Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

2 12 2020

Natureza morta: frutas e sarongue

Sérgio Telles (Brasil, 1936)

óleo sobre tela, 54 x 73 cm





Ladyce West, a Peregrina Cultural, lança seu primeiro livro de poesia

1 12 2020

Muito feliz de anunciar que meu livro, À meia voz, com 60 poemas, está a partir de hoje em PRÉ-VENDA a R$33,00, no site da editora Autografia. Estou muito orgulhosa.   Logo estará também à venda em e-book.

https://www.autografia.com.br/produto/a-meia-voz/





Nós, soneto de Inocêncio Candelária

1 12 2020

Lembrança do primeiro amor, 1995

Ernani Pavaneli (Brasil, 1942)

acrílica sobre tela, 65 x 54 cm

 

Nós

 

Inocêncio Candelária

 

Brincávamos nós dois o dia inteiro:

Você linda criança. eu pequenino,

Num mútuo benquerer, num verdadeiro

Mundo de flores, plácido e divino!

 

Sempre juntos, você foi quem primeiro

Ensinou-me de um modo peregrino,

Viver, amar, ser bom, ser altaneiro,

Minha loura boneca de menino…

 

Depois fui para longe… A nossa dita

O tempo transformou. Deus assim quer!

Fiquei moço e você ficou mulher…

 

E mulher, mais mimosa, mais bonita,

Você é ainda a mesma em meu destino

Minha loura boneca de menino.

 

Em: 232 Poetas Paulistas: antologia,  ed. e col. Pedro de Alcântara Worms, São Paulo, Conquista: 1968, p. 350

 

Inocêncio Candelária, (1910- 1992) jornalista,  contista, historiador, biógrafo, antologista, poeta e trovador,  nasceu no município de Salesópolis a 5 de setembro de 1910, filho de Benedito Ferreira Candelária e Benedita de Melo Candelária. Residiu e faleceu em Mogi das Cruzes.

Obras

 Filólogo da Escola da Praça, (1945) – crítica

 [premiado pela Academia Brasileira de Letras]

Poetas do Norte de São Paulo, (1958) antologia poética





Meus favoritos: Henry Howard

30 11 2020

Jovem florentina, 1827

[Filha do pintor]

Henry Howard R.A.(GB, 1769 -1847)

Óleo sobre tela

Tate Gallery, Londres





Flores para um sábado perfeito!

28 11 2020

Flores amarelas, s.d.

Stella Bianco (Brasil, 1944)

óleo sobre tela, 80 x 100 cm





Rio de Janeiro, um parque à beira-mar

27 11 2020

Pedra de Guaratiba

Virgílio Dias (Brasil, 1956)

óleo sobre tela, 38 x 53 cm





Imagem de leitura — Adelaide Giannini

26 11 2020

 

 

Adelaide Giannini croppedRetrato, 1936

Adelaide Giannini (Itália, 1898 – ?)

pastel





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

25 11 2020

Bananas e frutas cítricas em cesto, 1946

Arthur Kaufmann (Alemanha/Brasil, 1888 -1971)

óleo sobre tela, 40 x 51 cm





“Lundu de Dona Sinhá”, Wilson W. Rodrigues

24 11 2020

Batucada, 1935

Armando Vianna (Brasil, 1897 – 1992)

óleo sobre tela, 37 x 46 cm

 

Lundu de Dona Sinhá

 

Wilson W. Rodrigues

 

Tanta brancura na pele,

tanta negrura nos olhos,

tanta risada sonora

no mundo não há

fora do colo macio,

dos olhos tão envolventes,

da boquinha tão vermelha

de dona Sinhá.

 

Pegar com jeito no leque,

fazer mesura na valsa,

dizer adeus com o lenço

no mundo não há

como o jeito delicado,

o sapatinho de seda,

a mãozinha tão alva

de dona Sinhá.

 

Rezar, na igreja, sonhando,

dizer “não”, sempre sorrindo,

prometer tanto em silêncio

no mundo não há

como a reza mais sincera,

os lábios enganadores

e as promessas escondidas

de dona Sinhá.

 

Fingir chilique de choro,

zombar do próprio marido

e trair o próprio amante

no mundo não há

como as lágrimas fingidas,

os carinhos mentirosos

e os amores levianos

de dona Sinhá.

 

Em: Bahia Flor: poemas, Wilson W. Rodrigues, Rio de Janeiro, Editora Publicitan: 1949, pp. 51-55

 

 

Wilson Woodrow Rodrigues (São Salvador, BA, 1916 – ?), poeta, jornalista, folcorista, escritor, professor.

Obras

    A caveirinha do preá, s/d

    Desnovelando, s/d

    O galo da campina,s/d

    O pintainho, s/d

    Por que a onça ficou pintada, s/d

    A rãzinha,s/d

    Três potes, s/d

    O bicho-folha,s/d

    A carapuça vermelha,s/d

    Bahia flor, poesia, (1949)

    Folclore Coreográfico do Brasil, (1953)

    Contos, s/d

    Contos do Rei-sol, s/d

    Contos dos caminhos, s/d

    Pai João, (1952)

    Sombra de Deus, s/d

    Lendas do Brasil, s/d





A professora de São Cristóvão, texto de Gilberto Amado

23 11 2020

Figura de mulher, 1929

Ismael Nery (Brasil, 1900 -1934)

óleo sobre cartão, 38 x 46 cm

Galeria Almeida e Dale

 

“Maria Cândida, solteira, magra, sempre de enxaqueca com rubores súbitos, vivia a passar a mão sobre a cabeça dolorida. Certos dias colava nas venezianas um papel azul, para coar o sol e criar na sala da escola uma atmosfera opalina. Mas papel azul não podia ser obstáculo a que o sol de Itaporanga ferisse com sua violência a cabeça sensível da solteirona frágil, moça velha de peito murcho nas desesperanças do celibato. Maria Cândida, professora pública não ilustrada como Sá Limpa, professora particular.  Sá Limpa “puxava” pelos meninos. “Mulher não precisa saber”, dizia no tempo a maioria dos pais. Mas o meu, querendo dar a Iaiá instrução melhor, andou procurando professora; veio uma de São Cristóvão, grandalhona, muito recomendada. Abriu aula na Praça do Mercado.  Meninas das melhores famílias deixaram a escola pública para se matricular na dela. Viu-se logo, porém, que a recomendação não tinha fundamento. Num exemplo escandaloso, revelou-se-lhe a impreparação. Ensaiando as meninas para um recital, não se soube por que artes do demônio obrigou a que devia recitar o “Navio Negreiro” a pronunciar “albátros” em vez de albatroz, “albatroz, albatroz, águia do oceano”, dizia o poeta; albátros queria a professora que as meninas dissessem. Passava a esse tempo por Itaporanga Baltazar Góis, literato, professor do Liceu em Aracaju. Hospedado lá em casa, soube do fato. “É maluca… e escangalhou o decassílabo!”  A história propagou-se; a professora encalistrou, raspou-se sem se despedir, deixando os trastes; reintegrou São Cristóvão onde talvez não fizessem questão da pronúncia do nome da ave.”

 

Em: História da minha infância, Gilberto Amado, Rio de Janeiro, José Olympio:1966, 3ª edição, pp. 68-9