Na boca do povo: escolha de provérbios populares

20 03 2025
 
 
“Panela que muitos mexem ou sai crua ou queimada.”




Sobre o ciúme: José de Alencar

19 03 2025

Leitura, 2011

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925-2019)

óleo sobre tela

 

 

“O ciúme não nasce do amor, e sim do orgulho. O que dói neste sentimento, creia-me, não é a privação do prazer que outrem goza, quando também nós podemos gozá-lo e mais. É unicamente o desgosto de ver o rival possuir um bem que nos pertence ao cobiçarmos, ao qual nos julgamos com direito exclusivo, e em que não admitimos partilha. Há mais ardente ciúme do que o do avaro por seu ouro, do ministro por sua pasta, do ambicioso por sua glória? Pode-se ter ciúme de um amigo, como de um traste de estimação, ou de um animal favorito. Eu quando era criança tinha-o de minhas bonecas.”

 

José de Alencar, em Senhora, em domínio público.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

19 03 2025

Jarro e Frutas

Yolanda Mohalyi (Hungria-Brasil, 1909-1978)

aquarela sobre papel, 62 x 47 cm

 

 

Natureza morta, 1954

Vittorio Gobbis (Itália-Brasil, 1894-1968)

Óleo sobre tela, 73 x 92 cm





Imagem de leitura: Desconhecido

19 03 2025

Jovem lendo, c. 1940

Assinatura ilegível a lápis

óleo sobre madeira, 54 x 43 cm

[Em leilão na Alemanha]





A janela e o sol, soneto de Alberto de Oliveira

18 03 2025

O quarto dela, 1963

Andrew Wyeth (EUA, 1917 -2009)

têmpera sobre placa

Coleção Particular

 

 A janela e o sol

 

Alberto de Oliveira

 

“Deixa-me entrar, – dizia o sol – suspende

A cortina, soabre-te! Preciso

O íris trêmulo ver que o sonho acende

Em seu sereno virginal sorriso.

 

Dá-me uma fresta só do paraíso

Vedado, se o ser nele inteiro ofende…

E eu, como o eunuco, estúpido, indeciso,

Ver-lhe-ei o rosto que na sombra esplende.”

 

E, fechando-se mais, zelosa e firme,

Respondia a janela: “Tem-te, ousado!

Não te deixo passar! Eu, néscia, abrir-me!

 

E esta que dorme, sol, que não diria

Ao ver-te o olhar por trás do cortinado,

E ao ver-se a um tempo desnudada e fria?!”

                                   

Publicado em 1886. no livro Sonetos e poemas





Descoberta inacreditável!

18 03 2025

Este painel do artista italiano Cimabue (1240-1302), o mestre de Giotto, precursor da Renascença italiana, foi encontrado em uma cozinha, em cima do fogão numa casa do interior da França, em 2019. Cimabue é conhecido por suas tentativas, algumas vezes bem-sucedidas de incorporar a perspectiva linear em suas obras na esperança de dar impressão de profundidade às cenas representadas.

É esse painel, acima, chamado Jesus escarnecido por Herodes e flagelado.  Com tema da Via Crucis que deixou de ser pintada com frequência  a partir do século XVII.  A obra foi adquirida pelo governo francês e hoje faz parte do acervo do Louvre.  Foi adquirida por €24.000.000 (vinte e quatro milhões de euros) ou aproximadamente R$150.000.000 (cento e cinquenta milhões de reais).

Uma exposição especial sobre Cimabue e sua época, com quarenta obras de seus contemporâneos abriu no Louvre em 22 de janeiro deste ano e ficará aberta ao público até 12 de maio de 2025.  É uma maneira de introduzir o novo painel do artista ao público francês e turistas.  Ele está ao lado da Maestà, [Madona entronada] do mesmo.

