Resenha: “O fuzil de caça” de Yasushi Inoe

22 11 2016

 

 

utamaro_-_kashi-bukuro_wo_motsu_san_bijinTrês mulheres japonesas, c. 1793

Kitagawa Utamaro (Japão, 1786-1864)

xilogravura policromada, 54 x 94 cm

 

 

2016 trouxe-me alguns livros pequeninos e impactantes.  Belos e sucintos.  Simples na aparência, complexos no que entregam. O fuzil de caça do escritor japonês Yasushi Inoue é um deles. Uma pequena obra prima, um diamante facetado pelas cinco vozes que o constroem.

Um poeta publica numa revista de caça, um poema-prosa, baseado na figura de um homem desconhecido que viu um dia numa paisagem de inverno com um fuzil nas costas.  Ele dá ao poema-prosa o nome: O fuzil de caça.  (Curiosamente o mesmo título da obra que temos em mãos.) O  poema pouco tem a ver com a temática da revista em que apareceu. O tempo passa. Eis que o poeta recebe uma carta de um leitor se identificando como o personagem daquele poema.  A carta e sucinta e direta não deixando muita informação sobre seu autor.  No entanto, ele recomenda ao poeta que leia as cartas num pacote que mandará em futuro próximo. para que entenda o que pensava naquela manhã de inverno. Dias depois o poeta recebe um pacote com cartas de três mulheres diferentes que endereçadas ao caçador descrevem-no de acordo com cada uma de suas visões: a sobrinha,a amante e a esposa.

 

o_fuzil_de_caca_1271098405b

 

É um jogo de espelhos.  Primeiro temos a visão do poeta sobre um homem desconhecido.  Lemos o poema-prosa e nós mesmos construímos um personagem, vagamente baseado no poema. Depois alguém se reconhece naquele poema.  E assim como o poeta, cujo nome não é revelado, fazemos novos conceitos sobre esse caçador através primeiro, de sua formalidade ao se comunicar depois nas vozes de três mulheres distintas, que a ele se dirigiam.  O jogo epistolar é fascinante e Josuke Misugi, personagem principal, emerge multifacetado. Que isso seja compreendido em 102 paginas é fenomenal.

 

yasushi-inoueYasushi Inoue

 

Esse foi o primeiro livro do autor que li.  E agora Yasushi Inoue irá para a lista de autores que preciso ler.  É autor de quase cinquenta obras e poucas estão traduzidas para o português, mas há muitas em inglês.  Não só ele me seduziu pela complexa construção dessa obra, pela ambiguidade deixada entre o texto publicado na revista e aquele que lemos, pelas vozes individuais de cada uma das mulheres; como ele também me impressionou pela beleza da linguagem e pelas elipses necessárias para construir em três dimensões o enigmático caçador.

Recomendo com prazer essa pequena obra.

 

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar





Imagem de leitura — Soledad Fernandez

22 11 2016

 

 

toledo-serie-cinco-sentidos-la-vista-2000-soledad-fernandezToledo, a visão, 2000

[da série Os cinco sentidos]

Soledad Fernandez (Espanha, antes de 1949)

óleo sobre tela, 114 x 145 cm

www.soledadfernandez.com

Salvar

Salvar





Trova do tropeço

21 11 2016

 

 

escorregaoPato Donald escorrega,©Walt Disney.

 

 

 

Certo dia madruguei,

ao sair, um bom começo,

porque  dinheiro encontrei

no chão, após um tropeço.

 

 

(Flávio Ferreira da Silva)

Salvar

Salvar





Nossas cidades: Santos

21 11 2016

 

 

takeshi-suzuki-1908-1987iha-de-urbuquicaba-1997-ost73-x-60-pespIlha de Urubuqueçaba, 1997 (?)

Takeshi Suzuki (Japão/Brasil, 1908-1987 (?))

óleo sobre tela, 73 x 60 cm

Pinacoteca do Estado de São Paulo

Salvar





Palavras para lembrar — George R. R. Martin

21 11 2016

 

 

christopher-cart-eua-contemporaneolivro-de-arte-aquarela-e-pincel-secoLivro de Arte

Christopher Cart (EUA, contemporâneo)

aquarela e pincel seco

 

 

 

“Um leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que não lê vive só uma.”

