Uma senhora elegante à janela
Louis Charles Verwee (Bélgica, 1832 – 1882)
óleo sobre tela, 55 x 38 cm
Uma senhora elegante à janela
Louis Charles Verwee (Bélgica, 1832 – 1882)
óleo sobre tela, 55 x 38 cm

Hoje comemoramos o dia do aniversário de Machado de Assis, sem dúvida o maior escritor brasileiro de todos os tempos. Ele faria 181 anos.
O Prazer do Beneficiador é Sempre Maior do que o do Beneficiado
̶ Não me podes negar um facto, disse ele; é que o prazer do beneficiador é sempre maior do que o do beneficiado. Que é o benefício? É um ato que faz cessar certa privação do beneficiado. Uma vez produzido o efeito essencial, isto é, uma vez cessada a privação, torna o organismo ao estado anterior, ao estado indiferente. Supõe que tens apertado em demasia o cós das calças; para fazer cessar o incômodo, desabotoas o cós, respiras, saboreias um instante de gozo, o organismo torna à indiferença, e não te lembras dos teus dedos que praticaram o ato. Não havendo nada que perdure, é natural que a memória se esvaeça, porque ela não é uma planta aérea, precisa de chão. A esperança de outros favores, é certo, conserva sempre no beneficiado a lembrança do primeiro; mas este facto, aliás um dos mais sublimes que a filosofia pode achar em seu caminho, explica-se pela memória da privação, ou, usando de outra fórmula, pela privação continuada na memória, que repercute a dor passada e aconselha a precaução do remédio oportuno.
Não digo que, ainda sem esta circunstância, não aconteça, algumas vezes, persistir a memória do obséquio, acompanhada de certa afeição mais ou menos intensa; mas são verdadeiras aberrações, sem nenhum valor aos olhos de um filósofo.
̶ Mas, repliquei eu, se nenhuma razão há para que perdure a memória do obséquio no obsequiado, menos há de haver em relação ao obsequiador. Quisera que me explicasses este ponto.
̶ Não se explica o que é de sua natureza evidente, retorquiu o Quincas Borba; mas eu direi alguma coisa mais. A persistência do benefício na memória de quem o exerce explica-se pela natureza mesma do benefício e seus efeitos. Primeiramente, há o sentimento de uma boa ação, e dedutivamente a consciência de que somos capazes de boas ações; em segundo lugar, recebe-se uma convicção de superioridade sobre outra criatura, superioridade no estado e nos meios; e esta é uma das coisas mais legitimamente agradáveis, segundo as melhores opiniões, ao organismo humano. Erasmo, que no seu Elogio da Loucura escreveu algumas coisas boas, chamou a atenção para a complacência com que dois burros se coçam um ao outro. Estou longe de rejeitar essa observação de Erasmo; mas direi o que ele não disse, a saber, que se um dos burros coçar melhor o outro, esse há-de ter nos olhos algum indício especial de satisfação.
Por que é que uma mulher bonita olha muitas vezes para o espelho, senão porque se acha bonita, e porque isso lhe dá uma certa superioridade sobre uma multidão de outras mulheres menos bonitas ou absolutamente feias? A consciência é a mesma coisa; remira-se a miúdo, quando se acha bela. Nem o remorso é outra coisa mais do que o trejeito de uma consciência que se vê hedionda.
Em: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Joaquim Maria Machado de Assis, 1881.
Leitora
Alexis Grimou (França, 1680-1740)

Um artigo interessante no site francês Nos Pensées lembra o que acontece com o cérebro quando lemos. Diante de uma cena bem descrita à medida que lemos, vamos construindo, com o vocabulário imagístico que já possuímos e auxiliado pela descrição no livro, um mundo nosso, paralelo. O cérebro não distingue entre a experiência vivida e aquela que adquirimos através da leitura. Por isso nos enriquece. Adquirimos experiências além daquelas que vivemos. Ou seja, ler é viver. Não é muito diferente de quando vemos um filme. Mas é conhecimento mais profundo, íntimo, que afeta e modifica o cérebro.
O que acontece com um personagem é espelhado no nosso cérebro. Vivenciamos aquilo por que os personagens passam. A leitura ativa a imaginação, modificando o cérebro nos mesmos locais que seriam ativados caso fôssemos nós, na vida real, a passar pelo que os personagens passam. Com isso aumentamos também a nossa capacidade de entender as pessoas e a nossa empatia.
Vaso de flores
Antonio Hélio Cabral (Brasil,1948)
óleo sobre tela, 100 x 80 cm
Homem e cachorro, 2019
Graham Little (GB, 1972)
Guache sobre papel
Quadrado da Urca, Rio de Janeiro, 1938
Yoshiya Takaoka (Japão/Brasil, 1909-1978)
aquarela sobre papel, 25 x 30 cm
Esposa de soldado em serviço
Ivan Olinsky (Rússia-EUA, 1878 – 1962)
óleo sobre tela, 91 x 76 cm
Jovem lendo
Murman Kuchava (Geórgia, 1962 – Radicado nos EUA)
óleo sobre tela