Flores vermelhas
Lucília Fraga (Brasil, 1895-1979)
óleo sobre cartão, 90 x 72 cm
Flores vermelhas
Lucília Fraga (Brasil, 1895-1979)
óleo sobre cartão, 90 x 72 cm

Vanitas, 1662
Edwart Collier (Holanda, 1640-1710)
óleo sobre tela, 98 x 130 cm
Coleção Particular
“Em Rolândia, a Sociedade Pró-Arte congregava os órfãos da cultura germânica e europeia, e promovia leituras públicas de versos de Rilke, Heine, Goethe e Schiller, e as discussões de livros que já tinham sido banidos e esquecidos na Alemanha e que sobreviviam, espremidos entre as caixas de bananas, na distância daquelas terras, para iluminar, com suas visões do sublime, os caminhos de perplexidade dos fugitivos, como pequenos templos portáteis, como fragmentos de luz e sinaleiros na longa noite, como as estrelas fixas que orientam as rotas dos navios que cruzam o oceano, como as pepitas de ouro e de prata que, em suas expedições ao coração da Amazônia peruana, Günther Holzmann imaginava que encontraria, em leitos de rios e nas entranhas da terra virgem, e que o salvariam da pobreza e da desorientação de caminhante solitário em terras estrangeiras.”
Em: Bazar Paraná, Luís S. Krausz, São Paulo, Benvirá: 2015, p. 65

Prato fundo com o brasão da cidade de Florença, início do século XV
Faiança. 64 cm de diâmetro e 8 cm de altura
Louvre
Este prato é uma das relíquias de cerâmica mais impressionantes do início do século XV (1400-1425) em Florença. O desenho de um leão num campo de lírios e segurando uma bandeira com o lírio florentino, símbolo da cidade. O prato mostra influência espanhola e do oriente, mas também anuncia a nova faiança italiana. Como o catálogo do Museu do Louvre explica, esse prato deve ser visto no contexto de desenvolvimento de um novo estilo, original.
Natureza morta com abóbora e rabanetes, 1972
Domingos Gemelli (Brasil, 1903 – 1985)
óleo sobre tela, 46 x 55 cm
A pequena leitora
Jan Frederick Pieter Portielje (Bélgica, 1829 – 1908)
óleo sobre tela, 63 x 81 cm
Pelotas, 1980
Benette Casaretto (Brasil, 1925)
óleo sobre eucatex, 57 x 67 cm
O quinhão de Natal
Joseph Clark (GB, 1834-1926)
óleo sobre tela, 90 x 120 cm
Uma reunião de Natal, com os quatro filhos adultos, é o panorama em que se situa o clímax do livro A Estrada Verde de Anne Enright. É aí, nesses poucos dias entre a véspera de Natal e o dia de Santo Estevão [Boxing Day, em alguns países] que vemos a interação entre os quatro irmãos já adultos e sua mãe Rosaleen Madigan. As diferenças entre os quatro membros da prole foram apresentadas paulatinamente, em algum detalhe, em capítulos a eles dedicados que quase funcionam como contos independentes. A descendência dessa matriarca irlandesa é esmiuçada em diferentes estágios da vida e a complexidade de seus problemas de relacionamento e sobrevivência realisticamente retratada.
Dessa forma, quando chegamos à Segunda Parte do livro, hora em que todos voltam a se encontrar como adultos, com suas disfunções únicas, amargores, alegrias e objetivos frustrados, encontram-se entre si e face a face com a grande manipuladora mas muito solitária matriarca, o desabrochar de emoções guardadas há tempos, de percepções re-confirmadas é inevitável.

A estrada verde foi minha apresentação a Anne Enright que ocupava um lugar na lista de futuras leituras, desde que ganhara o prêmio Man Booker em 2007. Muito bem escrito com trama complexa, o livro custou a me encantar, talvez por sua organização: uma visão de cada um dos personagens, filhos de Rosaleen, sem conexão um com o outro, como se fossem contos independentes que focaram nas suas vidas em diferentes e específicos momentos. Só mais tarde se percebe que são acontecimentos pivôs para o entendimento de suas personalidades. Daniel, Constance, Emmet e Hanna, irmãos, inevitavelmente nos levam a ponderar sobre as diferenças entre filhos de mesmos pais. Raramente nos debruçamos sobre essas diferenças a não ser que ela causem ciúmes ou inveja, fortes emoções, exploradas abundantemente na literatura e no teatro. Mas esse texto nos faz voltar à questão mesmo quando cada qual segue seu próprio caminho, independente do outro.
Como na maioria das sagas familiares irlandesas a mãe, Rosaleen, é a personagem principal. Dada a gestos e atitudes teatrais, manipuladora, frequentemente insensível, em algumas ocasiões indelicada, seu eixo, seu equilíbrio emocional está no lugar em que vive, como se encantada pela natureza à sua volta. Solidão é sua companheira. E o envelhecimento não a ajuda. Não se sente querida, amada ou necessitada. Inútil recorre de um ato inesperado para chamar a atenção de seus filhos.
Anne Enright
Dizem que sem uma família disfuncional a literatura irlandesa contemporânea não existiria. Não parece ser o caso aqui, ou talvez eu já esteja considerando toda e qualquer família disfuncional. Anne Enright talvez seja a escritora que li recentemente que melhor retrata a realidade moderna, suas preocupações. Desejos. Problemas. É uma realista no tratamento do comportamento gay, nas razões para a dedicação às ONGS contra a fome ou os males do mundo, também apresenta com bastante ponderação o retrato do excesso da bebida ou o medo das doenças sem cura como aids ou câncer. Apesar de qualificado como melancólico achei o texto bem equilibrado, com uma narrativa bastante neutra e de quando em quando com algum humor. Não é um texto jovem. Acredito ser um texto maduro, melhor entendido e explorado por aqueles que já viveram muitas vidas. Foi uma boa leitura. Ficará comigo por algum tempo, repercutindo.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
Mary Borden e família em Bisham Abbey, 1925
Sir John Lavery, R.A., R.H.A., R.S.A. (Irlanda, 1856-1941)
óleo sobre tela, 64 x 76 cm

Arredores de Conselheiro Lafaiete, MG
Mauro Ferreira (Brasil, 1958)
óleo sobre tela, 46 x 75 cm