 

George R. R. Martin





Imagem de leitura — Alexander Demidov

21 11 2016

 

 

alexander-demidovbelarus-1965-leitora-deitada-com-gato-2009-ostLeitora deitada com gato, 2008

Alexaner Demidov (Bielorrússia, 1965)

óleo sobre tela

Salvar





Em três dimensões: Relicário de Santa Balbina, c. 1520-30

20 11 2016

 

 

santa-balbina-inicio-do-seculo-xvi-metropolitanRelicário de Santa Balbina, 1520-1530

Anônimo, provavelmente de Bruxelas, Bélgica

madeira, tinta e folha de ouro; 44 x 40 x 15 cm

Metropolitan Museum, Nova York

 

 

balbina-2Verso, Relicário de Santa Balbina, 1520-1530





Domingo, um passeio no campo!

20 11 2016

 

 

archimedes-dutra-interior-de-bosque-oleo-sobre-telaInterior de bosque

Archimedes Dutra (Brasil, 1908-1983)

óleo sobre tela

Salvar

Salvar

Salvar





Flores para um sábado perfeito!

19 11 2016

 

 

claudio-barake-copos-de-leite-e-macasCopos de leite e maçãs

Cláudio Barake (Brasil, 1966)

acrílica sobre tela, 59 x 59 cm





Resenha: “A garota no trem” de Paula Hawkins

18 11 2016

 

 

mujer_ventana_ysernMulher à janela do trem

Pere Ysern y Alié (Espanha, 1875-1946)

óleo sobre tela

Coleção Particular

 

 

A garota do trem de Paula Hawkins é um bom entretenimento, uma leitura rápida para um fim de semana chuvoso, com linguagem fácil e tema contemporâneo.  É história de suspense, que se baseia em grande parte nos problemas de memória da personagem principal  causados pelo excesso de bebida.  Divorciada, com autoestima em rápido declínio, Rachel passa os dias indo para um trabalho inexistente, com medo de admitir a outros e a si mesma que havia perdido o emprego.

Como tantos de nós, Rachel,  faz o mesmo caminho todos os dias.  Aos poucos começa a notar um casal que mora numa casa próxima ao caminho do trem e no mesmo bairro em que ela e o ex-marido também moravam.  Rachel imagina uma vida idealizada para eles.  Uma vida sonhada, com tudo o que poderia querer para si mesma.  Quando é surpreendida pelo desaparecimento da mulher, resolve entrar em cena e ajudar a polícia a resolver o mistério. Mas sua ajuda é atrapalhada em muito por sua falta de memória, consequência do permanente estado de embriaguez em que se encontra.

 

 

87708ec5-f872-409a-9bda-a3802af72de6

 

É justamente esse problema que faz Rachel e o leitor não saberem desde o início as possibilidades de resolução do enigma sobre o desaparecimento da jovem que Rachel observava do trem.  A história, contada pelas três protagonistas: Rachel, a moça observada por ela e a nova esposa de seu ex-marido, rodopia à volta de um assunto igualmente importante para as três mulheres: maternidade. O desejo ou não de ser mãe;  a capacidade ou não de ser fértil são os temas que servem de gatilho para quase todas as ações das personagens femininas da obra.

Em contrapartida,  há no pano de fundo sinais de abuso que as três mulheres parecem sofrer ou ter sofrido. A mão carinhosa e protetora de um marido na nuca de sua esposa pode ser visto como um carinho, da distância de uma janela do trem, mas pode também ser o gesto ameaçador de um homem autoritário lembrando sua mulher da força física a que pode recorrer.  Ficamos sem saber, por  muito tempo como ler os sinais que nos afligem.

 

imagesPaula Hawkins

 

Tudo isso faz parte do suspense psicológico que anima esse thriller. Bem construído, de rápida leitura, é uma obra que entretém.  Mas não ficará na memória por muito tempo.  Sem consequência. Acredito que meu desapontamento venha também do fato de bem antes do mistério ter sido resolvido, eu tenha tido certeza do que acontecera.  Talvez não nos detalhes, mas no todo.  Está de férias, vai viajar de avião, precisa de um livro?  Leia esse. Ou melhor, vá ver o filme que não é nada mal.

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar