Michael Rothwell e Bridget no jardim com meu cachorro, Muffin nos Jardins Phillimore, em Kensington
Peter Samuelson (Grã-Bretanha, 1912 – 1996)
óleo sobre placa, 63 x 92cm
Michael Rothwell e Bridget no jardim com meu cachorro, Muffin nos Jardins Phillimore, em Kensington
Peter Samuelson (Grã-Bretanha, 1912 – 1996)
óleo sobre placa, 63 x 92cm
Milk Bar, Algiers
Geo Sipp (EUA, contemporâneo)
sketch preliminar
“Assim que você chegar à Argel, será preciso pegar uma série de ladeiras, subir e, em seguida, descer. Você vai dar na rua Didouche-Mourad, atravessada tanto por muitas ruelas como por uma centena de histórias, a alguns passos de uma ponte partilhada por suicidas e apaixonados.
Será preciso descer mais, afastar-se dos cafés e dos bistrôs, das lojas de roupas, dos mercados de frutas e legumes, rapidamente, prosseguir, sem parar, virar à esquerda, sorrir para um velho florista, encostar-se por algum tempo em uma palmeira centenária, não prestar atenção no policial que vai dizer que é proibido, correr atrás de um pintassilgo junto com um monte de meninos e ir parar na praça do Emir Abd el-Kader. Talvez você não repare no Milk Bar, pois a fachada foi reformada recentemente e, de dia, a placa é pouco visível: o azul quase branco do céu e o sol ofuscante embaralham as letras. Você observará algumas crianças escalando o pedestal da estátua de Abd el-Kader, sorrindo largo, posando para seus pais, que estão prontos a postar suas fotos nas redes sociais. Haverá um homem fumando ao pé de uma porta, lendo o jornal. Será preciso cumprimentá-lo e trocar algumas palavras educadas antes de dar meia-volta, sem se esquecer de dar uma olhadela para o lado: o mar prateado que brilha, o grito das gaivotas, de novo o azul quase branco. Será preciso seguir o céu, esquecer os prédios que se querem parisienses e passar ao lado do Aéro-habitat, uma muralha de concreto que domina a cidade.”
Em: As verdadeiras riquezas, Kaouther Adimi, tradução de Sandra M. Stroparo, Rio de Janeiro, Radio Londres: 2019, pp:9-10
Legumes, Cesta, Garrafão e Panela sobre a Mesa
José Lima (Brasil, 1910 -1980)
óleo sobre tela, 65 X 81cm
Avenida Prestes Maia, SP
Edson Souza (Brasil, contemporâneo)
acrílica sobre tela, 50 x 60 cm
Leitura no sofá
Arne Westerman (EUA, 1927 – 2017)
Mário Benedetti
Não te rendas, ainda estás a tempo
de alcançar e começar de novo,
aceitar as tuas sombras
enterrar os teus medos,
largar o lastro,
retomar o voo.
Não te rendas que a vida é isso,
continuar a viagem,
perseguir os teus sonhos,
destravar os tempos,
arrumar os escombros,
e destapar o céu.
Não te rendas, por favor, não cedas,
ainda que o frio queime,
ainda que o medo morda,
ainda que o sol se esconda,
e se cale o vento:
ainda há fogo na tua alma
ainda existe vida nos teus sonhos.
Porque a vida é tua, e teu é também o desejo,
porque o quiseste e eu te amo,
porque existe o vinho e o amor,
porque não existem feridas que o tempo não cure.
Abrir as portas,
tirar os ferrolhos,
abandonar as muralhas que te protegeram,
viver a vida e aceitar o desafio,
recuperar o riso,
ensaiar um canto,
baixar a guarda e estender as mãos,
abrir as asas
e tentar de novo
celebrar a vida e relançar-se no infinito.
Não te rendas, por favor, não cedas:
mesmo que o frio queime,
mesmo que o medo morda,
mesmo que o sol se ponha e se cale o vento,
ainda há fogo na tua alma,
ainda existe vida nos teus sonhos.
Porque cada dia é um novo início,
porque esta é a hora e o melhor momento.
Porque não estás só, por eu te amo.
Paisagem
Alfredo Volpi (Itália-Brasil, 1896 – 1988)
óleo sobre madeira, 30 x 21 cm
Cesto com Flores
Aurea Bertacchini [de Souza Paiva] (Brasil, 1946)
óleo sobre tela, 70 x 90 cm
Paquetá [Ilha], 1943
Georges Wambach (Bélgica – Brasil, 1901 – 1965)
óleo sobre tela, 88 x 145 cm
Igreja de Santo Igor de Chernigov em Peredelkino, Rússia
Tenho o hábito de procurar informações extras, ao longo dos textos que leio. Quando tenho dificuldade de imaginar os lugares, não me detenho, vou direto para a internet descobrir como é a região ou o local mencionado. No momento leio Os segredos que guardamos, Lara Prescott. Estou quase na metade, e o assunto apesar de me interessar, ainda não me seduziu. Parte da história envolve o escritor Boris Pasternak, autor de Dr. Jivago, ganhador do Nobel de literatura em 1958, que nãi lhe foi permitido receber, já que era autor proibido na Rússia comunista.
Andei investigando a dacha (casa de campo) de Pasternak, que é mencionada diversas vezes no livro. E no processo descobri essa interessante igreja em Peredelkino, com as cúpulas de cebola todas diferentes. Parece uma igreja de contos de fadas. Parece de brinquedo. Mas acolhe 1200 fiéis. Não é pequena. Foi construída entre 2009 e 2012. E se relaciona com a Catedral de São Basil, na Praça Vermelha de Moscou.

Dourada com a luz do sol.