O escritor no museu: Raul Bopp

9 04 2024

Retrato de Raul Bopp, c. 1935

Cândido Portinari ( Brasil, 1903-1962)

óleo sobre tela, 46 x 54 cm





O gato vaidoso, Monteiro Lobato

9 04 2024

Companheiros de casa, 2003

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925-2019)

óleo sobre tela

 

 

 

 

O gato vaidoso

 

Monteiro Lobato

 

Moravam na mesma casa dois bichanos, iguais no pelo mas desiguais na sorte. Um, pela dona, dormia em almofadões. Outro, no borralho. Um passava a leite e comia no colo pela mão da senhora. O outro por feliz se dava com espinhas de peixe colhidas no lixo.

Certa vez cruzaram-se no telhado e o bichano de luxo arrepiou-se todo dizendo:

— Passa de largo, vagabundo! Não vês que és pobre e eu rico? Que és gato de cozinha e eu, de salão? Respeita-me, pois, e passa de largo…

— Alto lá, senhor orgulhoso!  Lembra-te que somos irmãos, criados no mesmo ninho.

— Sou nobre! Sou mais que tu!

— Em quê? Não mias como eu?

— Mio.

— Não caças rato como eu?

— Caço.

— Não comes rato como eu?

— Como.

— Logo, não passas de um simples gato igual a mim. Abaixa, pois, a crista desse orgulho idiota e lembra-te que mais nobreza do que eu não tens — o que tens é aoenas um bocado mais de sorte…

Quantos homens não transformam em nobreza o que não passa de um bocado mais de sorte na vida!

 

—- x—–

 

Em: Fábulas, São Paulo, Brasiliense: 1956, p. 155





Nossas cidades: Salvador

9 04 2024

Mercado modelo

Edvaldo Assis (Brasil, 1941)

óleo sobre tela, 50 x 70 cm





Na boca do povo: escolha de provérbios populares

8 04 2024

 

 

“A quem tem dinheiro, não lhe falta companheiro.”




Menina e moça, poesia de Machado de Assis

8 04 2024

Olhe para além do horizonte

Alexandra Jagoda (Ucrânia-Bélgica, 1975)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

 

 

 

 

Menina e moça

 

 

Machado de Assis

 

 

    Está naquela idade inquieta e duvidosa,

    Que não é dia claro e é já o alvorecer;

    Entreaberto botão, entrefechada rosa,

    Um pouco de menina e um pouco de mulher.

 

   Às vezes recatada, outras estouvadinha,

    Casa no mesmo gesto a loucura e o pudor;

    Tem coisas de criança e modos de mocinha,

    Estuda o catecismo e lê versos de amor.

 

    Outras vezes valsando, o seio lhe palpita,

    De cansaço talvez, talvez de comoção.

    Quando a boca vermelha os lábios abre e agita,

    Não sei se pede um beijo ou faz uma oração.

 

    Outras vezes beijando a boneca enfeitada,

    Olha furtivamente o primo que sorri;

    E se corre parece, à brisa enamorada,

    Abrir asas de um anjo e tranças de uma huri.

 

    Quando a sala atravessa, é raro que não lance

    Os olhos para o espelho; e raro que ao deitar

    Não leia, um quarto de hora, as folhas de um romance

    Em que a dama conjugue o eterno verbo amar.

 

    Tem na alcova em que dorme, e descansa de dia,

    A cama da boneca ao pé do toucador;

    Quando sonha, repete, em santa companhia,

    Os livros do colégio e o nome de um doutor.

 

    Alegra-se em ouvindo os compassos da orquestra;

    E quando entra num baile, é já dama do tom;

    Compensa-lhe a modista os enfados da mestra;

    Tem respeito a Geslin, mas adora a Dazon.(*)

 

    Dos cuidados da vida o mais tristonho e acerbo

    Para ela é o estudo, excetuando talvez

    A lição de sintaxe em que combina o verbo

    To love, mas sorrindo ao professor de inglês.

 

    Quantas vezes, porém, fitando o olhar no espaço,

    Parece acompanhar uma etérea visão;

    Quantas cruzando ao seio o delicado braço

    Comprime as pulsações do inquieto coração!

 

    Ah! se nesse momento alucinado, fores

    Cair-lhes aos pés, confiar-lhe uma esperança vã,

    Hás de vê-la zombar dos teus tristes amores,

    Rir da tua aventura e contá-la à mamã.

 

    É que esta criatura, adorável, divina,

    Nem se pode explicar, nem se pode entender:

    Procura-se a mulher e encontra-se a menina,

    Quer-se ver a menina e encontra-se a mulher!

