Sonhando, dormindo, 2007
Tajh Rust (EUA,1989)
óleo sobre tela, 120 x 210 cm
Hammonds House Museum, Atlanta
Sonhando, dormindo, 2007
Tajh Rust (EUA,1989)
óleo sobre tela, 120 x 210 cm
Hammonds House Museum, Atlanta
Em março deste ano, Michal Lotys procurava numa fazenda, ao leste da Polônia, por ferramentas de agricultura acidentalmente perdidas na camada superficial de solo, perto da pequena vila de Zaniówka. De repente descobriu um tesouro. Imediatamente notificou as autoridades, pois na Polônia não se pode sair por aí com um detector de metais à procura de tesouros. A lei requer que todo tesouro encontrado nestas circunstâncias seja não só imediatamente anunciado ao governo como passa a ser propriedade deste.
Dariusz Kopciowski, que ocupa o cargo de diretor do patrimônio de Lublin, descreveu então o tesouro encontrado: quase mil moedas de cobre escondidas numa jarra de cerâmica. Cunhadas, na maioria, no século XVII, entre 1663 e 1666.
Para mim é sempre impressionante como aprendemos com a descoberta de um tesouro, como este, que nem tão valioso é. São moedas comuns a maioria de cobre. Mas, essas moedas foram cunhadas nas casas da moeda de Varsóvia; Vilnius na Lituânia; e Brest — que hoje é da Bielo-Rússia.
Aprofundando nosso conhecimento: no século XVII, essa região fazia parte da Comunidade Polônia-Lituânia e era foco de constantes invasões de forças cossacas da Rússia em 1655 e da Suécia no ano seguinte. Chama-se esse período de Dilúvio. É fácil imaginar, então, o objetivo desse esconderijo.
As moedas encontradas neste tesouro levam o nome de “boratynki”, em homenagem a Tito Livio Burattini (1617-1641); um polonês nascido na Itália, que estudou em Pádua e Veneza. Burattini foi um famoso cientista, arquiteto, engenheiro e membro da nobreza, que além de se interessar em fazer uma máquina voadora, ou calcular a circunferência da Terra, ocupava nesta época o cargo de gerente da Casa da Moeda de Cracóvia e foi responsável por introduzir essas moedas, bem mais baratas do que as de prata. Os “botatynki eram populares pois só podiam ser usadas no dia a dia. Na época, mil “boratynki” comprariam dois pares de sapatos.
Problemas resolvidos. Estamos de volta! VIVA!
Problemas no site da Peregrina resolvidos! Culpa? Provavelmente um pico de luz durante a noite na semana passada! Desde então a Peregrina tem conseguido postar SÓ o que estava em rascunho. Sem possibilidade de editar. Muito tenso. 22 horas de trabalho do técnico, em pessoa e remoto… Ah, como dependemos da internet hoje… E minhas postagens com trabalhos de arte, muitas vezes em alta definição, são difíceis de carregar pelo telefone. Enfim! Vida nova!
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Pessoa lendo na paisagem, 2005
Erni Kwast (Holanda, 1959)
“Os primeiros indícios da primavera ainda não tinham chegado à cidade. Ela deveria ter se acomodado nos arredores, nas hortas das chácaras, nos vales dos riachos, como as tropas inimigas antigamente. Sobre os paralelepípedos, o inverno deixou um monte de areia usada para cobrir as calçadas escorregadias, e agora, ao sol, empoeirava tudo e sujava os sapatos primaveris recém-tirados do armário. Os canteiros municipais estavam debilitados e os gramados sujos de fezes de cães. Nas ruas passavam pessoas com um aspecto acinzentado e olhos semicerrados. Pareciam grogues. Formavam filas em frente aos caixas eletrônicos, para tirar de lá um valor de vinte zlotys, exatamente o valor necessário para se alimentar durante um dia. Estavam com pressa para chegar ao posto de saúde, pois tinham uma consulta marcada para as 13h35, ou estavam a caminho do cemitério para trocar as flores de plástico do inverno pelos narcisos naturais da primavera.”
Em: Sobre os ossos dos mortos, Olga Tokarczuk, tradução de Olga Baginska-Shinzato, São Paulo, Todavia: 2020, p.118

Se você vem aqui com frequência deve ter notado: não estamos com nossas postagens tradicionais.
Muito obrigada!
No momento tentamos resolver alguns problemas. Aguardem com paciência.