Canal da Barra ao Fundo Pedra da Gávea
Orlando Brito ( Brasil, 1920-1981)
óleo sobre tela, 42 x 34 cm
Canal da Barra ao Fundo Pedra da Gávea
Orlando Brito ( Brasil, 1920-1981)
óleo sobre tela, 42 x 34 cm
A lavadeira, 1915
William Henry Margetson (Inglaterra, 1861-1940)
aquarela sobre papel
Coleção Particular
De longe, próximo, 1937
[From the Faraway, Nearby]
Georgia O’ Keefe (EUA, 1887-1986)
óleo sobre tela, 91 x 101 cm
Metropolitan Museum
Ivan Junqueira
Esse punhado de ossos que, na areia,
alveja e estala à luz do sol a pino
moveu-se outrora, esguio e bailarino,
como se move o sangue numa veia.
Moveu-se em vão, talvez, porque o destino
lhe foi hostil e, astuto, em sua teia
bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceia
o que havia de raro e de mais fino.
Foram damas tais ossos, foram reis,
e príncipes e bispos e donzelas,
mas todos a morte apenas fez
a tábua rasa do asco e das mazelas.
E ali, na areia anônima, eles moram.
Ninguém os escuta. Os ossos não choram.
Em: O Tempo além do Tempo, Ivan Junqueira, organização e prefácio de Arnaldo Saraiva, Editora Quasi, Vila Nova do Farmalicão: 2007, p, 108
Maçãs e uvas
Domingos Gemelli (Brasil, 1903-1985)
óleo sobre tela, 35 x 55 cm
Maçãs, 2005
Alex Melo (Brasil, 1975)
Óleo sobre tela, 70 x 90 cm
Corte de Henrique VIII, com Jane Seymour e Príncipe Edward, 1545
DETALHE (veja o painel completo abaixo)
Hampton Court Palace, Londres
Em 1536 quando o rio Tâmisa congelou, em Londres, Henrique VIII e Jane Seymour, terceira esposa do monarca, saíram dos serviços religiosos na Catedral de Saint Paul, e se dedicaram a uma cavalgada pelo rio congelado, galopando até a margem em Surrey, para o Palácio Greenwich, onde as grandes festividades natalinas aconteciam.
As comemorações de Natal até recentemente na Europa se realizavam por doze dias, do dia 25 de dezembro ao dia de Reis, ou Epifania. [Há mais informações neste blog: Hoje, dia de Reis.]. Portanto é interessante saber que as festas dos doze dias de Natal tinham características grandiosas. Havia um bolo feito com frutas secas, farinha, mel e especiarias. Nos Estados Unidos esse bolo, ainda faz parte do Natal, com o nome de fruit cake. Dentro deste bolo eram colocados um feijão e uma ervilha. Ao fatiar o bolo, servido aos visitantes na hora da chegada saberia-se quem seriam os respectivos “Reis do Feijão e da Ervilha”, por aquela noite. Estes ficavam com a incumbência de liderar todos os convidados a cantar, dançar e fazer brincadeiras que incluíssem os presentes. Na corte de Henrique VIII estes reis da noite eram selecionados a priori.
Nas casas das grandes famílias da corte no período Tudor, os 12 dias de Natal incluíam festejos, banquetes, procissões e brincadeiras presididas por uma pessoa chamada Senhor do Desgoverno [Lord of Misrule]. Estas festas eram às vezes também visitadas por outros personagens natalinos: Capitão Natal ou Príncipe Natal, cujo papel era se certificar que todos os participantes se divertissem. Um dos personagens favoritos nas peças encenadas no período Tudor chamava-se Pai Natal [Father Christmas]. Vestido de verde e usando máscara e peruca, ele passeava por entre os convidados gritando furiosamente, empunhando um grande cajado.

Hampton Court Palace, Londres
Noite calma
Cao Quantang ( Huxian, China, 1957)
aquarela, tinta, guache, sobre papel de arroz, 54 x 39 cm
Ovídio, Metamorfose, XV: 215-6
Este ano fui a uma festa de Natal onde havia dezesseis crianças entre três e quatorze anos. Havia amigo oculto entre os adultos. E as crianças? Decidi que todas receberiam um presente meu, não só as mais chegadas. Natal é mágico para elas. O encantamento dos presentes tem importância para elas. Adultos não precisam de presentes. Têm o poder de compra e de decisão. Portanto, eu me concentrei nessas dezesseis ofertas.
Seguiu-se então o dilema: como equalizar essas crianças de diferentes idades? O que dar? Quebra-cabeças, jigsaw, das vinte e cinco peças para a menina de três anos a mil peças para as duas de quatorze. Todos ficaram encantados. Tenho boas memórias de criança e adolescente com toda família à volta da mesa fazendo esses quebra-cabeças.
A curiosidade me pegou. Desde quando existem quebra-cabeças como estes? Como muitos outros entretenimentos caseiros, os jigsaw puzzles apareceram no século XVIII. O primeiro foi inventado e comercializado, na Inglaterra, por John Spilsbury, como peça para o ensino da geografia, em 1760. Impresso em papel colado em madeira havia o mapa da Europa e as peças eram cada país com suas fronteiras cortadas que se encaixavam. Mas logo esse passatempo se popularizou, aparecendo com outras cenas.
Uma rápida pesquisa na internet me ensinou que o jigsaw puzzle com maior número de peças, até hoje, foi completado em 2011, no Vietnã, composto por 555.232 peças, medindo, 14,85m x 23,20m. E que o maior jigsaw puzzle comercializado até hoje, é de 2022, tem 60.000 peças e cobre 21m². Comercializado pela companhia Dowdle Folk Art e leva o nome de What a wonderful world!
O maior que fizemos em família quando eu era adolescente tinha 3.000 peças! Levamos algum tempo.
Vaso com flor (Bico de papagaio) 1985
Alice Brill (Alemanha-Brasil, 1920 – 2013)
óleo sobre tela, 40 x 30 cm
NOTA: O bico-de-papagaio, ou poinsétia, ligado no hemisfério norte às festas de fim de ano, natural do México, tem flores muito pequenas, que ficam no centro das folhas modificadas. As partes vermelhas são folhas modificadas que rodeiam as pequeníssimas flores no centro. Aqui no Brasil as folhas modificadas, vermelhas, aparecem no inverno, ou seja de junho a agosto.