 

 

 

Maestà, de Cimabue, Louvre





Nossas cidades: Piracicaba

18 03 2025

Às margens do Rio Piracicaba, 1941

Álvaro Paulo Sêga (Brasil, 1917-1991)

óleo sobre tela





Resenha: O barman do Ritz de Paris, de Philippe Collin

17 03 2025

Trabalhadores franceses, 1942

Ben Schahn (EUA, 1898-1969)

têmpera sobre papelão, 102 x 145 cm

Museu Thyssen-Bornemisza, Madri

 

 

Mais uma excelente escolha do grupo de leitura Papalivros neste ano — O barman do Ritz de Paris do escritor francês Philippe Collin [Record: 2025, minha edição: Kindle] com tradução de Yvone Benedetti — conta a história de Frank Meier, famoso barman daquele hotel.  Baseado nas próprias lembranças do personagem principal, acompanhamos a tomada do Ritz pelos oficiais alemães desde de o início da ocupação alemã da França, no que é conhecido como governo Vichy até a liberação de Paris, no final da guerra.

São inúmeros os livros de ficção que cobrem a Segunda Guerra Mundial, mas há relativamente poucos tratando do dia a dia da França ocupada, ou seja no governo Vichy.  Lembro-me bem da popular série publicada nos anos oitenta, da escritora Regine Deforges, cujo primeiro volume de três chamava-se A bicicleta azul, e se concentrava no período da França ocupada, mas não na área de ocupação necessariamente.  Um dos livros que li, que me deu outra visão desse período foi o de anotações de um diário do escritor inglês Somerset Maugham, Assunto Pessoal.  Bem mais recente,  houve a publicação do best-seller Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr, mas mesmo esse não se detém no cotidiano da guerra na ocupação alemã da França. Isso tem aparecido mais em filmes. De qualquer jeito, O barman do Ritz de Paris, vem para preencher esse pequeno hiato.  E fazer muito mais, porque o Hotel Ritz havia sido escolhido como local preferido do comando do exército alemão em Paris.

 

 

 

Essa é uma narrativa ágil, cheia de viradas na trama que não foram inventadas, ou feitas para manter a atenção do leitor. Trata-se de um relato de quem assistiu, vivenciou e colocou sua vida em perigo, vivendo com os nazistas, sendo ele mesmo um judeu austríaco, protegendo outros judeus à sua volta, mas trabalhando em Paris, servindo a todos os militares alemães. 

Para o leitor há ainda o prazer de ver circularem personagens famosos e históricos que encontram no Ritz alívio para o período da ocupação alemã. Conhecido por sua  habilidade de compor deliciosos drinques,  já com fama internacional desde que chegara a Paris depois do sucesso que tivera como barman em Nova York,  Frank Meier diariamente, durante toda a ocupação, se preocupa com os dois mundos que o circundam no Ritz, desde o domínio alemão sobre a capital da França.  De Ernst Hemingway a Coco Chanel, somos expostos pelos olhos de Frank Meier,  aos segredos daquela sociedade e seus truques para sobrevivência.  Nem sempre os generais famosos, escritores ou no caso de Chanel, saem dessa narrativa com o brilho que hoje lhes damos, o que torna a narrativa ainda mais interessante.

 

Philippe  Collin

 

O autor, Philippe Collin, jornalista, escritor, radialista escreveu um livro agradável de ler, coordenou com eficácia as partes do diário de Frank Meier e a narrativa histórica. Ficamos familiarizados com a história do Ritz, que sobreviveu muito bem e até hoje é um marco na paisagem urbana de Paris,  mas também percebemos que a sobrevivência naquelas circunstâncias exigia muita flexibilidade em atitudes, sem comprometer os princípios de cada um.  Essa é uma narrativa que nos faz lembrar que somos humanos e cada um sobrevive de maneira diferente.

Recomendo a leitura, rica em detalhes, em ação, vivaz, mas que deixa espaço para entendermos a complexidade dos sentimentos dos que sobreviveram à guerra. 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Imagem de leitura: Armand Schönberger

16 03 2025

Moça lendo

Armand Schönberger (Hungria, 1885-1974)

têmpera sobre papel, 60 x 88 cm





Paisagens brasileiras…

16 03 2025

Noite com arco-íris,1991

Ivan Freitas (Brasil, 1932-2003)

acrílica sobre tela (aerografo), 85 x 100 cm

 

 

Noite de luar,1989

Glauco Rodrigues (Brasil,1929-2004)

óleo sobre tela, 60 x 73cm