 

 

(*) Baronesa de Geslin era proprietária de um colégio de meninas no Rio de Janeiro desde a década de 1840 localizado à Rua Príncipe do Catete, 25, hoje rua Silveira Martins ; [CLIO – REVISTA DE PESQUISA HISTÓRICA – n. 31.1 ISBN 0102-9487];  Catharina Dazon foi uma modista da rua do Ouvidor, nos últimos anos da década de 1850.





Paisagens brasileiras…

7 04 2024

Paisagem

Willy Zumblick (Brasil, 1913-2008)

óleo sobre tela, 50 x 70 cm

 

 

 

Paisagem com figura a cavalo, 1964

Manoel Santiago ( Brasil,1897-1987)

óleo sobre tela, 54 x 73 cm

 

 

 

 

Barcos ancorados

José Benevenuto Madureira (Brasil, 1903-1976)

óleo sobre tela, 30 x 40 cm,





Em casa: Guy Yanai

7 04 2024

Standard West Hollywood, 2020

Guy Yanai (Israel, 1977)

óleo sobre tela, 150 x 200 cm





Marque no seu calendário, nesta 4ª feira!

6 04 2024

O Sarau ‘Mulher: Corpo, Fala e Escrita‘ será realizado no próximo dia 10 (quarta), no Capitu Café, antiga casa de Machado de Assis,  com a presença de nove escritoras que, através de suas obras, levarão os presentes a um lugar de fala, escrita de si e do mundo, de prosa, poesia, conto ou romance, dialogando com a visão real e humana de Clarice Lispector, uma das mais importantes autoras do século XX.

O evento apresenta obras diversas, gêneros e vozes literárias únicas e pessoais.


Autoras e obras


. Carla Moura –  autora de “A revolução do automotor: Como superar qualquer desafio, aprendendo a se amar e conquistando o poder da autoconfiança” 

. Cibele Laurentino – autora de “Eu, Inútil

. Georgia Annes  –  autora de “Onde Minha Poesia te Abraça” 

. Ladyce West – autora de “À Meia Voz

. Marcelle Azeredo  – autora de “Morrer de Sede em pleno Mar” 

. Mariangela Bazbuz – primeiro livro em processo de escrita 

. Marta Velloso – autora de “Entre sedas e algodão

. Milena Maria Testa – autora de “Sob a Pele de Maria

. Tais Victa – autora do conto “Para os dias em que estamos à mesa como GH ” 
 
 

Capitu Café — Rua Cosme Velho, 174 – Cosme Velho, RJ e a Roda de Conversa/Sarau  começa às 18h, gratuitamente.

 
Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho
A Hora da Estrela – Clarice Lispector
 
 
Sobre as escritoras
 
 
Carla Moura, carioca, 57 anos, graduada em Letras. Doutora em Ciências, cuja obra tem se dedicado a dar voz a populações marginalizadas e invisibilizadas. Autora de livros como “Protagonismo Quilombola: Na Luta Por Saúde e Direitos Sociais”; “Por uma Itaboraí Saudável”, “A Saúde Ambiental e a Perspectiva Local”; “Territória, Participação Popular e Saúde” e “Religiosidade Popular e Saúde”. Seus trabalhos exploram temas como saúde, escrita, educação existencial e espiritualidade.
Instagram: @dracarlamoura


. Cibele Laurentino nasceu em Campina Grande, Paraíba, mas reside em Conde, no mesmo estado, ativista cultural realizando vários eventos culturais. Formada em Gestão em Turismo, atua na área e se dedica à literatura: estudante de Letras e escrita criativa, curadora do prêmio book brasil 2021 e 2022, autora do livro de poesias, Cactus, livro de estreia, de Nobelina, romance que se destaca por sua proposta regionalista premiado em 2021 pelo Edital Maria Pimentel na PB, Todas em mim – livro de contos, lançado em 2022, sendo traduzido e comercializado em espanhol no ano de 2023 pelo grupo editorial Caravana. Ainda em 2022 no mês de julho lançou o romance Eu, Inútil, vencedor como melhor obra de ficção em Portugal no prêmio Ases da literatura. Membro da UBE – PB, membro da ABLC – Academia de Letras de Campina Grande – PB.
Instagram: @cibelelaurentino
 
 
. Georgia Annes, carioca, 58 anos. Graduada em Psicologia. “Onde Minha Poesia te Abraça” é seu segundo livro, Editora Arpillera, 2023. Classificada em vários concursos de poesia, sendo um dos destaques da Coletânea Prêmio Off Flip 2023.
Instagram: @georgiaannes.escritora
 
