Religião no país, texto de Luiz Felipe Pondé

10 01 2026

Anjos, 1965

Raimundo de Oliveira  (Brasil, 1930-1966)

óleo sobre tela, 80 x 120 cm

 

 

 

 

“Olhe para o Brasil em termos de religião. O que é o Brasil? Aqui, como dizia Guimarães Rosa, quanto mais religião, melhor; você tem um amigo judeu, você pede para o rabino dele lhe abençoar, você tem um amigo do candomblé, você pede para a mãe de santo dele dar uma bênção, ao amigo muçulmano, você pede uma intervenção do xeique, padre, pastor, o que vier está valendo. Essa é bem a mentalidade brasileira religiosa. Antropólogos dizem que isso é possivelmente herdado dos índios brasileiros, que continuavam a praticar as suas crenças, mas, quando o padre vinha, aprendiam o pai-nosso, e quando o padre ia embora, retornavam às suas crenças. Então a gente ficou meio vadio com religião. Você assimila a religião que melhor pegar naquele momento. É claro que, quando se introduz a cunha do mercado, como a gente vive hoje, tudo vira produto.”

Em: Diálogos sobre a natureza humana: Perfectibilidade e Imperfectibilidade, Luiz Felipe Pondé, Versos Editora: 2023





Flores, porque hoje é sábado…

10 01 2026

Vaso com flores, 2001

Stella Bianco (Brasil, 1944)

óleo sobre tela, 80 x 97cm

 

 

Vaso com flores, 2002

Sou Kit Gom (Brasil, 1973)

acrílica sobre tela. 115 x 115 cm 





Trova da margarida

9 01 2026

 

Margarida vai passando
no seu traje original.
Pensa que está abafando,
parece um pavão real…

 

(Anônima, folclore nacional, cantiga de roda)





Da janela vê-se o Corcovado…

9 01 2026

Vista de Paquetá, 1959

Francisco Coculilo (Brasil, 1893 -1971)

óleo sobre tela, 32 x 42 cm





Segunda leitura completa de 2026

8 01 2026

 


Uma das minhas decisões para o novo ano: ler alguns livros que já havia comprado e que por qualquer razão foram colocados para depois e para depois e assim por diante.  Bela surpresa me esperava.  Zen na Arte da Escrita, de Ray Bradbury, autor do conhecido clássico do século XX, Fahrenheit 451 e também das Crônicas marcianas, é uma bela coleção de onze ensaios sobre a escrita.  Nesse pequeno livro de 160 páginas, publicado em 2020, pela Biblioteca Azul, aqui no Rio de Janeiro, com tradução de Petê Rissatti, o leitor tem a oportunidade de conhecer o processo da escrita de Bradbury, sua simplicidade, seus pequenos truques para chegar a um texto vendável, sua sensibilidade e comprometimento com a profissão a que se dedicara. 

Não é um guia, um manual para a escrita. Mas testemunhando o que ele fez, seu processo de escolha e preocupação com temas e principalmente com sua habilidade de deixar-se levar pelo processo criativo, sem saber ao certo como chegar ao ponto desejado é fascinante e estranhamente sedutor para todos nós que nos dedicamos à comunicação de nossas histórias.

O entusiasmo do autor, a alegria de escrever são pontos constantes nesses capítulos independentes.  Vemos também o quanto o exercício da curiosidade é condição imprescindível para uma boa história. Mas além disso, deu-me vontade de ler mais de seu trabalho. Ficou muito famoso pelos dois livros citados acima, mas sua produção é enorme, de contos, novelas, romances e até mesmo poesia.  Foi um tiro certeiro cobrir esse livro no início do ano.  Recomendo a leitura, não só por aqueles que escrevem, mas também por quem tenha curiosidade de abrir uma janela sobre o processo criativo de um dos mais produtivos escritores do século XX. 

Meu livro está rabiscadíssimo com passagens sublinhadas, anotações nas margens e desde o início da semana passada já me coloquei com caneta e papel na mão tentando imitar alguns de seus métodos para desenvolvimento da prosa.  Serei boa aluna?  Veremos.  Mas se não conseguir, não será por falta de um excelente mestre. 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.





Um engano, texto de Marcel Proust

7 01 2026

Cena de rua em Paris, 1885

Jean Béraud (França, 1849-1936)

óleo sobre madeira, 39 x 27 cm

Metropolitan, NY

 

 

“É muito possível, porque nunca na minha vida encontrei moças tão deliciosas como naqueles dias em que estava com uma pessoa muito grave, de quem não podia separar-me apesar dos mil pretextos que inventava; em Paris, alguns anos depois da minha primeira viagem a Balbec, ia eu de carro com um amigo de meu pai quando vi uma mulher andando muito depressa na escuridão da noite; ocorreu-me que seria tolice perder por uma questão de cortesia a minha parte de felicidade na única vida que sem dúvida existe; desci sem desculpa alguma e lancei-me em busca da desconhecida; perdi-a num cruzamento de ruas, dei com ela no seguinte, e afinal, sem fôlego, me vi cara a cara com a velha sra. Verdurin, da qual eu sempre fugia, e que me disse, muito contente e admirada: “Que amabilidade a sua, correr para vir cumprimentar-me!”

 

Em: À sombra das raparigas em flor, Marcel Proust, tradução de Mário Quintana





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

7 01 2026

Mesa com frutas, 1940

Gino Bruno (Itália, Brasil, )1899 -1977)

óleo sobre  tela, 40 x 60 cm

 

 

 

Natureza morta, 1939

Joaquim Lopes Figueira (Brasil, 1904-1943)

óleo sobre tela, 50 x 30 cm 





Nossas cidades: Lagoa Santa, MG

6 01 2026

Vista de Lagoa Santa, 1969

Inimá de Paula (Brasil, 1918-1999)

óleo sobre tela, 42 x 130 cm





Palavras para lembrar: W. Somerset Maugham

5 01 2026

Moça com gorro, lendo, depois de 1880

Marie R. Dixon ( EUA, ? – 1896)

óleo sobre tela, 44 x 36 cm

“Os livros devem ser lidos por prazer, e quem pode afirmar que o que agrada a uma pessoa deve necessariamente agradar à outra?”

 

W. Somerset Maugham





Viver, soneto de Waldir Neves

5 01 2026

Homem escrevendo, 1890

Heinrich Breling (Alemanha, 1849-1914)

óleo sobre madeira, 13 x 17 cm

 

Viver

 

Waldir Neves

 

 

Vamos, querida, pelo mundo afora,

mirar os lírios brancos dos caminhos…

Vamos beber a luz pura da aurora,

embalados nos cânticos dos ninhos.

 

Vamos de perto ver a flor que chora,

pela fonte levada em torvelinhos…

Vamos colher as rosas, sem demora,

antes que murchem — sem ligar a espinhos.

 

Vamos buscar o belo onde ele exista,

sempre a sonhar, sonhando noite e dia,

que é com sonhos que o belo se conquista.

 

Vamos criar a mística de crer

que a vida é bela… é amor… é fantasia…

e há que sonhar e amar… para viver!…