amada; que de coisas até então estranhas nos inquietam! É uma imagem que não nos acompanha, mas que nos aparece, quando menos a esperamos,para gelar-nos no meio de um prazer ou de um festim, para quebrar um sorriso que apenas vai desabrochar nos lábios.

Para evocá-la basta ouvir uma palavra familiar ao morto, um som, uma voz, uma canção longínqua, que o vento nos traz nas asas; basta o aspecto e o cheiro de uma flor, para que essa triste e querida imagem nos apareça, e para que o coração se doa, como uma ponta aguda, a dor da eterna separação.

Desde esse dia uma parte de nós mesmos está na sepultura; desde esse dia prazeres e distrações são intervalos de rosa, de que nos poderá tirar uma lembrança levando-nos ao cemitério outra vez.

E com efeito, na sepultura, no fundo da cova, lá jaz tudo o que nós amávamos e tudo o que amava ali conosco; flores cultivadas juntos, canções cantadas de comum, prazeres e tristezas recíprocas, tudo isso que nos faz lembrar os mortos e nos fala deles ao coração.

 Jean-Baptiste Alphonse Karr  (França, 1808-1890)

Em:  O Espelho: revista de literatura, modas, indústria e artes, n. 19,  8 de janeiro de 1860, p.12. da edição em facsímile, Rio de Janeiro, MEC:2008, p. 242.





Imagem de leitura — Lilian Westcott Hale

1 11 2013

Lilian wescott hale

Canto das esferas, s/d
Lilian Westcott Hale (EUA, 1881 -1963)
óleo sobre tela, 133 x 114cm





Quadrinha da despedida

31 10 2013

trem passando pela fazendaIlustração, autoria desconhecida.

Lenços brancos, acenando,

para a Maria Fumaça,

que vão, também retirando

o “cisco” que o olhar embaça!

(Therezinha Radetic)





Palavras para lembrar — Romain Rolland

31 10 2013

Kik Zeiler (Holanda, 1948) in slaap gevallen, 1989, ost,44 x61cmCaída de sono, 1989

Kik Zeiler (Holanda, 1948)

óleo sobre tela, 41 x 66 cm

www.galeriemokum.com

“Nunca lemos um livro. Nós nos lemos através dos livros, seja para nos descobrirmos, seja para nos controlarmos”.

Romain Rolland





Curiosidade sobre a cenoura e a Holanda

31 10 2013

sir-nathaniel-bacon-cookmaid-with-still-life-of-vegetables-and-fruit-c-1620-5Cozinheira com natureza morta de legumes e frutas, c. 1620-1625

Sir Nathaniel Bacon (Inglaterra,1585-1627)

óleo sobre tela, 151 x 247

Tate Gallery, Londres

A cenoura existe em diversas cores. Elas podem ser brancas, amarelas, negras, roxas ou vermelhas.  As de cor laranja, mais comuns na nossa mesa, são um cultivo especial que provavelmente foi desenvolvido na Holanda,  no século XVI.  Dizem os holandeses que elas foram criadas para honrar a Casa de Orange, que liderou a revolta holandesa contra a Espanha e mais tarde se tornou a família real do país. A cor laranja ainda é a cor oficial da Holanda e também é a cor oficial da camisa do time de futebol daquele país, além de ser um símbolo do patriotismo no país.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos

30 10 2013

CARLOS OSWALD (1882 – 1971) Natureza Morta – Óleo s tela – 56 x 70 cmNatureza morta, s/d

Carlos Oswald (Brasil, 1882-1971)

óleo sobre tela, 56 x 70 cm





O branco e o timbira, poesia de Bruno Seabra

30 10 2013

josé teófilo de jesus , (Brasil, 1757-1847)indio com animais,América

José Teófilo de Jesus (Brasil, 1758-1847)

óleo sobre tela, 65 x 82 cm

Museu de Arte da Bahia, Salvador

O branco e o timbira

(Indígena Brasileiro)

Bruno Seabra

—-

O branco disse ao timbira:

— Não me inspiram, sertanejo,

Estes bosques, estas matas;

— Nem eu vejo

De que te ufanes aqui:

Vem comigo — minha terras

Tem mais lindas variedades

Vida, amor, ouro, prazeres,

Nas cidades

Tudo enfim, terás — ali. —

O timbira disse ao branco:

— Cariúra, deixa a cidade,

__ Vem viver co’o sertanejo,

Aqui tens a liberdade.

