Escolhi entre mais opções esta capa para meu próximo livro de poemas. Como no meu livro anterior a capa será com um quadro. Não sei se ainda vai ficar com o titulo onde está, embaixo, se estas serão as fontes usadas… ou se o titulo vai lá para cima. Estou nos primeiros estágios dessa nova publicação. Mas gostaria de saber de vocês quais três palavras esta imagem sugere para vocês ao verem essa capa. Será de grande ajuda para mim. Muito grata.
PS: Margaridas sempre foram uma de minhas flores favoritas. Quando me casei pela primeira vez, meu vestido era bordado com margaridas, e a igreja era para ser decorada com as mesmas flores. Mas, tivemos uma geada, e não havia margaridas na data. A igreja foi decorada com rosas cor de coral. E o vestido continuou com margaridas. Ninguém notou.
Esse filme cujo cartaz coloquei acima, conhecido no Brasil como Um estranho casal, e os programas de televisão por ele gerados, com os personagens, Felix Unger e Oscar Madison [Tony Randall e Jack Klugman] e mais tarde na variante da série Frasier, estrelada por Kelsey Grammer (Dr. Frasier Crane. e seu irmão David Hyde Pierce, como Dr. Niles Frasier) foram as primeiras imagens que chegaram à minha mente quando soube que em 1946 os escritores e cronistas brasileiros, Rubem Braga e Paulo Mendes Campos dividiram um apartamento à Rua Júlio de Castilhos, Posto 6, em Copacabana.
Reza a lenda que nos dias da semana os dois escritores e cronistas iam à cidade juntos. Será? Lá, se dedicavam à escrita, onde davam expediente na redação dos jornais para onde escreviam.
As colagens e gravuras de Maria Rivans, artista plástica contemporânea, inglesa têm me fascinado desde que conheci seu trabalho. Gosto da combinação de arte pop, e outras levas do passado. A obra de Rivans está enraizada na tradição estabelecida por Andy Wahrol. Como ele, ela retrata celebridades, principalmente de atrizes de Hollywood de décadas passadas, famosas por filmes clássicos, como são as colagens e gravuras: acima, retratando Sofia Loren, ou a abaixo, retratando Elizabeth Taylor.
Kailani
Maria Rivans (Inglaterra, contemporânea)
colagem e posterior gravura
Maria Rivans explora também a colagem com raízes no próprio movimento pop inglês, iniciado pelo IG Grupo Independente, em Londres em 1952. O que lembra o trabalho dessa época, é a semelhança com as colagens de Richard Hamilton, nas figuras aparentemente sem conexão, soltas em proporções diversas. Esse trabalho de colagem do grupo inglês foi um passo além das obras inspirados pelos primeiros surrealistas, como Max Ernst, famoso por suas novelas colagem.
O que faz nossas casas hoje tão diferentes e sedutoras?, 1956
[Just what is it that makes today’s homes so different, so appealing?]
Richard Hamilton (Inglaterra, 1922-2011)
Colagem
Museu de Arte, Tubingen, Alemanha
Prestando atenção aos adornos de cabelos nas colagens de Maria Rivans dá para notar imagens de tamanhos diferentes, aparentemente sem relacionamento umas com as outras, mas caprichosas nas escolhas.
Lily
Maria Rivans (Inglaterra, contemporânea)
colagem e posterior gravura
Além dessas deliciosas referências a diversas etapas de movimentos artísticos do século XX, Maria Rivans também faz um belo aceno à arte Rococó do século XVIII. Talvez por pintar a ‘nobreza’ Hollywoodiana, ela também tenha querido dar um ar nostálgico, frívolo e de belas cortesãs às beldades retratadas ao nos lembrar do grande volume e das intrincadas construções das perucas usadas na corte de Maria Antonieta.
Exemplos de perucas do século XVIII na França.
É sempre gratificante ver como os artistas se colocam no contexto das artes. Maria Rivans está aqui nos dizendo: “Olhem só, sou do século XXI, estou usando técnicas e abordagens de minha época, mas minha arte está enraizada numa sequência de conhecimentos adquiridos através dos tempos.”