 
Ladyce West, carioca, historiadora da arte formada pela Universidade de Maryland, College Park, EUA. É professora universitária. Embrenhou-se no campo de gerenciamento de instituições artísticas: galerias de arte, centro de artes e companhia teatral. Mais tarde, dedicou-se à sua própria galeria de arte e antiquário, Gessner Art & Antiques em Raleigh, Carolina do Norte. Após quinze anos de atividade, fechou a galeria para retornar ao Brasil, onde vive até hoje. Ladyce é coordenadora de três diferentes grupos de leitura ainda em existência, orientando mais de 40 leitores no Rio de Janeiro: Papa-livros, que completa  21 anos neste mês; Ao pé da Letra. que se encontra há 7 anos e Encontros na Praça, aberto um mês antes da pandemia de 2020 que ainda em existênci, todos para conversar sobre livros.
Instagram: @escritora.ladycewest
 
. Marcelle Azeredo é formada em Comunicação Social pela Faculdade da Cidade/Rio de Janeiro.
Escritora, jornalista, comunicadora e a mente por trás da página @palavralivrerj. Ministra oficinas de escrita criativa. Tempo de Delicadeza é seu primeiro livro publicado em 2020 e O Morrer de Sede em pleno Mar de 2023 é seu romance de estreia.  
Instagram: @azeredomarcelle
 
Mariangela Bazbuz é psicanalista e amante da literatura desde sempre; dedicou boa parte da vida à Saúde Pública e à formação em psicanálise pela Escola do Campo Lacaniano. Sua incursão na escrita fora até então voltada para os textos técnicos, tendo alguns publicados; após aposentar-se do serviço público, aventura-se na escrita poética, sendo Clarice Lispector sua principal mentora. Participou de 2 coletâneas em 2023, a “Letras e Tramas” pela editora Arpillera e “Antologia Casa Gueto” pela editora Patuá, ambas lançadas na FLIP. Teve uma crônica selecionada para compor a antologia “ Nós 2: textos de autoria feminina”, que será publicada este ano pelo Selo Off Flip. Em processo de escrita do primeiro livro.
Instagram: @literarterra
 
Marta Velloso, nascida em Niterói,  sempre gostou de ler e escrever. Na adolescência escrevia diários. Em 2020, aposentada pela Fiocruz, ingressou no Instituto Estação das Letras (IEL) na oficina de Elias Fajardo: “Produzindo seu livro de ficção”. Em 2023, publicou seu primeiro romance pela Editora 7 Letras: “Entre sedas e algodão”.  Inspirada em relatos de família, criou a história da  avó, Júlia, e da sua irmã bastarda, Dorcelina. Ambas viviam na Casa Grande e dividiam o mesmo quarto. Julia segue a tradição da família. Já Dorcelina, estuda e  procura ajudar seus irmãos de cor. Duas mulheres que viveram vidas opostas, Marta é uma mistura das duas.
Instagram: @marta.velloso
 
 
Milena Maria Testa é alagoana, pós-graduada em Literatura, membro do Coletivo Escreviventes e colaboradora da curadoria da revista “Contos de Samsara”. Leitora crítica, participou de coletâneas e teve êxito no concurso literário da Academia Alagoana de Letras de 2019 e na classificação para o Prêmio Carolina Maria de Jesus, em 2023, entre outros. Sua obra de ficção e autoficção trata das vivências e memórias como processo de acolhimento de si e do outro. Publicou Cúmplices Insones de Noites Insanas, em 2022, e O Coronel e o Mensageiro do Coronavírus, em 2023, ano em que também lançou “Sob a Pele de Maria”, pela Ed. Patuá. Tem um romance de formação e um livro de poemas aguardando publicação, além de um romance na seara do insólito em fase de escrita. Milena apresenta amostras de seu trabalho no perfil do Instagram @milmarias.escritora.
 
 
Taís Victa, escritora carioca, Doutoranda na UFRJ, uma das finalistas premiadas no I  Concurso Rio de Contos da Funarj e Matter Produções. É autora do conto “Para os dias em que estamos à mesa como GH.”
Instagram: @taisvicta
 




Imagem de leitura: Gwen Meyerson

6 04 2024

Café da manhã na cama

Gwen Meyerson (EUA, contemporânea)





Flores para um sábado perfeito!

6 04 2024

Flores da primavera, 1996

Carlos Haraldo Sörensen (Brasil,1928 – 2008)

óleo sobre tela, 50 x 40cm

 

 

 

 

Natureza morta

Raquel Taraborelli (Brasil, 1957-2020)

óleo sobre tela