A lição, 1931
Marcel Gromaire (França, 1892- 1971)
guache, aquarela e tinta sobre papel, 49 x 32 cm
A lição, 1931
Marcel Gromaire (França, 1892- 1971)
guache, aquarela e tinta sobre papel, 49 x 32 cm
Ignoro a autoria desta ilustração.
“Parecia praga e era. O Língua foi atraído por outra mulher. Era a mulher mais preta que ele alguma vez vira. E isso intrigou-o. Tão preta era a mulher que parecia não querer parecer. E foi o que o Língua lhe disse: Você é muito preta mulher. E ela, toda vespertina, correspondeu como convinha: Ainda só viu o que os olhos alcançam, negro, devo ter partes ainda mais escuras. E o Língua caiu babado nos braços dela. Durante três anos não largou o rabo da saia da Preta nem para ir trabalhar. Era mesmo para crer que só agora a bruxaria da outra mulher andava a surtir efeito. O Língua não estava a perceber, mas virou o homem mais submisso da ilha. O trabalho era então satisfazes os mais extravagantes caprichos da Preta, de tal modo que ele virou ao mesmo tempo angustiado e feliz, azarado e contente, imprudente e lúcido, renegado e pesaroso, como todo o homem arrebatado. Pior, não conseguia sair dali. Se a paixão tem fogo, o corpo tem lume. Mas, um dia, ao olhar para um caco de espelho, teve um espanto tão grande que, então, para salvar a pele, ou o que restava, vestiu-se, pegou nas sandálias e desapareceu. Como nunca ia sem dizer adeus, assobiou e, sem virar a cara, acenou. Nunca soube se foi correspondido. Mas dali saiu com a determinação de nunca mais voltar a cair nos braços de uma mulher.”
Em: Biografia do Língua, Mário Lúcio Sousa, Alfragide, Don Quixote: 2015, p. 264
Curiosidade, 1869
Silvestro Lega (Itália, 1826 -1895)
óleo sobre tela
Museo Poldi Pezzoli
Martha lendo próximo à janela
Isaac Grunewald (Suécia, 1889 – 1946)
óleo sobre tela, 101 x 81 cm
Machado de Assis
Natureza morta com frutas
Manoel Santiago (Brasil, 1897 – 1987)
óleo sobre tela, 46 x 55 cm
Ilustração Equipe Mauricio de Souza.
Ganha mais brilho a vitória
quando o nobre vencedor,
no pódio da sua glória,
não humilha o perdedor!
(Alba Helena Corrêa)
São Lourenço
Augusto Seabra (Brasil, 1909 – ?)
óleo sobre tela, 10 x 15 cm
Senhora lendo programa, 1910
Armand Rassenfosse, (Bélgica, 1862 -1934)
Jovem lendo
Jean-Pierre Alaux (França, 1925)
litografia, 50 x 67 cm
Zalkind Piatigorsky
Unknown Magazine, 1940.
José Otávio Gomes Venturelli
Sonâmbula tristeza me rodeia,
Inebria-me a prece dos crepúsculos,
Já não mais sinto a força que semeia
A resistência física dos músculos.
E o coração, minha esquecida aldeia,
Onde as casas são místicos corpúsculos,
Sente sua alma de saudades cheia,
E de prazeres parcos e minúsculos.
Os sonos se aproximam… Vêm vestidos
De horríveis pesadelos que me falam
De insônias infernais aos meus ouvidos.
Espíritos do mal, seres medonhos,
Eu não posso dormir se não se calam,
Porque querem roubar também meus sonhos!
Em: Poetas cariocas em 400 anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965, p.397