(1858)

Em:  O Espelho: revista de literatura, modas, indústria e artes, n. 5, de outubro de 1859, p.69. da edição em facsímile, Rio de Janeiro, MEC:2008, p. 9





Imagem de leitura — Orrin Peck

29 10 2013

OrrinPeck (EUA,1860-1921)Janet lendo, 1885

Orrin Peck (EUA, 1860-1920)

óleo sobre madeira

Coleção Particular





Os hábitos de antigamente

29 10 2013

F1.medium

Menino com ganso, século II da EC [Era Comum]

Mármore, cópia romana de bronze grego do sec III AEC.

Turquia

Há poucos dias postei uma poesia da Baronesa de Mamanguape, senhora conhecida pelos saraus de música e poesia no Rio de Janeiro do final do século XIX.  Aproveitei para divulgar  sua biografia numa pequeníssima nota vinda do Dicionário crítico de escritoras brasileiras 1711-2001.  [Nelly Novaes Coelho, São Paulo, Editora Escrituras: 2002.]  Mas me surpreendi ao ver que a Sra. Baronesa havia se casado aos 13 anos.  Hoje consideramos 13 anos uma idade de formação e não olhamos com bons olhos a família que permite o casamento de uma criança…  Só porque o hábito de casar a jovem menina na época de sua maturidade física é antigo, não quer dizer que está certo. É para isso que evoluímos e que descobrimos o melhor momento, tanto físico quanto emocional, para um casamento. E vemos como quase barbárie culturas que,  ainda hoje,  permitem e aprovam esse comportamento, justificado para que o marido tenha certeza da inexperiência sexual da menina em questão.

Como um dos meus passatempos é ler sobre a civilização romana, lembrei-me que na Roma antiga também se casava meninas aos 13 ou 14 anos, quando nem bem tinham deixado os brinquedos de lado. Sim, as crianças romanas, como as de hoje, brincavam bastante.  As meninas tinham bonecas, muitas delas até com membros articulados. Apesar de Roma ter sido uma grande civilização da qual herdamos muitos dos nossos valores, das nossas casas, dos nossos hábitos de higiene, das nossas cidades, não gostaríamos, tenho certeza, de repetir as experiências de uma jovem romana, digamos do século I da Era Comum. Era uma vida muito difícil.  A mulher, e consequentemente a mãe, era menos importante que o pai. Este por sua vez tinha o poder de vida ou morte sobre qualquer membro da família. Quando um bebê nascia era colocado aos pés do pai.  Se este pegasse o bebê no colo, o bebê tinha a permissão implícita de viver. Mas se fosse ignorado pelo pai, não teria a sorte de continuar vivendo.

Às mulheres cabia a organização do lar, as refeições eram feitas por elas ou a seu encargo se a família tivesse meios financeiros de manter um escravo. Elas também eram responsáveis pela educação das crianças.  Muitos casamentos aconteciam quando as meninas faziam 14 anos e eram arranjados pela família de acordo com o melhor  ajuste financeiro ou político para os pais. O amar, o gostar, a escolha da jovem, nada disso era levado em consideração.  E ainda,  os homens podiam se divorciar de uma mulher se esta não lhes desse pelo menos um filho homem. Muitas mulheres morriam jovens também (às vezes antes dos 30 anos) muitas vezes porque dar a luz a um bebê poderia ser uma atividade perigosa, nem sempre havia meios de se assistir a um parto com complicações e morriam mãe e bebê.  Doenças também eram mais comuns do que hoje. 

Não acho que não trocaríamos a vida de hoje pela de ontem.  Ainda bem que aprendemos com as lições do passado.  Essa é uma boa razão para estudarmos a história.





Trova da liberdade

29 10 2013

Liberdade, Emiliano PonziIlustração, Emiliano Ponzi.

Liberdade é conviver

com sua própria razão,

sem a niguém ofender,

nem magoar o coração.

(Durval Lobo)

Em: O sabiá dos sabiás: homenagem ao 1º centenário de nascimento de Adelmar Tavares, Academia Brasileira de Trova, Rio de Janeiro, 1988, p. 42